Supergirl (2026) propõe apresentar uma super-heroína num papel inovador e é exatamente isso que ele entrega. No longa, Kara Zor-El, interpretada por Milly Alcock, está lidando com o luto de perder seu planeta, enquanto tenta se encontrar explorando outros mundos. É nessa jornada que ela se depara com Ruthye (Evie Ridley), uma jovem de 13 anos em busca de vingança pelo assassinato de sua família.
Inspirada na HQ Mulher do Amanhã, escrita por Tom King e ilustrada pela brasileira Bilquis Evely, o roteiro é fiel o suficiente ao material original, ainda que contenha mudanças e apresenta personagens que não estavam lá, como o Lobo, de Jason Momoa.

Se vamos falar do roteiro escrito por Ana Nogueira, a verdade é que ele não é inovador. Apesar da narrativa ser consistente e mostrar um crescimento da personagem, é uma fórmula batida entre filmes de super-heróis, ou seja, não é épico como muitos podem esperar. O vilão, Krem das Colinas Amarelas (Matthias Schoenaerts), é um mercenário que dá o pontapé inicial para a trama, mas seu desenvolvimento é fraco e não apresenta ameaça ou tem motivações suficientes para ser considerado de fato alguém que Supergirl precisa derrotar.
No entanto, uma questão importante que pode ter passado batido por outros críticos na sessão de imprensa composta majoritariamente por homens, é o que essa história representa para as mulheres que vão assistir.
Em um flashback prévio à destruição total de Krypton, Alura Zor-El diz para a filha que ela deve ser boa, mas isso não significa ser fraca ou amável. E esse diálogo merece destaque porque quantas vezes, nós, mulheres, já fomos repreendidas por não encaixar nos moldes da sociedade patriarcal? Uma exigência mais que implícita de que precisamos ser fofas, solícitas, sorridentes a todo tempo para não causar desconforto nos ambientes que frequentamos.
A forma como Kara é apresentada em Supergirl explora exatamente isso. Ela não é a heroína convencional que o público está acostumado. Ela tem batalhas internas, em que Milly Alcock expressa com maestria em sua atuação, tanto nos momentos de curtição quanto nos mais emocionais; ela busca formas de escapar das dores do passado e não é sempre legal. E não precisa ser.

As lutas que ela enfrenta, de início motivada a salvar Krypto, seu cachorro, e, depois, em prol de Ruthye, os erros que ela comete e escolhe continuar lutando tornam Supergirl a melhor versão da personagem já apresentada nas telas.
A relação de Kara com Ruthye é importante para expor isso. Ainda que de início a Supergirl não tenha intenção de ajudar a menina em sua jornada de vingança, é durante a aventura que ela compreende o significado de compaixão e lutar pelas pessoas que não podem se proteger. Embora seja um filme de ficção, é um retrato do mundo atual que lida com o aumento do conservadorismo e do feminicídio, e mostra que somos nós que vamos lutar por nós mesmas e salvar umas às outras.
A conclusão do filme é forte em diferenciar a Supergirl do Superman de David Corenswet, que faz aparições breves e pontuais, mas sempre carismático, e o contraste entre eles é bastante promissor para o futuro do DCEU.
Supergirl é uma experiência que merece ser assistida no cinema, com belos visuais, cenas de lutas dinâmicas e sequência final que bebe do suco de Mad Max, ele faz jus ao símbolo de esperança estampado no peito da heroína.










