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Crítica – Turma da Mônica: Laços “Um filme adorável”

O grande mérito desta adaptação é respeitar as personalidades de cada um dos integrantes da “turma” em si.

Pedro Guedes

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Transformar um desenho em live-action sempre é uma tarefa complicadíssima, não é à toa que as adaptações de quadrinhos levaram tanto tempo para finalmente emplacar em Hollywood (estou me referindo à onda que vivemos hoje, não a sucessos isolados como o Superman de Richard Donner, o Batman de Tim Burton ou mesmo a série do Incrível Hulk).

Por que digo isso? Porque os quadrinhos e as animações permitem que seus realizadores extrapolem mais na hora de conceber os personagens como formas caricatas – e isso se perde quando aqueles traços cartunescos são substituídos por atores em carne-e-osso (é justamente por isso, inclusive, que algumas das refilmagens recentes da Disney são vistas com um pouco de desconfiança).

No caso da Turma da Mônica, então, é ainda mais difícil, pois o estilo de Mauricio de Sousa é algo que não só faz parte da autoria do quadrinista como ainda está muito bem fixado na memória de todos os brasileiros. Sim, todos nós que moramos em solo tupiniquim conhecemos Mônica, Cebolinha, Magali, Cascão, Chico Bento, Bidu, Papa-Capim, o Astronauta da maneira exata como o criador os concebeu há décadas atrás.

E a boa notícia é que, na ânsia de transformar a obra do genial Mauricio de Sousa em live-action, a produção de Turma da Mônica: Laços fez questão de entregar o projeto nas mãos de um cineasta que já se provou talentoso: Daniel Rezende, que, depois de construir uma carreira invejável como montador, estreou como diretor no ótimo Bingo: O Rei das Manhãs (que, vale lembrar, representou o Brasil na corrida pelo Oscar de filme estrangeiro no ano retrasado).

Baseado diretamente na graphic novel homônima que Vitor e Lu Cafaggi criaram como parte da coleção Graphic MSP (e que, confesso, não li), Turma da Mônica: Laços gira em torno do sumiço de Floquinho, o cachorro verde de Cebolinha. Quando todos se comovem diante do sofrimento do menino, seus amigos Cascão, Mônica e Magali se oferecem para ajudá-lo na busca. A partir daí, o quarteto parte em direção à floresta proibida e se colocam em risco iminente, já que qualquer ameaça (provavelmente oferecida por um adulto) pode machucar as crianças – e isto, por consequência, leva a população da cidade inteira a ficar preocupada com a turma.

O primeiro acerto do filme consiste em não tentar ancorar a história e o estilo de Mauricio de Sousa em um “realismo” que, convenhamos, soaria cínico e dispensável: para começo de conversa, o roteiro envolve um cachorro verde e uma mulher chamada “Dona Cebola”! Não dá para fingir que isto se passa no mundo real.

Assim, a direção de arte e os figurinos abraçam de vez as cores e as composições exageradas que fazem parte do universo dos quadrinhos, desde os dentes da Mônica até os cinco tufos de cabelo que explicam o motivo de Cebolinha se chamar Cebolinha, passando também pelo guarda-roupa da personagem-título (que conta basicamente com um monte de vestidos vermelhos idênticos), pelas casas que jamais repetem as cores umas das outras e, claro, pelo fato de Floquinho ser realmente verde.

E o mais admirável é que o roteiro de Thiago Dottori e a direção de Daniel Rezende fazem questão de levar a sério até mesmo estas composições caricatas, o que é fundamental para o sucesso do filme, já que tudo aquilo que é mostrado em tela é emocionalmente importante não só para os personagens, mas para o próprio espectador – e isto é reconhecido pela fotografia (carreada de cores quentes, sentimentais e nostálgicas) e pela própria maneira como Rezende filma alguns momentos que são icônicos por natureza (como, por exemplo, o primeiro instante em que vemos Mônica em cena).

Como se não bastasse, a dinâmica entre as crianças é sempre eficiente, deixando claro o quanto aqueles meninos sentem o peso de algo que pode ter magoado alguém e estão dispostos a lutar as causas uns dos outros.

