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Livros

‘A Culpa é das Estrelas’ é proibido em escola na Califórnia, John Green responde

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Autor John Green respondeu a notícia de que seu mais recente romance foi proibido em uma escola secundária do sul da Califórnia.

No início desta semana, “Comite de Pais” do Distrito Escolar Unificado Riverside votou para tirar o livro A Culpa é das Estrelas da escola Frank Augustus Miller Middle School.

A votação foi convocada quando um dos pais do ensino médio expressou preocupação sobre o conteúdo do livro. Suas preocupações? De acordo com um jornal local , “o assunto envolve adolescentes que morrem de câncer que usam linguagem crua e fazem sexo.”

Uma mãe disse, “Eu só não acho que era apropriado para idades 11-, 12 e 13 anos lerem. Mas fiquei realmente chocada com isso pois é uma escola do ensino médio “.

A comissão votou 6-1 para tirar o livro da prateleira da biblioteca do ensino médio.

Um dos membros da comissão que votaram a favor da proibição, “É muito difícil para uma criança de 11 anos de idade ou 12 anos a ler este tipo de livro. “

Com a notícia fazendo o seu caminho em toda a internet na quinta-feira, Green respondeu a uma pergunta sobre a recente proibição em seu Tumblr de uma forma muito fashion. “Eu acho que eu estou muito feliz e triste”, disse ele, “eu estou feliz porque as pessoas aparentemente jovens em Riverside, California nunca vão testemunhar a terrível experiência, uma vez que não vão ler o meu livro, o que é ótimo para eles.

“Mas eu também estou triste porque eu estava realmente esperando que eu seria capaz de introduzir a ideia de que os seres humanos morrem até mesmo para as crianças de Riverside, Califórnia e, assim, acabar com seus sonhos de imortalidade.”

Como os leitores do livro sabem, o sexo no romance é apenas levemente tratado durante a história. Eu suspeito que esses pais não leram o livro.

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Resenha

Árvore dos Desejos

Fábula narra sobre a amizade ser o maior desejo da vida humana; desejo que nem sempre é compreendido e muito menos revelado.

Rodrigo Roddick

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O que é desejo? O desejo é o assunto que dá título à narrativa, mas ele muitas vezes fica subliminar quando a protagonista, que é uma árvore, está contando sua história. Árvore dos Desejos nos lembra que a vida está presente em vários elementos da natureza, não apenas em nós humanos.

“É uma tremenda dádiva amar ser quem você é”

Árvore dos Desejos é uma fábula romanceada escrita por Katherine Applegate e publicada no Brasil pela editora Intrínseca. Ela compôs a caixa comemorativa de 2 anos do Clube Intrínsecos e vai ser publicada oficialmente em 27 de outubro deste ano. Não é à toa que a edição está muito bem feita; com capa dura de efeito brilhante e excelente diagramação com ilustrações.

Apesar do foco ser nos desejos, o livro fala sobre amizade. Red, um carvalho centenário, é a Árvore dos Desejos amiga de uma corvo chamada Bongô. Sua amiga é fiel a ela e fica o tempo inteiro tentando ajudar Red em suas peripécias. Red é alvo de uma tradição dos humanos, que atam fitinhas e papéis com pedidos aos seus galhos na esperança que eles se realizem.

Red escuta pacientemente os pedidos dos seres humanos durante seus mais de duzentos anos de vida sem se intrometer nas deles, mas um dos desejos a faz violar uma das regras mais importantes e sagradas das árvores: nunca fale com um ser humano.

A fábula é narrada em primeira pessoa por Red, conferindo ao interlocutor outra visão sobre o que é ser uma árvore: ter muito tempo de vida, mas estar sujeita às ações animais. Esta escolha da autora é primordial para que o leitor se sinta na pele dela e compreenda como a humanidade é agressiva com a natureza, principalmente com as árvores.

Red, no entanto, não demonstra raiva nem rancor para com a humanidade. Ela é sábia, vive em harmonia, mas também tem traços ingênuos em alguns momentos. Por isso que a amizade com Bongô, a corvo, é muito bom pra ela, uma vez que a ave é bastante esperta e livra a amiga de apuros.

