Maturidade e diversão são os pilares que definem a experiência surpreendente de Zootopia 2. A obra se revela uma sequência corajosa e uma verdadeira explosão de cores, que merece ser vista na maior tela possível, preferencialmente em IMAX. Após alguns lançamentos questionáveis nos últimos anos, a Disney finalmente acerta a mão em uma continuação que justifica sua existência.
Na trama, os parceiros inseparáveis Judy Hopps (Ginnifer Goodwin) e Nick Wilde (Jason Bateman) investigam o misterioso caso de um réptil chamado Gary D’Cobra (Ke Huy Quan). Ele é acusado de roubar um item crucial para a cidade, mas esse evento é apenas o estopim para revelar segredos ocultos da grande metrópole.

É impressionante como o longa cresce como uma bola de neve, tratando seus temas com sinceridade e uma leveza gentil, ao mesmo tempo em que apresenta uma belíssima história social sobre o apagamento histórico de imigrantes.
Você não leu errado: Zootopia 2 aborda a negação das contribuições feitas pelos oprimidos, aqui representados pelos répteis. O roteiro expõe como o elitismo se apropria de grupos marginalizados para usurpar seu espaço e apagar sua imagem.
Não chega a ser uma surpresa, visto que o antecessor já retratava a luta contra o preconceito, mas a produção não esconde sua mensagem; pelo contrário, ela é clara e firme. A família Lynxley, composta por felinos, representa a nobreza que cresceu às custas dessa opressão, enquanto Gary luta para provar que sua espécie não é composta pelos monstros que a sociedade pintou injustamente.

As analogias são visíveis e poderosas, traçando paralelos com a realidade de minorias que dão o sangue para construir uma nação, mas são recompensadas com rejeição. O texto ganha ainda mais eficácia e peso dramático quando descobrimos que a própria cidade de Zootopia foi construída sobre os alicerces de uma espécie que hoje é cegamente odiada pela população.
Além da crítica social, temos um desenvolvimento notável na relação entre Judy e Nick. A dinâmica é tratada de forma madura: eles são diferentes, mas se completam. O filme acerta ao mostrar que, apesar da química, eles possuem falhas de comunicação e precisam trabalhar o lado psicológico, tanto que a dupla participa de cenas hilárias que funcionam como uma espécie de terapia de casal.

Isso nos leva a outro ponto alto: o humor. O longa transborda alegria e, apesar dos temas densos, mantém um grande otimismo sobre a construção de um futuro com todas as raças unidas. É um alívio ver a Disney recuperar sua veia cômica, fugindo do timing ruim e das fórmulas repetitivas de produções recentes. A direção de Jared Bush (Encanto) e Byron Howard é dinâmica, utilizando planos criativos e explorando arquétipos do gênero policial com maestria, incluindo até uma divertida homenagem ao clássico O Iluminado.
Demorou quase uma década para Zootopia 2 chegar aos cinemas, mas o resultado é lindo. O longa consegue a façanha de superar seu antecessor em vários elementos, entregando uma aventura policial emocionante sem perder sua identidade. Que venham mais missões para Judy e Nick.