Além disso, é difícil não admirar o desempenho dos quatro atores principais – e dirigir crianças costuma ser um desafio para qualquer cineasta, mas parece que Daniel Rezende deu conta do recado até mesmo nisso: Giulia Benite revela-se uma promessa imediata, já que sabe retratar não só a força sempre notável de Mônica, mas também os sentimentos que, sim, são determinantes para a personagem-título; Kevin Vechiatto vive Cebolinha como um moleque espirituoso e entusiasmado, mas que precisa aprender a conter um ego que frequentemente o leva a tomar decisões erradas; Gabriel Moreira encarna com precisão a lealdade que Cascão tem por seus amigos (e, como não poderia deixar de ser, o medo que sente quando se vê diante de uma única gota de água); e Laura Rauseo garante algumas boas risadas ao interpretar a comilona Magali, que deve aprender a conter sua famosa obsessão por melancias.

Não que o filme seja perfeito: embora se chame Turma da Mônica: Laços, o protagonismo da história é claramente voltado ao Cebolinha, o que, a princípio, me incomodou um pouco – isto sem contar que alguns elementos tradicionais dos quadrinhos (como o fato de Cebolinha sempre trocar o “r” pelo “l” em suas falas) demoraram para me convencer em suas versões live-action.

Em compensação, o grande mérito desta adaptação é respeitar as personalidades de cada um dos integrantes da “turma” em si, que, agora transformados em quatro crianças em carne-e-osso, continuam tão adoráveis quanto aqueles que nos acostumamos a acompanhar – e a gostar – nos quadrinhos.

Turma da Mônica: Laços esta em exibição nos cinemas.

Pedro Guedes gentilmente escreveu a crítica do filme para a Cabana do Leitor, veja o video da sua critica no Youtube:

Turma da Mônica: Laços

8

Nota

8.0/10

Pros

  • Consegue traduzir a essência cartunesca dos quadrinhos para o live-action
  • Transmite afeto tanto na direção quanto na interação entre as crianças
  • Faz questão de levar a sério até mesmo o que tem de mais caricatural, não soando ridículo em momento algum

Cons

  • O protagonismo não é muito bem definido
  • Tem uma ou outra tradição dos quadrinhos que demora a funcionar
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“Mulher-Maravilha 84 é uma bagunça” NÃO!, não acreditem em fake news

Não é verdade!

Edi

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O site We Got This Covered publicou ontem uma noticia a respeito do filme Mulher-Maravilha 1984, dizendo que uma pessoa o viu em exibição teste e disse que ele é uma “bagunça”.

O site americano We Got This Covered publicou a seguinte noticia “testes recentes fizeram com que os participantes descrevessem a sequência como excessivamente pateta e excêntrica e, embora a Warner Bros. tenha tempo suficiente para ajustar e potencialmente refazer…”

Falando com alguém que era um grande fã da Mulher Maravilha , classificando-o como um dos melhores filmes de super-heróis de todos os tempos, fomos informados de que a Mulher Maravilha 1984 simplesmente não faz jus ao original. O indivíduo com quem conversamos aparentemente compareceu à mais recente triagem de teste e disse que, embora as cenas visuais e de ação sejam uma melhoria no primeiro filme, o resto do filme “simplesmente não funciona”. A história geral sobre Maxwell Lord usando um desejo “parece algo do desenho animado de uma criança” e, aparentemente, o retorno de Steve Trevor não faz muito sentido, e isso não é ajudado por um roteiro muito brando.”

Estamos falando de uma noticia com fonte anônima (como todas as noticias deste site que tem muitas fontes anônimas em todos os estúdios dos Estados Unidos). Porém vale aqui uma observação, nenhum site de nome nos Estados Unidos ou fora dele repercutem o que o site We Got This Covered escreve, deve haver um motivo… Este site é conhecido como propagador de fake news de cultura pop. Simplesmente são sempre informações incríveis que nenhum outro grande site americano tem acesso, somente ele.

Enquanto revistas conceituadas como Variety, THR, EW e etc… dão furos de noticias pelo menos uma vez por semana (e mesmo assim nem todas são muito relevantes), o We Got This Covered oferece um bomba a cada 2 dias com fontes sempre anônimas.

Desconfiem de noticias deste site e simplesmente filtrem bastante as noticias advindas dele.

Turma da Mônica: Laços

8

Nota

8.0/10

Pros

  • Consegue traduzir a essência cartunesca dos quadrinhos para o live-action
  • Transmite afeto tanto na direção quanto na interação entre as crianças
  • Faz questão de levar a sério até mesmo o que tem de mais caricatural, não soando ridículo em momento algum

Cons

  • O protagonismo não é muito bem definido
  • Tem uma ou outra tradição dos quadrinhos que demora a funcionar
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Shazam 2 finalmente ganha data de lançamento para 2022.

