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Crítica – Vingadores: Ultimato “Nunca foi visto nada igual no cinema”

Vingadores: Ultimato tem as cenas mais espetaculares que um filme do gênero foi capaz de apresentar até hoje.

Kdoo Spiller

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Os fãs dos quadrinhos foram brindados na última década  com a construção de um universo iluminado e bem-humorado de heróis que, de pouco a pouco (ou filme a filme), foi conquistando uma legião de fãs por meio de personagens carismáticos, aventuras (nem sempre) divertidas e uma mitologia fácil de ser assimilada. Essa é a Marvel, que até um tempo atrás estava restrita aos fãs mais fiéis dos quadrinhos, aqueles que sabiam do poder empático que as criações de Stan Lee e Jack Kirby (em sua maioria) proporcionavam.

E Vingadores: Ultimato vem para não só coroar esse “reinado” como também entregar o ápice dessa experiência nos cinemas. E para aqueles que tinham uma pontinha de dúvida: SIM, o novo longa dos Irmãos Russo não só entrega com louvor o que prometia como nos apresenta uma trama nostálgica, emocionante e épica, no sentido literal da palavra.

Subvertendo o que fizeram em Guerra Infinita, os roteiristas Stephen McFeely e Christopher Markus passam a focar nas consequências das ações vistas no longa anterior, centralizando suas forças nos personagens que deram origem à primeira formação de Vingadores.  Derrotados, a equipe junta suas últimas forças numa investida final contra Thanos (Josh Brolin, mais vilanesco que antes) mas, entretanto, um ato do vilão coloca os heróis em mais uma aura de fracasso. Eis que uma ínfima chance de restaurar a ordem no universo surge com a chegada de Scott Lang (Paul Rudd) do Reino Quântico, movimentando mais uma vez os heróis sobreviventes. Formando-se em pequenos times, eles terão a oportunidade de reverter o estrago feito pelo titã… custe o que custar.

Aqui, a direção brilha ao equilibrar de forma quase harmoniosa as ações da história, localizadas em diversos pontos já visitados em outras produções do estúdio. Não é fácil desenvolver algo coeso com inúmeros plots sendo expostos simultaneamente na trama, entretanto os Russo se mostram novamente capazes do feito,  entregando cenas enérgicas do começo ao fim.

E como toda boa homenagem pede, a chamada velha guarda ganha destaque mais que merecido no filme. Ignorado em Guerra Infinita, o Gavião Arqueiro (Jeremy Renner) surge aqui com mais ferocidade, mais atitude do que nas aventuras anteriores, refletindo fisicamente o sentimento daquele mundo em que vive atualmente. Viúva Negra (Scarlett Johansson) pouco tem o que fazer, mas sua trajetória se faz primordial pro sucesso dos heróis, assim como Hulk (Mark Ruffalo), que serviu muitas vezes como um ponto de fuga cômico – mas equilibrado e coeso – ao longo da jornada.

Entretanto, o grande destaque vai para a dupla Tony Stark (Robert Downey Jr) e Steve Rogers (Chris Evans). Enquanto que o primeiro enfrenta o dilema de ser ou não verdadeiramente um herói – algo que permeia o personagem desde a sua origem – o segundo enxerga na tentativa mínima de sucesso a esperança de, enfim, seguir em frente. Juntos, o Homem de Ferro e o Capitão América demonstram uma força que magnetiza o espectador toda a vez em que surgem na tela.

Outros personagens que permeiam os Vingadores originais também tem seus momentos: Nebulosa (Karen Gillan) surpreendentemente se valoriza durante sua passagem na trama, sendo fundamental em pontos-chave específicos. Já a Capitã Marvel (Brie Larson), ao contrário, pouco se faz presente, apesar de que quando chamada à batalha, a heroína mostra o porquê é uma dos seres mais poderosos deste universo.

No mais, o que temos para o nosso deleite – principalmente no terceiro ato do filme – são as cenas mais espetaculares que um filme do gênero foi capaz de apresentar até hoje. Parecia que as ilustrações de mestres como George Perez ganhavam vida, com inúmeros heróis e vilões lutando literalmente pela sobrevivência / destruição da Terra. É o sonho de todo aquele que, ao menos uma vez na vida, se sentiu imerso nas histórias grandiloquentes dos quadrinhos. É impactante, épico e que com certeza fará o público vibrar. A trilha sonora, mais uma vez conduzida com maestria pelo veterano Alan Silvestri, prossegue com o seu trabalho de a todo momento enfatizar o lado épico que a trama exige mas, ao mesmo tempo, se demonstra sensível ao externar a emoção em alguns momentos.

Caso exista um ‘porém’ em Ultimato, talvez seja no arco centralizado em Thor (Chris Hemsworth), que em alguns poucos momentos destoa do tom geral do longa, caindo um pouco no humor mais fácil. Entretanto, basta colocarem o Deus do Trovão no meio do combate para ele revelar o seu melhor lado, compensando o deslize. Alguns podem reclamar da duração do longa, mas esta se faz necessária uma vez que situações e destinos são selados na trama… e definitivamente, ao que tudo indica. A sensação é de que tudo o que foi visto nesses 11 anos se encerra aqui e que o filme prepara o espectador a isto, de maneira suave e intuitiva.

Em suma, Vingadores: Ultimato é sem dúvidas o filme mais ambicioso já visto na história da Marvel. Cada segundo na tela vale a pena ser desfrutado e com momentos em que o público será levado à catarse, sem dúvidas. Ao mesmo tempo, ele se mostra como uma passagem de tocha, o encerramento de um ciclo… Mas sem lamentos ou tristezas. Ele se provém da nostalgia e do carisma de seus personagens para entregar uma experiência única. É uma celebração de universo que, acreditem, tem muito mais a ser explorado.

Novo filme da Marvel estreia nesta quinta (25) nos cinemas.

Vingadores: Ultimato

9.8

Nota

9.8/10

Pros

  • Cenas de ação espetaculares
  • Foco nos Vingadores originais
  • Nostalgia e celebração do Universo da Marvel no cinema

Cons

  • Longa duração do filme
  • Algumas cenas desnecessárias do Thor
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