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Crítica | Superman “Que falta fazia um filme de quadrinhos…”

O Superman de James Gunn marca o retorno ao clássico universo de heróis, originalmente criado pela Warner Bros. e desfeito por ela mesma décadas depois.

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9 Muito Bom!
Superman

Em 1978, o lançamento de “Superman – O Filme” mostrou ao mundo que o homem poderia voar. A obra de Richard Donner (Os Goonies) capturou a essência dos quadrinhos dentro do audiovisual e apresentou o maior herói de todos os tempos a uma geração inteira. Nas décadas seguintes, porém, o gênero foi prejudicado pelas mãos dos engravatados e pela obsessão com a “fórmula do realismo“. Chegou a um ponto em que os filmes se tornaram meros produtos enlatados, reduzindo a fantasia a um realismo sem alma. Soa até estranho tentar aplicar essa abordagem a adaptações de quadrinhos, cuja essência reside justamente no escapismo.

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Desde a estreia de “O Homem de Aço“, o personagem sofreu um declínio terrível por uma visão que distorcia sua essência e submeter-se para algo “sombrio e realista“. No entanto, essa proposta não funcionou e causou uma ferida fatal para a imagem do herói. Mas ainda há esperança e podemos voltar a acreditar que o homem pode voar novamente.

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Bem-vindo de volta, Superman, o maior símbolo de heroísmo e otimismo. Nesta releitura criativa de James Gunn (diretor da trilogia “Guardiões da Galáxia“), acompanhamos a jornada do último filho de Krypton em sua luta para conciliar suas duas identidades: sua herança como kryptoniano e a vida humana como Clark Kent (David Corenswet), criado em Smallville, Kansas. Em um mundo que parece ter esquecido o valor da compaixão, então Superman irá enfrentar o desafio de ser o farol de esperança.

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Um mundo à beira do colapso: o cinismo, a desinformação e as guerras são as doenças que contaminaram a humanidade. No meio desse caos, o Superman tenta ser o herói que ajudará a qualquer custo. As pessoas o veem como um símbolo de esperança, alguém que as inspira a seguir em frente e a construir um amanhã melhor.  

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Superman” demonstra como Gunn amadureceu como contador de histórias. A direção do cineasta é dinâmica, e suas técnicas de câmera são um verdadeiro deleite. Seus temas não são rasos; pelo contrário, têm propósito e são muito bem construídos. Há uma clara alusão ao conflito do Oriente Médio, retratado por meio de países fictícios (Borávia e Jarhanpur).

O diretor não foge em momento algum do seu tema e o desenvolve com competência. Borávia é o típico país que propaga o discurso de que está “salvando” seu vizinho, mas, na verdade, está roubando seus territórios e matando inocentes. Já Jarhanpur vê Superman como o herói que os livrará desse pesadelo.  

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O maior destaque da obra é a performance de David Corenswet (“Twisters”). O ator brilha como Azulão e traz equilíbrio entre força e vulnerabilidade de maneira cativante. É uma atuação apaixonante. Enquanto Superman representa o otimismo, seu inimigo mortal, Lex Luthor (interpretado por Nicholas Hoult, que está excelente no papel), encarna o pior da humanidade: a ignorância e a inveja.

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O vilão odeia o kryptoniano por ser um imigrante que, em sua visão distorcida, estaria “ameaçando” tomar seu espaço. Luthor deseja ser visto como o salvador da população, mas seu egoísmo pode levar à destruição da humanidade. Entre esses dois titãs, temos a voz da verdade que é a Lois Lane (Rachel Brosnahan é maravilhosa na personagem), uma jornalista que se arrisca para buscar a informação e desafiar o perigo se for possível.

Supermané uma espécie de gibi cinematográfico, no qual Gunn conduz o espectador para uma narrativa episódica, onde vemos várias tramas e subtramas acontecendo simultaneamente que traz a sensação de ler um quadrinho, mas através de uma tela. O realizador tem imaginação suficiente para assumir a “breguice e o absurdo”, pois são esses elementos fantasiosos que trazem vida para esse universo. É uma aventura sci-fi daquelas que marcaram nossa infância.

É um triunfo para o gênero. “Superman” tem vida e cor, não tem medo de ser um filme de quadrinhos. Existe amor e dedicação no trabalho de Gunn no projeto. Superman é a gentileza e esperança em um mundo cínico, onde muitos já não acreditam na bondade. Mesmo assim, ele é bom simplesmente por ser bom sem esperar nada em troca.

Superman estreia dia 10 de julho nos cinemas com sessões antecipadas a partir de hoje.

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Superman
Muito Bom! 9
Nota 9