A árvore diz o tempo inteiro que não é boa piadista, mas que sabe contar boas histórias, porém é impossível não perceber a maior piada que a história dela nos revela. Red é uma árvore; árvore tem vida, e o leitor está lendo um livro em papel, que é feito do cadáver de uma árvore. Inclusive, tem uma passagem que ela chega a mencionar isso.

“Na verdade, eu poderia até ser um livro”

Não é uma piada para rir, porém. É bem triste. Mas a sutileza de Katherine é tamanha que, mesmo envergonhados em lermos sobre um cadáver da árvore, conseguimos avançar na leitura.

O bom humor de Red ajuda o leitor a desenvolver empatia pela árvore. Mesmo ela não contando boas piadas, ela acaba dizendo algumas coisas engraçadas, se não fossem tristes.

A fábula se foca principalmente no desejo e na amizade porque este é o maior desejo de Red: ser amiga da humanidade, devolvê-la à comunhão natural. Esse desejo não é revelado, mas dá pra perceber no modo como ela encara a vida ao seu redor.

“Ah, quanta coisa eu queria poder dizer àqueles dois. Queria dizer que a amizade não tem que ser complicada. Que às vezes nós é que permitimos que o mundo a transforme em uma coisa difícil”

Além dessa perspectiva, Árvore dos Desejos também funciona como uma metáfora do planeta Terra. Red comenta sobre os moradores de seus ocos; os gambás, as corujas, o corvo, os guaxinins e outro animais; quando ela é ameaçada em ser cortada, eles se unem para protegê-la.

O ser humano mora em uma árvore. Uma árvore gigantesca chamada Terra. Ela está sendo cortada a cada dia que passa. Nós vamos protegê-la? Ou a deixaremos morrer?

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Resenha

João e Maria

Livro: o prestigiado Neil Gaiman e o incrível Lorenzo Mattotti se encontram para recontar um clássico.

Mylla Martins de Lima

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João e Maria é uma adaptação de um dos contos dos Irmãos Grimm feita por Neil Gaiman e ilustrada por Lorenzo Mattotti. O livro foi trazido para o Brasil através da editora Intrínseca em 2015.

Embora todos conheçam a história, revisitá-la vale muito a pena, pois um olhar menos infantil acaba tornando tudo mais chocante. As ilustrações de Lorenzo fazem com que essa experiência seja ainda mais tensa, enquanto a escrita de Gaiman apresenta toques pessoais muito sutis.

Não houve mudanças extremas durante a narrativa e o clássico só ganhou olhares mais maduros, sem interferir na personalidade dos personagens. O foco é na crueldade dos pais e da ”bruxa”, que sofre uma repaginada e é apresentada em uma versão mais realista, sem muita fantasia e misticismo, como uma senhora canibal e exploradora. Reler desse ponto de vista é realmente perturbador.

“As crianças dormiam em montes de feno. Os pais, em uma cama antiga que pertencera à avó do lenhador. João acordou no meio da noite com uma dor aguda e vazia na barriga, mas não disse nada, porque sabia que tinha pouca coisa para comer. Ele manteve os olhos fechados e tentou voltar a dormir. Quando dormia, não sentia fome”

Um lenhador e sua esposa com dois filhos vivem em uma cabana muito próxima à floresta. Apesar do estilo de vida humilde, sem qualquer tipo de luxo e muito trabalho braçal do homem, a comida nunca faltou. Foi quando a guerra se instaurou no local que veio a escassez, e com ela, a fome.

João foi quem ouviu os planos da mãe de ”esquecê-los” na floresta, pois seria mais fácil sobreviver dois que quatro. Essa é uma das cenas enfatizadas por Gaiman. Apesar de contestar de primeira, o pai logo se cala, mostrando-se submisso à loucura da mulher, levando seus filhos para um ”passeio” assim que acordaram.

”Somos quatro — disse a mãe. — Quatro bocas para alimentar. Se continuarmos assim, vamos todos morrer. Sem as bocas a mais, eu e você teremos chance.

