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cinema

Crítica: O tradutor

Wendy Stefani

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O TRADUTOR longa metragem, baseado em fatos reais, envolve principalmente a catástrofe de Chernobyl. O desastre nuclear que ocorreu em 26 de abril 1986 e foi o mais grave na história. Um reator acabou causando uma enorme explosão e liberando uma imensa nuvem que causou uma liberação de resíduos tóxicos 400 vezes mais radioativa do que a bomba atômica de Hiroshima.

O filme, ambientado em Havana, relata os fatos envolvendo o pai dos irmãos cineastas Sebastián e Rodrigo Barriuso que dirigem o longa. O pai deles, chamado Malin (Rodrigo Santoro) é um professor que foi convocado pelo governo de seu país para auxiliar na comunicação entre as pacientes vítimas do desastre e os médicos cubanos do local.

O protagonista do enredo é o ator Rodrigo Santoro (Carandiru, 2003) . O ator já é conhecido pelos seus avanços no universo Hollywoodiano e muitos outros filmes feitos no Brasil, inclusive, fará uma participação no filme “Turma da Mônica Laços” em 2019.

O interessante desse filme está no fato de que os roteiristas não estão somente contando a história de um homem que foi atingindo por uma tragédia, mas sim, a história do seu pai, a história da sua própria família.

No filme a intervenção de Malin não é uma opção consciente. Ele é atingido por uma tragédia que aconteceu fora do seu país. E como é um dos poucos professores de literatura russa, ele acaba vendo suas escolhas e liberdade sendo arrancadas de suas mãos. A obrigatoriedade desses fatos consequentemente serão capazes de influenciar seus pensamentos, comportamentos e interesses vitais da vida.

Esses acontecimentos acabam mostrando como a predominância de um contexto é capaz de atingir o ser humano de forma única. Antes da mudança drástica de sua vida, Malin está em uma fase importante de seus avanços na área da educação, além de manter um relacionamento estável e cheio de companheirismo com sua família. Porém, quase tudo se torna irrelevante quando seu contexto muda, agora ele está diariamente com situações que lhe colocam de frente com a vida e a morte. O despeito do sucesso de suas aplicações teóricas e práticas, são diretamente influenciadas a partir disso.


O fato é que seu trabalho é muito importante e conforme ele vai se aprofundando nesse universo, acaba sendo consumido e suas relações e emoções são inevitavelmente atingidas, principalmente o relacionamento com sua esposa.

Algo que chame muito atenção no decorrer do filme é a forma como é resgatado o contexto histórico de Cuba. Detalhes como os fortes investimentos na economia proporcionados pela URSS e a transição com o período especial, após o fim dessa união, são relatados de forma sutil e marcantes.

Além disso, ele consegue caracterizar a ideologia do país “dividimos aquilo que temos, não o que sobra”, pois mesmo com todos os fatores problemáticos que estavam ocorrendo, é enfatizada o sentimento de internacionalismo, desejo de compartilhar e sempre ajudar os que necessitam.

O filme ganha um triunfo com a grande interpretação da atriz Maricel Álvarez! Ela interpreta Gladys, uma das enfermeiras responsáveis pela a Ala infantil do hospital e que contracena em vários momentos com Malin. Álvares interpreta um papel emocionalmente exigente e complexo, conseguindo resgatar e entregar ao público uma adaptação cheia de impacto e humanidade. A história é tão central e sua a capacidade de atingir todos os contexto, ideias e emoções, fazem sua interpretação única.

Santoro, também consegue ir além de uma simples adaptação de personagem, transparecendo essa complexidade de como é necessário pesquisar e investigar o meio de suas histórias com total diligência.

Seu protagonismo está enlaçado na coerência com a noção de causalidade e sua adaptação a ela, entendendo que a racionalidade não vai protege-lo do impacto que a vida trouxe. Santoro tem uma precisão nessa interpretação, pois consegue expor a ruptura que a história faz com a alma de Malin, quando ele acaba se infiltrando em um isolamento e não consegue separar os conflitos do trabalho com as suas outras relações. Ele capta isso em uma performance trivial.

A maquiagem do filme também merece uma nota a mais, ela consegue transparecer todo o sentimento de Malin e suas crianças. É possível ver a cada cena o poder do emocional destruindo o personagem. Cada dia mais visivelmente cansado e abalado. Nas crianças é possível ver e acreditar que todas realmente estão doentes e a maquiagem aprofunda a cada piora do estado de saúde.

E falando em crianças, devemos salientar a participação do ator mirim que interpreta Alexi (Nikita Semenov), um dos pacientes que Malin acompanha. Ele consegue transmitir todo o sofrimento e seriedade que o personagem pede. Pode ser que no futuro vejamos mais dele nas telinhas.

O tradutor não é somente um filme que o Rodrigo Santoro interpreta, é baseado em uma história complexa, real, envolvente e emocionante.

O tradutor tem previsão de estréia para o dia 4 de abril

O tradutor

9

9.0/10

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  • Atuação de Rodrigo Santoro

Bióloga - UFSCar. 26 anos. Apaixonada pelo mundo Nerd. Se perde em páginas de livros. Busca sempre o empoderamentos das Mulheres, e lutar contra todos tipo de exclusão racial e social.

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