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Livros

Editoras encontram nos clubes de assinatura um meio para fugir da crise

Vinhos, maquiagens, café, temperos e LIVROS! Os clubes de assinatura vêm ganhando cada vez mais espaço entre leitores.

Thaís Rossi

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Os clubes de assinatura literária têm servido para aplacar a crise no mercado editorial em todo o país. De acordo com a Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABCom), houve um aumento de 167% nos negócios envolvendo os clubes de assinaturas nos últimos quatro anos

Para o book advisor Eduardo Villela, espera-se que as assinaturas cresçam ainda mais e que o faturamento através desse canal de vendas se multiplique nos próximos anos. 

“Os clubes de assinatura de livros estimulam a leitura e valorizam a importância do livro no Brasil enquanto um produto que agrega inúmeros benefícios a leitores de diferentes idades (melhora de raciocínio, da criatividade, do repertório cultural, da capacidade de aprendizagem e do espírito crítico, além de ser uma excelente forma de lazer). A pesquisa ‘Produção e vendas do setor editorial brasileiro’ mostrou que em 2018 foram vendidos aproximadamente dois milhões e duzentos mil exemplares por meio de clubes de assinatura” 

Além de livros com gêneros que correspondem à personalidade dos assinantes, as editoras disponibilizam também brindes exclusivos e um espaço digital reservado para que os leitores possam interagir e discutir suas leituras. 

Outro diferencial é que o leitor não precisar sair de casa para receber o produto. A entrega em domicílio é um fator determinante para os interessados na leitura, mas que estão com o tempo corrido. A proposta também é muito interessante para aqueles que moram em cidades onde livrarias e sebos são escassos. 

“As pessoas leem desde que os livros escolhidos sejam do interesse delas. Os kits chegam a casa dos leitores em uma caixa bonita e de qualidade, que poderá inclusive depois ser reaproveitada para guardar outros objetos. Dentro da caixa, além dos livros em si, o leitor encontra uma revista contendo entrevistas especiais com os autores, curadores e outras informações inusitadas sobre os livros do mês corrente, pôsteres para colecionarem, marcadores de páginas e outros mimos que enchem os olhos. Abrir uma caixa de um clube de assinatura de livros é uma experiência muito gostosa!” explica Eduardo. 

Algumas editoras, inclusive, utilizam-se dos clubes de assinatura para inovar, trazendo versões impressas dos livros de autores independentes, clássicos que há muito tempo não são mais impressos e tradução de obras que não são disponibilizadas no Brasil, como também antecipar lançamentos aos assinantes antes dos volumes chegarem por aqui oficialmente. 

A proposta em ascensão já conta com diversas opções como a TAGClube SKOOBTurista literário, além do Clube Intrínsecos, que encabeça a lista dos mais procurados. O clube de assinaturas da editora Intrínseca oferece obras de gêneros variados com edições exclusivas em capa dura, entregues em uma caixa especial a um preço acessível.

Com o aumento crescente de vendas, as editoras aproveitam também para expandir suas publicações, pois conseguem viabilizar uma quantidade de exemplares de um título a um número próximo ou até maior do que a 1ª tiragem média produzida por médias e grandes editoras.  

Os clubes de assinatura funcionam como uma opção de vendas de livros alternativa ao método tradicional conhecido – através de livraria física ou virtual. O novo formato está em crescente expansão e a previsão é que em pouco tempo ela ganhe muito mais adeptos no Brasil e no mundo

Outro modelo interessante de vendas de livros é o Kindle Unlimited, que é uma plataforma exclusiva da Amazon disponibilizada somente para dispositivos e-readers. A iniciativa da gigante estrangeira oferece mais de 1 milhão de e-books através de uma assinatura mensal que o usuário pode cancelar quando desejar. E como se isso já não fosse atraente, o leitor ainda pode experimentar o plano por um mês sem pagar nada

Com a assinatura ativa, o usuário pode escolher até dez livros por vez e baixá-los diretamente em seu Kindle, desde que o e-book esteja cadastrado no KDP Select; depois é possível devolver um volume já finalizado ou que não deseja mais ler e baixar outro no lugar. E não é preciso comprar o dispositivo para ter acesso à plataforma; usuários de tablets e celulares – ou até mesmo internautas – podem baixar o aplicativo Kindle e, a partir dele, ler o que quiser onde quiser. 