[…] — Se você não comer —  respondeu a mulher — , não vai conseguir brandir o machado. E, se não conseguir cortar uma árvore ou levar lenha para a cidade, todos morreremos de fome. É melhor morrerem dois do que quatro. É só questão de matemática, uma questão de lógica”

O final desse conto todos já devem saber, mas o desenrolar dela pelas palavras de Gaiman é realmente impressionante, destacando as horas de medo e descrença, como é o caso da argumentação tão fria da mãe que convence seu marido a sacrificar seus filhos em troca de sua própria sobrevivência.

Nas últimas páginas do livro, uma contextualização do conto ao longo do tempo é feita. É muito interessante a causa de sua transformação! A crueldade não se restringe à ficção, já que no medievo, durante a Grande Fome, famílias simples como a do livro, costumavam abandonar seus filhos ou pior, alimentarem-se da carne deles. A prática de canibalismo era muito comum nesse período.

Essa edição é muito bonita e sua ilustração a torna ainda mais incrível, dando um clima medonho ao que já faz parte de um cenário de horror, mas que a mente inocente infantil não entendia.

Um presente aos fãs de Gaiman e um convite para aqueles que não conhecem o autor.

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HQs

Resenha | Aprendendo a cair

Uma belíssima grafic novel comovente e com diálogos sem filtro.

Mylla Martins de Lima

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A editora Nemo acaba de lançar mais uma HQ emocionante contada do ponto de vista de um jovem com necessidades especiais. Escrita pelo alemão Mikael Ross, esse quadrinho é tão profundo quanto a história por trás dele.

Aprendendo a cair tem sua origem no aniversário de 150 anos da Fundação Evangélica Neuerkerode, que gere uma cidade pequena composta por cidadãos que, em sua maioria, sofrem de algum tipo de transtorno mental. O mais interessante em meio a toda essa novidade é que essas pessoas, mesmo com suas peculiaridades, possuem uma vida como de qualquer outra, com seus empregos, lazeres e afazeres.

O quadrinho foi encomendado para Mikael em comemoração a essa data tão especial, e o mesmo levou muito a sério, morando durante um certo período no local para entender a vida dessas pessoas e o cotidiano de cerca de 800 habitantes. Feita sua pesquisa de campo, a história levou mais dois anos e meio para ser finalizada e terminar nessa edição incrível, com uma história tão cativante, que deixa o leitor morrendo de vontade de viajar para conhecer as personalidades tão fofas e engraçadas mencionadas na narrativa.

A grafic novel foi lançada na Alemanha em 2018, e um ano após sua publicação, a mesma foi a vencedora do maior prêmio de quadrinhos local, o Maz und Moritz, entregue durante a Mostra Internacional de Quadrinhos de Erlangen, feita a cada dois anos.

A história de Aprendendo a cair é contada pela perspectiva de Noel, um menino que ama AC/DC e sonha em tocar guitarra. Com a morte repentina de sua mãe, e sem seus familiares por perto, sua vida sofre uma grande mudança e ele acaba tendo de ir para longe de Berlim, morar em Neuerkerode.

Nesse centro de cuidados, o menino conhece outras pessoas como ele e, mesmo sendo a primeira vez que Noel fica longe de sua mãe, ele se diverte, faz amizade e até se apaixona… por ser tudo muito novo, cada dia da vida do menino é muito intensa! As suas descobertas são contadas em poucas páginas, fazendo os capítulos ficarem bem curtos e facilitando a degustação do público.

A arte dessa obra é apaixonante! A edição é toda colorida, feita com muito carinho e capricho, como tudo da editora. As ilustrações têm traços muito particulares, usando marcadores e lápis de cor para dar textura na finalização. Não poderia ter ficado melhor ou combinado mais com os personagens e o tom como o autor quis narrar a trama.

Aprendendo a cair é uma história de superação, que diverte, encanta com personalidades inesquecíveis e humor bem leve e aquece o coração de quem lê. A HQ arranca sorrisos de forma bem natural e por quadros bem simples.

Os diálogos engraçados de Noel e seus amigos juntos à arte maravilhosa tornam essa HQ incrível. Ela merece um espacinho na estante de cada um.

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