Finalmente temos uma data no horizonte

Daiane de Mário

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Alguns fãs ficaram decepcionados nesta semana, quando a DC e a Warner Bros. anunciaram datas de lançamento de alguns filmes, mas a sequência de Shazam! não estava em lugar nenhum. O filme estrelado por Zachary Levi conquistou os corações dos críticos e do público que o assistiram, mas não incendiou completamente as bilheterias. Ainda assim, com base em sua calorosa recepção e no anúncio do filme de Adão Negro, Shazam! 2 parecia uma coisa certa. .

Na quinta-feira (12) surgiram notícias de que o Shazam! 2 recebeu uma data de lançamento da Warner Bros. 1º de abril de 2022.

Como Levi sugeriu no início do ano, uma sequência do Shazam teria que entrar em produção mais cedo ou mais tarde, principalmente porque seus colegas de elenco são crianças e adolescentes. Se a sequência pretende utilizar os personagens jovens, será necessário se mexer antes que eles cresçam demais.

“Se não gravarmos outro filme muito rápido, eles serão homens”, disse Levi sobre seus colegas de elenco Asher Angel e Jack Dylan Grazer (Freddy Freeman). “Não há sentido em dizer ‘Shazam’ para transformar, eles ‘ já está transformado! Então é tudo o que posso dizer sobre a sequência, mas estou muito empolgado em participar, e espero que todos gostem quando o fizermos. ”

Com esta nova data de lançamento, Shazam 2 chegará aos cinemas cerca de três meses e meio após o filme de Adão Negro, com Dwayne “The Rock” Johnson como o anti-herói que também é o rival de Shazam. Adão Negro chega aos cinemas em 22 de dezembro de 2021.

Ainda não há previsão do início das filmagens.

Turma da Mônica: Laços

8

Nota

8.0/10

Pros

  • Consegue traduzir a essência cartunesca dos quadrinhos para o live-action
  • Transmite afeto tanto na direção quanto na interação entre as crianças
  • Faz questão de levar a sério até mesmo o que tem de mais caricatural, não soando ridículo em momento algum

Cons

  • O protagonismo não é muito bem definido
  • Tem uma ou outra tradição dos quadrinhos que demora a funcionar
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Criadores de ‘Game of Thrones’ desenvolvem filme para a DC Comics

Baseado nos quadrinhos da Vertigo, Lovecraft narra a vida do autor HP Lovecraft.

Edi

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Baseado nos quadrinhos de 2004 da Vertigo da DC Comics, Lovecraft  narra a vida do autor HP Lovecraft, mais conhecido por criar a entidade cósmica de Cthulhu. 

O projeto, atualmente sem título, será produzido pelos criadores de Game of Thrones que recentemente deixaram Star Wars. De acordo com Deadline, que informou pela primeira vez sobre o projeto Lovecraft , a dupla está de olho no projeto da DC desde que começaram a trabalhar em Game of Thrones. Agora que eles têm um pouco de tempo livre, a dupla de Game of Thrones quer direcionar sua energia para isso.

A história em quadrinhos de Lovecraft , escrita por Keith Giffen, imaginava um mundo em que os monstros de HP Lovecraft eram reais e Lovecraft era quem os documentava. O filme será ambientado na década de 1920 e mostrará como Lovecraft encontra Cthulhu. Atualmente, ainda não se sabe se a dupla de Game of Thrones estará dirigindo o filme, apesar de terem encontrado escritores para dar vida aos quadrinhos da DC.

Lovecraft está programado para ser escrito por Phil Hay e Matt Manfredi, que escreveram anteriormente The InvitationO diretor, Karyn Kusama, se juntará à dupla de Game of Thrones para  produzir Lovecraft para a DC. Mais detalhes sobre Lovecraft são escassos. A dupla, que recentemente ganhou um Emmy pela oitava temporada de Game of Thrones, se estabeleceu na Netflix, então é seguro dizer que eles estarão bastante ocupados pelos próximos anos.

Não há data de lançamento ou diretor atualmente vinculado a Lovecraft, da DC.

Turma da Mônica: Laços

8

Nota

8.0/10

Pros

  • Consegue traduzir a essência cartunesca dos quadrinhos para o live-action
  • Transmite afeto tanto na direção quanto na interação entre as crianças
  • Faz questão de levar a sério até mesmo o que tem de mais caricatural, não soando ridículo em momento algum

Cons

  • O protagonismo não é muito bem definido
  • Tem uma ou outra tradição dos quadrinhos que demora a funcionar
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