Shadow Force 3

Crítica | Shadow Force

Shadow Force está em exibição nos cinemas, um filme com Kerry Washington e Omar Sy de Lupin.

Nicks Froes
Nicks Froes
Apaixonada _(e formada)_ por cinema, especialmente pelo gênero de terror. Assisto filmes, edito vídeos e crio estratégias criativas. Dissecar cada detalhe e compartilhar minha visão de...
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Shadow Force
7 Bom
Shadow Force

Joe Carnahan sempre foi um cineasta de climas extremos. Em títulos como Narc (2002) e A Perseguição (2011), ele levou personagens ao limite físico e emocional em cenários gelados ou tiroteios frenéticos. Shadow Force, seu primeiro longa em quatro anos, mantém o pulso na ação, mas amarra tudo a um drama familiar: Kyrah (Kerry Washington) e Isaac (Omar Sy) são ex‑agentes obrigados a fugir com o filho em meio a uma conspiração sangrenta. É justamente esse vínculo, amoroso, tenso, imperfeito, como “o coração que bombeia adrenalina pelo corpo do filme”. Funciona: mesmo quem não compra a trama vai torcer pela segurança do garoto.

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Washington, conhecida principalmente por sua atuação marcante e intensa em Scandal, traz para Kyrah a mesma determinação e força, mas aqui temperada por uma vulnerabilidade mais exposta, um contraste interessante para o seu repertório. Omar Sy, que conquistou o público mundial com Intocáveis e mostrou sua versatilidade em produções como Lupin, oferece um personagem com carisma e um lado protetor muito bem trabalhado, ainda que a trama não permita grande aprofundamento.

Shadow Force

Além disso, não posso deixar de destacar a atuação do jovem Jahleel Kamara, que interpreta o filho do casal. Sua presença natural e expressiva dá alma a um personagem que poderia facilmente ser apenas um coadjuvante funcional. Espero muito vê-lo em mais trabalhos no futuro.

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Outro ponto que merece atenção é a representatividade racial presente no filme. É muito refrescante ver dois protagonistas negros no centro da história e saber que o roteirista também é um homem negro. Em tempos em que a diversidade na indústria do cinema ainda é um desafio, Shadow Force faz um esforço importante, ainda que não tenha um viés racial explícito. Precisamos urgentemente de mais espaço para protagonistas negros em filmes de ação e em outros gêneros, e este longa, sem dúvidas, contribui para essa conversa de forma sutil, mas essencial.

O roteiro de Leon Chills e Carnahan nunca almejou profundidade shakespeariana. A exposição é telegráfica; reviravoltas nascem tão rápido quanto se resolvem; e nada fica em suspense tempo suficiente para gerar debate pós‑sessão. Em outra produção isso seria um pecado, mas aqui fica quase natural: Shadow Force não pretende ser Sicario nem Logan. Ao contrário, abraça o molde de “pipoca” e o exibe com certo orgulho. O problema é que essa simplicidade beira o descuido em alguns pontos: motivações de vilões soam decorativas e o clímax surge apressado, sacrificando o impacto dramático.

Shadow Force 1

Joe Carnahan é conhecido por criar cenas de ação intensas e cheias de energia, e em Shadow Force ele mantém essa assinatura, entregando sequências que funcionam bem dentro da proposta do filme. Embora algumas coreografias não tenham sido muito bem executadas, continuam sendo familiares para os fãs do gênero. Mesmo assim, cumprem seu papel de manter a adrenalina em alta.

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Com um ritmo constante e cortes que dão agilidade às cenas, o filme consegue equilibrar o suspense e a ação, proporcionando um entretenimento direto e eficaz. Não são sequências grandiosas ou inovadoras, mas são sólidas e funcionais, exatamente o que muitos espectadores buscam em um thriller de ação.

Kerry Washington e Omar Sy formam um casal improvável à primeira vista, mas acertam o tom. Washington traz a determinação à la Scandal, equilibrada por rachaduras de vulnerabilidade; Sy usa seu carisma para humanizar um protetor potencialmente bruto. Já a equipe que dá título ao longa, a tal “Shadow Force” entra e sai de cena como meros figurantes. Mark Strong parece fazer o vilão no piloto‑automático; Method Man e Da’Vine Joy Randolph até tentam trazer um alívio cômico, e até funciona. Porém, às vezes erra o timing. É sentido a falta de um antagonista que aterrisse cada tiro com peso narrativo.

Shadow Force 2

Quando lembramos que Joe Carnahan criou “A Perseguição”, que exibiu Liam Neeson contra lobos e o existencialismo ao mesmo tempo, fica evidente o quão “light” é Shadow Force. Não por acaso surge a sensação curiosa: se fosse Neeson no lugar de Sy, talvez o público aceitasse melhor os clichês. Carnahan e o ator já têm história, e a mística “pai imbatível à beira da vingança” viria pronta. 

Shadow Force não reinventa o gênero nem alcança o vigor de outros trabalhos de Carnahan, mas assume sua vocação: entretenimento rápido, competente o suficiente para quem quer ação sem grandes reflexões. Há personalidade na relação central, bons lampejos de tensão e um ritmo que jamais descarrila. Para o espectador de sábado à tarde, ou para fãs de Kerry Washington curiosos em vê‑la fora do drama, vale a sessão. Só não espere algo que ultrapasse o raso onde o próprio filme mergulha de propósito.

Além disso, volto a pontuar que o filme deixa uma marca importante ao apresentar protagonistas negros de forma natural e central, mostrando que o espaço para essas histórias no cinema de ação é urgente e necessário, mesmo que Shadow Force não se proponha a discutir isso diretamente.

Shadow Force está em exibição nos cinemas.

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Bom 7
Nota 7
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