Os diferenciais do Kindle Unlimited é que ele dispensa gastos com frete, envia o livro instantaneamente ao leitor e ainda oferece um gama de livros internacionais e nacionais, além de novos autores que o público provavelmente não conheceria de outra forma. É uma maneira de transgredir a leitura tradicional e conhecer novos nomes da literatura.  

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Resenha

João e Maria

Livro: o prestigiado Neil Gaiman e o incrível Lorenzo Mattotti se encontram para recontar um clássico.

Mylla Martins de Lima

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Capa Cabana do Leitor

João e Maria é uma adaptação de um dos contos dos Irmãos Grimm feita por Neil Gaiman e ilustrada por Lorenzo Mattotti. O livro foi trazido para o Brasil através da editora Intrínseca em 2015.

Embora todos conheçam a história, revisitá-la vale muito a pena, pois um olhar menos infantil acaba tornando tudo mais chocante. As ilustrações de Lorenzo fazem com que essa experiência seja ainda mais tensa, enquanto a escrita de Gaiman apresenta toques pessoais muito sutis.

Não houve mudanças extremas durante a narrativa e o clássico só ganhou olhares mais maduros, sem interferir na personalidade dos personagens. O foco é na crueldade dos pais e da ”bruxa”, que sofre uma repaginada e é apresentada em uma versão mais realista, sem muita fantasia e misticismo, como uma senhora canibal e exploradora. Reler desse ponto de vista é realmente perturbador.

“As crianças dormiam em montes de feno. Os pais, em uma cama antiga que pertencera à avó do lenhador. João acordou no meio da noite com uma dor aguda e vazia na barriga, mas não disse nada, porque sabia que tinha pouca coisa para comer. Ele manteve os olhos fechados e tentou voltar a dormir. Quando dormia, não sentia fome”

Um lenhador e sua esposa com dois filhos vivem em uma cabana muito próxima à floresta. Apesar do estilo de vida humilde, sem qualquer tipo de luxo e muito trabalho braçal do homem, a comida nunca faltou. Foi quando a guerra se instaurou no local que veio a escassez, e com ela, a fome.

João foi quem ouviu os planos da mãe de ”esquecê-los” na floresta, pois seria mais fácil sobreviver dois que quatro. Essa é uma das cenas enfatizadas por Gaiman. Apesar de contestar de primeira, o pai logo se cala, mostrando-se submisso à loucura da mulher, levando seus filhos para um ”passeio” assim que acordaram.

”Somos quatro — disse a mãe. — Quatro bocas para alimentar. Se continuarmos assim, vamos todos morrer. Sem as bocas a mais, eu e você teremos chance.

[…] — Se você não comer —  respondeu a mulher — , não vai conseguir brandir o machado. E, se não conseguir cortar uma árvore ou levar lenha para a cidade, todos morreremos de fome. É melhor morrerem dois do que quatro. É só questão de matemática, uma questão de lógica”

O final desse conto todos já devem saber, mas o desenrolar dela pelas palavras de Gaiman é realmente impressionante, destacando as horas de medo e descrença, como é o caso da argumentação tão fria da mãe que convence seu marido a sacrificar seus filhos em troca de sua própria sobrevivência.

Nas últimas páginas do livro, uma contextualização do conto ao longo do tempo é feita. É muito interessante a causa de sua transformação! A crueldade não se restringe à ficção, já que no medievo, durante a Grande Fome, famílias simples como a do livro, costumavam abandonar seus filhos ou pior, alimentarem-se da carne deles. A prática de canibalismo era muito comum nesse período.

Essa edição é muito bonita e sua ilustração a torna ainda mais incrível, dando um clima medonho ao que já faz parte de um cenário de horror, mas que a mente inocente infantil não entendia.

Um presente aos fãs de Gaiman e um convite para aqueles que não conhecem o autor.

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HQs

Resenha | Aprendendo a cair

Uma belíssima grafic novel comovente e com diálogos sem filtro.

