Se você foi uma criança que, assim como eu, cresceu com Toy Story, esse filme vai te pegar de jeito. 7 anos anos após a última jornada dos nossos brinquedos favoritos, que pode ter deixado um gosto amargo pela separação de Woody e Buzz, Toy Story 5 vem para provar que o que faz a franquia ser tão memorável e querida ainda está lá, e isto é: uma história com substância.
O roteiro de Toy Story 5 oficializa Jessie, nossa querida vaqueira, como protagonista e no papel de líder após receber a estrela de Xerife de Woody. Apresentada pela primeira vez em Toy Story 2 (1999), Jessie chegou trazendo carga emocional por não saber lidar com o abandono e sua humana crescendo. Após passar por Andy e voltar a brincar, agora ela é a favorita de Bonnie, mas seu medo ressurge ao se deparar com a maior vilã da infância – a tecnologia.

Toy Story 5 apresenta uma abordagem atual para como as crianças usam seus brinquedos e os descartam perante às telas, tão presentes no dia a dia que se tornam uma ameaça à infância. E é pensando nisso que o filme experimenta uma nova forma de exibir a criatividade das crianças na animação e funciona muito bem.
Na animação, Bonnie é uma criança introvertida e com dificuldade de socialização justamente por ser a única que ainda brinca de verdade, enquanto todas as crianças do bairro tem sua atenção tomada pelos eletrônicos. Como forma de tentar enturmá-la, os pais de Bonnie dão de presente a LilyPad, um tablet de alta tecnologia dublado pela Maisa – e que tem vida própria.
LilyPad torna uma antagonista de Jessie. Enquanto a vaqueira quer fazer de tudo para achar amigas de verdade para Bonnie, o tablet se esforça para fazê-la subir de nível nos jogos online compartilhados pelas amigas do balé. É nessa intenção que Jessie se esconde na mala de Bonnie para acompanhá-la em sua primeira festa do pijama e tem sua tentativa frustrada quando uma senhora acha a boneca na calçada e a envia para o endereço em sua calça – exceto que esse endereço não é de Bonnie.
Com Jessie perdida, Woody retorna para o quarto de Bonnie por acreditar que a vaqueira precisa de ajuda, enquanto temos Buzz ansioso para fazer um pedido importante para ela, e os dois disputam pelo posto de Xerife dos brinquedos numa clássica implicância que vem desde o primeiro filme, parte essencial da amizade entre eles e uma dinâmica que amamos ver.

A história apresenta novos personagens de diferentes eras do desenvolvimento da tecnologia, como o Amigo Rolinho (um dispotivo que ensina crianças a usarem o banheiro) e Clique, uma câmera digital, e ambos desempenham um papel importante na jornada de Jessie para aceitar que o mundo mudou, mas ainda é possível coexistir e ser autêntico. E ajudam a conectar Bonnie com a nova personagem Blaze, que também tem dificuldade em se enturmar e, o mais importante, ainda sabe brincar.
Com um exército de Buzz Lightyears, Toy Story 5 brinca com o presente e a nostalgia, introduzindo a tecnologia de forma inevitável, enquanto relembra momentos importântes das jornadas desses brinquedos, colocadas de forma sutil na trama e aqueles que cresceram com eles com certeza irão captar e se divertir. Entre risadas e lágrimas, a animação ressucita o sentimento de pertencimento e amizade de forma belíssima.
Toy Story 5 é um filme para todas as idades, mas principalmente para as crianças perceberem que, ainda que a tecnologia seja parte da vivência atual, brincar e ser criança é a melhor parte da infância.










