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Crítica | O Verão que Mudou Minha Vida

O Verão que Mudou Minha Vida encerra terceira temporada no Prime Video, com triângulo amoroso, dilemas de Belly e anúncio de filme para 2027.

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O Verão que Mudou Minha Vida

Um dos maiores triângulos amorosos da nova geração chegou ao “fim”! Ontem (17), foi ao ar o último episódio da série “O Verão que Mudou Minha Vida”, no Prime Video. Baseada na trilogia de livros homônima da autora Jenny Han (também responsável por “Para Todos os Garotos que Já Amei”), a produção conquistou milhares de fãs nos últimos anos e rapidamente virou uma febre mundial. Embora o último capítulo já tenha sido exibido, a plataforma confirmou um filme de encerramento para o universo, com previsão de lançamento para 2027. Confira a crítica completa ao longo da matéria.

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O enredo é baseado nos três livros: “O Verão que Mudou Minha Vida”, “Sem Você Não é Verão” e “Sempre Teremos o Verão”, todos escritos por Jenny Han, que também participou da criação de todas as temporadas e irá roteirizar o filme. Inspirada no volume final, a terceira temporada traz de volta os protagonistas Belly (Lola Tung), Jeremiah (Gavin Casalegno), Conrad (Christopher Briney), Steven (Sean Kaufman) e Taylor (Rain Spencer). Na história original, uma série de acontecimentos faz com que Belly e Jeremiah fiquem noivos, até que Conrad retorna à cidade. Belly precisa decidir o que realmente quer para o futuro, inclusive se isso significa escolher um dos irmãos Fisher ou deixar os dois para trás.

O Verão que Mudou Minha Vida

Desde o começo, a produção conseguiu criar um vínculo genuíno com o público, formando uma comunidade que se dividiu em dois polos extremos: Team Conrad, de um lado, e Team Jeremiah, do outro. Cada detalhe apresentado gerava debates nas redes sociais e muitas discussões. Com cenários quentes e uma fotografia desejável, a premissa nunca foi extraordinária, inovadora ou algo que merecesse um Emmy – mas tinha em mãos o único fator essencial: o público.

A cada episódio semanal, as redes sociais ficavam mais agitadas, trazendo teorias sobre os personagens, reflexões sobre a geração que consome e até problemáticas relacionadas ao presente. Com o aumento do consumo de produções audiovisuais durante a pandemia, o que os telespectadores mais buscavam – e ainda buscam – é desacelerar e sentir uma sensação de pertencimento. Tudo se resume a conexão e representatividade, dois pontos que fortalecem o vínculo com a audiência. O formato de lançamento prende ainda mais o espectador – trazendo para a nova geração a mesma sensação que os millennials tinham ao acompanhar novelas. Mas fica o questionamento: o que a história tem de tão especial?

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O enredo aborda temas como luto, ansiedade, depressão, autoestima e muito mais; todos refletem pautas importantes do cenário atual. Isso é tratado de forma leve, sob uma ótica limpa e ficcional. A narrativa gira em torno do triângulo amoroso entre Conrad e Jeremiah, tendo Belly Conklin no centro. Desde o início, tudo é tratado de forma questionável e, nesta temporada, os problemas se tornam maiores, acelerados, deixando de lado momentos relevantes que não foram explorados.

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Tudo que envolvia Belly tinha ligação direta com os irmãos Fisher. Ela não tinha uma personalidade própria e suas atitudes sempre eram em função de terceiros. Mesmo assim, acabava ferindo os dois de alguma forma. Nos episódios finais, decidiram finalmente desenvolver o lado individual da personagem – o que é válido, mas não cabe em apenas dois capítulos, ainda mais junto da definição de com quem ela ficaria. Isso tira um pouco do peso da narrativa. Colocar apenas insinuações nem sempre é suficiente; certos momentos precisam ser exibidos e verbalizados.

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Apesar dessas falhas, Belly tem bons instantes a partir do momento em que desiste do casamento. A ida para Paris faz diferença para que ela se conecte consigo mesma, com sua verdadeira identidade, e tudo é lindo de ver. O único ponto que destoa é a mudança no cabelo: visualmente foge da energia da personagem e não representa com sinceridade a fase atual, considerando que a série utiliza muito de simbolismos.

Agora, sobre a segunda ponta do triângulo: Conrad Fisher, o famoso endgame de Belly. Desde o início, ele é introspectivo e triste – o oposto do estereótipo do namorado golden retriever. Muito disso vem do câncer da mãe e da descoberta do caso do pai. Conrad tem toda a vibe “gato preto”, o misterioso que parece inacessível, mas por trás disso há um jovem que pratica, em quase toda a série, o auto-sacrifício – sempre carregando o peso de proteger o mundo. A produção perde o timing em mostrar essas situações, sustentando sua narrativa em flashbacks e pontos de vista com a protagonista. A falta de posicionamento do personagem atrapalha o desenvolvimento, e apenas nos momentos finais ele decide ser direto e admitir, para si e para os outros, o que realmente quer. Junto dos flashbacks, esses são seus melhores instantes.

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 E a ponta final do triângulo: Jeremiah Fisher. Nas redes sociais ele é descrito como um manchild – o garoto tóxico. Totalmente diferente do irmão, sempre foi mais alegre e fácil de conversar, além de melhor amigo de Belly. Desde cedo transparece estar bem consigo mesmo e com os outros, mas no fundo sabia que havia algo errado. Com o excesso de proteção, acabava confiando demais no que diziam a ele.

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Nesta temporada, vemos um lado diferente: Jeremiah sendo “escolhido” por Belly e todas as questões desse relacionamento, junto da polêmica traição. Tudo isso reforça traços de um manchild: insegurança e comparações desproporcionais que sofreu durante a vida, abrindo espaço para Belly e Conrad se tornarem o endgame. Apesar disso, Jeremiah tem um fechamento digno dentro das circunstâncias. Ele se encontra na culinária e segue em frente, sem se perder em flashbacks.

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O roteiro, no geral, é disfuncional e bagunçado. A prova disso é a quebra de uma relação de irmãos por conta de uma garota – eles têm pouquíssimos momentos de irmandade e família. O triângulo não amadurece com os personagens da forma correta, mas ainda entrega entretenimento, gerando debates e reflexões sobre as relações que devemos construir na vida real.

 Outro desenvolvimento que demonstra pressa em encerrar a série foi o de Steven e Taylor. Muitas questões individuais e do casal poderiam ter sido exploradas muito antes. Eles tiveram um tempo de tela bem aproveitado, mas isso reduziu o espaço para os protagonistas. A sensação é que a direção quis resolver todos os problemas em 11 episódios para poder desenvolver o filme sem grandes pendências, o que só reforça o descaso com a obra.

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Em resumo, a terceira temporada de “O Verão que Mudou Minha Vida” emociona os fãs, mas, tecnicamente, é construída de forma disfuncional e relaxada – maquiando problemas com cenários, fotografia, trilha sonora e simbolismos escondidos. Jenny Han não entrega tanto quanto os fãs mereciam nestes episódios; oferece o mínimo, e no estágio em que a série chegou isso já não é suficiente.

O Verão que Mudou Minha Vida está disponível no Prime Video.

O Verão que Mudou Minha Vida
Regular 6
Nota 6
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