Mylla Martins de Lima

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A editora Nemo acaba de lançar mais uma HQ emocionante contada do ponto de vista de um jovem com necessidades especiais. Escrita pelo alemão Mikael Ross, esse quadrinho é tão profundo quanto a história por trás dele.

Aprendendo a cair tem sua origem no aniversário de 150 anos da Fundação Evangélica Neuerkerode, que gere uma cidade pequena composta por cidadãos que, em sua maioria, sofrem de algum tipo de transtorno mental. O mais interessante em meio a toda essa novidade é que essas pessoas, mesmo com suas peculiaridades, possuem uma vida como de qualquer outra, com seus empregos, lazeres e afazeres.

O quadrinho foi encomendado para Mikael em comemoração a essa data tão especial, e o mesmo levou muito a sério, morando durante um certo período no local para entender a vida dessas pessoas e o cotidiano de cerca de 800 habitantes. Feita sua pesquisa de campo, a história levou mais dois anos e meio para ser finalizada e terminar nessa edição incrível, com uma história tão cativante, que deixa o leitor morrendo de vontade de viajar para conhecer as personalidades tão fofas e engraçadas mencionadas na narrativa.

A grafic novel foi lançada na Alemanha em 2018, e um ano após sua publicação, a mesma foi a vencedora do maior prêmio de quadrinhos local, o Maz und Moritz, entregue durante a Mostra Internacional de Quadrinhos de Erlangen, feita a cada dois anos.

A história de Aprendendo a cair é contada pela perspectiva de Noel, um menino que ama AC/DC e sonha em tocar guitarra. Com a morte repentina de sua mãe, e sem seus familiares por perto, sua vida sofre uma grande mudança e ele acaba tendo de ir para longe de Berlim, morar em Neuerkerode.

Nesse centro de cuidados, o menino conhece outras pessoas como ele e, mesmo sendo a primeira vez que Noel fica longe de sua mãe, ele se diverte, faz amizade e até se apaixona… por ser tudo muito novo, cada dia da vida do menino é muito intensa! As suas descobertas são contadas em poucas páginas, fazendo os capítulos ficarem bem curtos e facilitando a degustação do público.

A arte dessa obra é apaixonante! A edição é toda colorida, feita com muito carinho e capricho, como tudo da editora. As ilustrações têm traços muito particulares, usando marcadores e lápis de cor para dar textura na finalização. Não poderia ter ficado melhor ou combinado mais com os personagens e o tom como o autor quis narrar a trama.

Aprendendo a cair é uma história de superação, que diverte, encanta com personalidades inesquecíveis e humor bem leve e aquece o coração de quem lê. A HQ arranca sorrisos de forma bem natural e por quadros bem simples.

Os diálogos engraçados de Noel e seus amigos juntos à arte maravilhosa tornam essa HQ incrível. Ela merece um espacinho na estante de cada um.

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Livros

Novo livro de J. K. Rowling coloca travesti como serial killer

No Twitter a reação foi imediata, a tag #RIPJKROWLING está em alta logo apos a divulgação da critica do livro no site inglês The Telegraph.

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Uma crítica publicada no site The Telegraph coloca mais fogo na situação já delicada que a autora de sucesso J. K. Rowling está vivendo com os defensores de direitos humanos de pessoas vulneráveis, principalmente da comunidade LGBT, mais especificamente com transsexuais.

O livro Troubled Blood, que faz parte da série policial escrita pela escritora, é a quinta parte da série de J. K. Rowling que continua a narrar a prolongada relação entre Cormoran Strike e Robin Ellacott.

O cerne do livro é a investigação de um caso arquivado: o desaparecimento da garota de programa Margot Bamborough em 1974, considerada uma vítima de Dennis Creed, um serial killer travesti. O crítico do site ainda questiona sobre a ideia que a autora teve ao determinar que uma pessoa trans seria o vilão da sua historia.

Pergunta-se o que os críticos da posição de Rowling sobre questões trans farão de um livro cuja moral parece ser: nunca confie em um homem de vestido

No Twitter a reação foi imediata, a tag #RIPJKROWLING esta no em alta logo após a divulgação da crítica do livro no site inglês The Telegraph.

Troubled Blood não tem ainda uma data para ser lançado no Brasil.

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