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Crítica | Quebrando Regras “Às vezes o sonho é o que nos mantém vivos”

Quebrando Regras é um filme sobre sonhos, força e fé, enfrentando todas as adversidades possíveis.

Nicks Froes
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Nicks Froes
Apaixonada _(e formada)_ por cinema, especialmente pelo gênero de terror. Assisto filmes, edito vídeos e crio estratégias criativas. Dissecar cada detalhe e compartilhar minha visão de...
9 Muito Bom
Quebrando Regras

Em tempos sombrios como os que estamos vivendo, Quebrando Regras tem um impacto fortíssimo, e não pede licença pra isso. Com o Talibã ameaçando as meninas retratadas na história, o longa não só emociona, mas nos lembra que o mundo ainda falha miseravelmente em garantir o básico para muitas mulheres: o direito de existir com liberdade.

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A força do filme vem, em grande parte, do fato de que ele é baseado em uma história real. A jornada das “Afghan Dreamers”, um grupo de meninas afegãs que enfrentou de tudo para competir em um torneio internacional de robótica: já havia sido registrada no documentário Afghan Dreamers (2017). Mas o diretor Bill Guttentag, junto ao roteirista Jason Brown e Elaha Mahboob (irmã da protagonista na real, Roya Mahboob), entendeu que essa história merecia atingir ainda mais pessoas, agora com o impacto emocional de uma obra de ficção dramática para o grande público.

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Segundo Brown, Hollywood relutava em investir num filme sobre adolescentes muçulmanas afegãs, então eles decidiram fazer acontecer com seus próprios recursos, priorizando a autenticidade e a representatividade em cada etapa da produção.

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A história gira em torno de Roya Mahboob, uma jovem obstinada que decide formar uma equipe de robótica composta apenas por meninas. Mas o foco aqui vai muito além da tecnologia. O robô que elas constroem é quase um símbolo de resistência, enquanto a sociedade ao redor tenta desmontar cada parte do que elas são.

Cada personagem traz uma força única: Taara, a engenheira brilhante; Esin, a estrategista afiada; Haadiya, que carrega o grupo com sua resiliência; e Arezo, que transforma peças em vida com suas mãos. Elas não estão apenas construindo um robô: estão construindo uma nova narrativa para o que significa ser mulher em um lugar onde isso, por si só, já é um ato de rebeldia.

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É impossível não se indignar com os obstáculos absurdos que as meninas enfrentam: censura dentro da própria casa, ameaças públicas, negação de vistos sob desculpas burocráticas, e até a vergonha e violência impostas por atitudes tão simples quanto trocar assinaturas de camisetas com meninos em uma competição. Pequenos gestos de liberdade aqui viram atos puníveis lá. E o filme te obriga a engolir essa realidade a seco.

Como obra cinematográfica, Quebrando Regras tem seus altos e baixos. A timeline do filme é um pouco confusa em alguns momentos, e o roteiro às vezes se rende a fórmulas conhecidas, como o clássico “montagem com música pop” (aqui ao som de “I Gotta Feeling”, do Black Eyed Peas). Mas tudo isso é perdoável diante da força da história que ele quer contar.

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Quebrando Regras

O elenco é um acerto à parte. Amber Afzali, Nina Hosseinzadeh, Sara Malal Rowe e Mariam Saraj entregam atuações sensíveis e convincentes. E nomes de peso como Phoebe Waller-Bridge e Ali Fazal trazem uma leveza bem-vinda em momentos pontuais.

O que mais me marcou nesse filme é como ele transforma algo tão técnico quanto a robótica em símbolo de libertação. Não é só sobre o campeonato. É sobre dizer ao mundo: “Estamos aqui, somos capazes, e não vamos pedir permissão pra sonhar.”

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É, também, um tapa na cara de quem acha que mulheres afegãs são apenas vítimas passivas. Essas meninas são engenheiras, líderes, sonhadoras e, acima de tudo, corajosas.

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E a pergunta final é: Vale o Ticket? Mais do que vale. Precisa ser visto. O ponto triste aqui é que são poucas sessões por dia do filme e em poucos cinemas. Quebrando Regras é um lembrete de que o cinema pode, e deve, servir como ferramenta de denúncia e de inspiração. Ao mesmo tempo em que você torce pela vitória das meninas, você sente a revolta de saber que, fora da tela, tantas outras continuam lutando pra existir com dignidade.

Num mundo onde se bombardeia hospital como se fosse alvo militar e onde meninas são expulsas de salas de aula por quererem aprender, esse filme chega como um grito abafado, mas impossível de ignorar.

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Quebrando Regras estreia hoje nos cinemas.

Quebrando Regras
Muito Bom 9
Nota 9
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