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cinema

Crítica: O Rei de Roma

Wendy Stefani

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O Rei de Roma não é um dos primeiros filmes que enfatizam a ganância e as consequências da corrupção que envolvem o ser humano. Afinal, embora tenhamos muitos filmes que focam mais efeitos visuais, também existem muito diretores que buscam efeitos mais reflexivos e em colocar sua própria personalidade no script. Tais características podem ser visualizadas em alguns longas com enredo semelhantes, onde se espera que o espectador venha ter uma visão mais mediativa do conteúdo.

Marco Giallini (Numa Tempesta), protagoniza um filme que parece falar mais sobre a essência do ser humano do que contar uma história elaborada de ficção – que, se for parar pra pensar, não é tão ficção assim.

E como todo bom filme italiano, seus protagonistas são vistos quase sempre brigando ou se amando. Já enfatizando que todos os que adoram filmes “hollywoodianos”, podem achar tediosos 97 minutos da produção de Danielle Luchetti.

O protagonista, Numa, é um homem cheio de dinheiro e grande ambição. Depois de ser descoberto pela polícia por infringir a lei, ele é condenado a cumprir um ano de serviço social, onde terá que trabalhar em uma rede de abrigo de moradores de rua e se submeter a uma diretora com punho firme e irrelevante a seu status — e muito dinheiro. Além disso, diferente da sinopse, Numa é um homem arrogante e nem um pouco carismático.

Nos primeiros minutos do filme vai ser difícil se envolver com a história. Tudo vai ser a base da curiosidade. São nesses minutos que começam a mostrar o caminho que Numa terá que seguir devido a infração e seu perturbador convívio com os visitantes do abrigo.

O diretor parece querer causar uma provocação no espectador. A princípio, pensamos ser uma daquelas histórias sobre a busca insaciável de riquezas e poder que acaba obscurecendo a mente de todos. E é nesse momento que você pode ter a sensação de que está sendo provocado a encontrar um sentido na historia e saber seu final.

Os conflitos gerados por Tempesta são fundamentados na sua própria existência e visão egoísta de não cumprir os meses propostos pela lei. Realizando uma estranha amizade com um dos visitantes, interpretado por Elio Germano ( ganhador do Prêmio David di Donatello de Melhor ator e conhecido pelo filme ” Meu irmão é filho único”) ele vai entrar em diversas situações de conflito, principalmente com o visitantes do abrigo.

No decorrer serão mostrados vestígios da relação de Numa com o pai. Essa parte vai ficar bem misteriosa e confusa, com uma história cheia de fragmentos.

 A dica do filme é prestar muita atenção em Nicolla, o único garoto que frequenta o abrigo com o pai e que a princípio parece ser irrelevante, mas terá uma certa influência na finalização do enredo.

A verdade é que o dinheiro abre portas e oportunidades e a história vai mostrar essas vantagens e que todos acabam tendo um lado “cretino”. E embora o espectador possa sentir que não é um filme que te ” prende” o tempo inteiro, vale a pena.

Também acabamos tendo uma percepção de que não é sempre que o contexto que você está inserido pode causar alguma mudança. O que muda são as oportunidades e nossas posições quando elas surgem. 

Mesmo assim o final é subjetivo, vai depender realmente da visão de mundo de cada um, por isso assista e conclua por si mesmo.

O Rei de Roma estreia 7 de março nos cinemas.