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Crítica: Suprema

A atriz, Felicity Jones, consegue estabelecer uma conexão única com o espectador. Não é algo baseado somente em suas falas excelentes, mas em sua postura e expressões exatas.

Wendy Stefani

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Esse está sendo um ano cheio de  representatividade nas produções cinematográfica apresentando bons títulos  e enredo de filmes que em sua maioria acabam superando muita as expectativas. Baseado em uma história verídica, o filme Suprema, vem pra fazer parte de mais um destaque do cinema na busca por igualdade de gênero e empoderamento feminino!

A naturalização dos papéis impostos socialmente e reproduzidos em obras audiovisuais e literárias está sendo combatido e colocado como um sistema arcaico, o que de fato é. E com todos esses avanços e a esperteza dos diretores e criadores dos filmes em perceber que existe um grande público feminino e que é necessário uma nova visão e inclusão nesse meio, é natural notar uma nova atmosfera e perspectiva na representatividade cultural.

Suprema é inspirado na família Ginsburg, particularmente na vida de Ruth Bader Ginsburg e sobre sua luta como advogada no século XX e seu esforços pela busca de direitos iguais entre homens e mulheres.


Juíza da Suprema Corte dos Estados Unidos Ruth Bader Ginsburg na Califórnia .

O roteiro foi escrito por nada menos que seu próprio sobrinho, o roteirista Daniel Stiepleman (com participação da Juíza) e direção por Mimi Leder. A trama percorre a história da Juíza antes dela se torna a primeira mulher a fazer parte da Suprema Corte Americana. No elenco também são apresentados seu marido Marty (Armie Hammer, que se destacou no filme “Call Me By Your Name“) e seus filhos.  

O longa acompanha a trajetória da jovem advogada Ruth, interpretada por Felicity Jones, que junto com seu marido Marty, irão buscar a abolição da desigualdade do gênero presente nas leis dos EUA. Como consequência, Ruth acaba se tornado um ícone ao derrubar um século de discriminação de gênero.

O filme já inicia com uma atmosfera totalmente masculina, com explícita segmentação fundamentada nos gêneros, enfatizando a realidade da época: o mundo era construído e destinado somente aos homens.

Os momentos na universidades são marcante por mostrar que esse ambiente era reservado para uma determinada elite, ou seja, homens, heterossexuais e brancos. Mesmo com uma “suposta” ação em promover uma reforma dos costumes com a introdução das mulheres e negros no ramo educacional, os pensamentos eram quase audíveis na afirmação constante de que eles não eram bem-vindos.

São mostrados dificuldades de Ruth como mulher em uma sala de aula comprometida com homens. Serão visualizados muitas questões como Manterrupting, quando um homem interrompe constantemente uma mulher, de maneira desnecessária, não permitindo que ela consiga concluir sua frase. Além disso veremos algumas situações envolvendo Gaslighting, Mansplaining.

Uma das cenas marcantes no filme, que aliás foi adianta nos trailers, é quando o reitor oferece um jantar de boas vindas para todos alunos e alunas. O que parece algo bom e memorável, torna-se quase revoltante quando o reitor questiona essas mulheres à explicarem o motivo de estarem ocupando uma vaga que poderia ser de um homem.

Obviamente o filme não é isento de problemas, Ruth terá que enfrentar muitos conflitos com relação a família e a busca por seus sonhos. Além disso, existe um contraste enorme na caminhada dela por reconhecimento e posição no mercado de trabalho e de Marty que também se forma como advogado e  tem o patriarcado à seu favor.

Uma segunda cena forte no filme está relacionada com a instabilidade de Ruth em conseguir uma inserção no mercado de trabalho. Nesse momento parece que ela está correndo atrás de uma situação nunca alcançável e que embora seja tão adequada e qualificada como qualquer homem, é colocada como não sendo capaz de cumprir com as exigências do modelo de sociedade do momento. É um soco no estômago.

Com relação ao restante da família Ginsburg , embora o elenco gire principalmente em torno dela, seu marido tem presença cruciais em muitas cenas e é mostrado como um grande companheiro e persuasivo nas buscas e sonhos de Ruth. Sua filha é apresentada como uma adolescente além do seu tempo, influenciada fortemente pelo contexto da época e os pensamentos revolucionados dos pais.

A atriz, Felicity Jones, consegue estabelecer uma conexão única com o espectador. Não é algo baseado somente em suas falas excelentes, mas em sua postura e expressões exatas. A sensação é que Felicity mergulhou no papel e se tornou a verdadeira Ruth. Todas suas cenas são excepcionais e fortes e diversas delas você pode acabar tendo que controlar o turbilhão de emoções que são geradas.

Parece que o diretor teve a proposta de focar mais na trajetória de Ruth, pois alguns personagens acabam ficando sem muito foco na narrativa. Atores como Justin Paul Theroux, também roteirista e cineasta, por exemplo,  são mostrados no decorrer do filme com cenas fragmentadas e sem muita relevância. A verdade é que não tem como se aprofundar em todo um contexto quando se tem um tempo limitado e uma história incrível pra contar.


A história da luta feminina no Brasil é longa e vem desde a Idade Média, com a caça às bruxas e a perseguição a todas mulheres que se opusessem ao patriarcado. Esse filme é cheio de cenas inspiradoras e reflexões sobre a caminhadas  de muitas mulheres e suas lutas pela busca da liberdade, delas e dos outros, tão impactante na estrutural social que atravessou séculos e transformou histórias. Todos precisam assistir!

Sua estréia nos cinemas está prevista para o dia 14 de março!



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