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Livros

Bate-papo com o autor Pedro Guerra sobre seu novo livro “Como Eu Imagino Você”

Bárbara Allen

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LOJA DC 4

O primeiro final de semana da Bienal do livro, que está acontecendo no Rio de Janeiro, foi bem agitado. Na correria entre palestras, eventos e promoções, tivemos que dar uma paradinha e prestigiar um autor nacional que merece muito carinho, Pedro Guerra, de “Eu Precisava de você”.

Pedro estava lançando seu novo livro chamado “Como eu imagino você”, e nós fomos lá ver de pertinho como estava esse lançamento e conversar com ele. E com muito amor e felicidade ele nos atendeu, contou mais detalhes dos livros, distribuiu bottons e marcadores para todos que estavam lá.

Conheça mais sobre o autor de “Como eu imagino você” conferindo a entrevista abaixo:

 Em “Precisava de você”, você criou uma história da Lola e Gabriel inspirada em algo muito real. E em “Como eu imagino você” também foi assim?

Também partiu de uma experiência digamos real, foi a questão de sonhar com pessoas que eu não faço ideia de quem são. Já sonhei diversas vezes assim na vida, com diversas pessoas que nunca vi, ou pelo menos não me recordo, e fiquei com isso na cabeça, sabe? Nossa… sonhamos com tanta gente e muitas a gente nem conhece. Por que eu não faço um livro sobre uma menina que sonha com um cara que nunca viu na vida? Só que aí eu tentei trazer que seria mais bacana se ela tivesse algum problema visual, no caso a doença que faz com que ela não enxergue quase nada, ela tem 80% da visão comprometida. Então, no dia a dia, ela não consegue ver o cara tão perfeitamente como ela vê nos sonhos. Lena e o melhor amigo dela, Lucas, fazem uma brincadeira de tudo que ela tenta imaginar ao redor dela no mundo de como ela vê, segundo a visão dela. E do nada esse cara aparece, o que estava nos sonhos pula para a vida real. Então foi inspirado em um sonho que eu tive e eu tentei construir em cima disso a minha história.

 É impossível não ressaltar suas obras anteriores, pois há uma diversidade de gênero. Em Como eu Imagino Você qual gênero o livro se encaixa?

É um romance romântico. De todos os meus romances nacionais que lanço no Brasil inteiro, “Precisava de você” é o primeiro e esse aqui (Como eu imagino você) é o segundo, eles se passam na mesma cidade, que é Porto Tempestade, uma cidade fictícia que eu criei, e todos eles contam romances. Uns como “Eu precisava”, um romance que não dá muito certo né, porque nem sempre um romance tem final feliz, mas Como eu imagino você é bem romântico, é um livro bem sensível, aquela coisa água com açúcar. Aquela esperança da Lena, mesmo já tendo problema de visão e tendo que lidar com isso no dia a dia, ela tem uma esperança no jardineiro que passa a visitar a casa dela e se torna uma pessoa que passa a mostrar para ela um mundo de forma diferente, mesmo ela tendo essa dificuldade com a visão.

 É mais fácil criar um cenário ficcional ou algo que você conhece?

Olha, eu já escrevi livros que se passam na minha cidade lá do Rio Grande do Sul, que são livros que trabalho só lá, são romances policiais. Mas eu gosto muito, meu gênero preferido são os romances românticos mesmo que se passam em Porto Tempestade. Mas assim, a cada livro as pessoas vão podendo relacionar algumas coisas que estão na história de um ou na história de outro, e assim vão juntando subtrama. Então, “Precisava de você” é uma história bem independente de “Como eu imagino você”, mas no fundo tem alguns personagens que são citados, alguns locais que são citados. Então, quem ler todos os livros que se passam em Porto Tempestade, acaba juntando e fazendo essa grande teia que são esses meus livros. São bem propositais mesmo, acho mais fácil. Eu gosto mais! Você pode imaginar uma cidade que não existe do jeito que você quiser.

 Qual frase desse livro (Como eu imagino você) é a sua favorita?

Meu Deus!! Tem uma que eu não vou lembrar! Mas também gosto muito do final, que não é spoiler então eu posso falar já que era uma ideia até que iriamos colocar aqui na contracapa. A Lena fala isso algumas vezes durante o livro: “Fecho os olhos para poder ver”, porque quando ela está de olhos fechados, não enxergando nada realmente, ela consegue imaginar muitas coisas para ela. O mundo dela é imaginar e esse é o jeito que ela vê as coisas. Então, para ela, ela fecha os olhos para ver. E essa é a chamada do livro “Feche os olhos para ver”. Eu gosto porque tem a mensagem de que você  não precisa ter 100% da sua visão para enxergar as coisas, porque a maioria das coisas acontecem a partir do sentimento.

 E o que te inspira a escrever?

Tudo me inspira. Hoje estava na fila da Thalita Rebouças, fiquei 1h30 na fila para pegar meu autógrafo, bem fã mesmo, e tinha duas meninas com uma mãe mais de idade que falava, falava e falava, e uma menina 13 anos. As duas me deram inspiração total para personagens assim distintos. Então agora a todo momento eu estou olhando para as pessoas, estou passando no mercado, no shopping, na Bienal e eu olho para pessoas assim fisicamente, os óculos, o cabelo, a touca, mochila. Enfim, tudo me dá inspiração. E eu acho que o escritor tem que ser assim, nessa rotina emocional, sempre com os olhos bem abertos olhando tudo que acontece. Ah, e as histórias que meus leitores vem me contar de romances das suas vidas.

 Você tem projeto de ir à escolas, certo? Como surgiu a ideia e você sente algum retorno?

Total. É a minha parte favorita porque como eu disse, eu tenho dois livros e esse ano lanço o terceiro, que se passam na minha cidade e são propositalmente livros locais que ficam só lá no Sul mesmo, para eu trabalhar nas escolas com histórias locais que atraiam os leitores de lá. Então, o pessoal se identifica muito. E é muito legal quando você vai a uma escola e a pessoa vai lá e fala que leu o seu livro, gostou da história e te dá um retorno. O adolescente é o melhor tipo de público, sabe? Porque eles são apaixonados, se gostaram da história dos livros, eles vão divulgar pra ti, vão falar para o amigo ler, vão falar para mãe que leram um livro legal. Então assim, eu gosto muito do público adolescente. E estar nas escolas surgiu assim meio que do nada quando lancei meu primeiro livro. Surgiu um convite de uma, daí foi em outra, aí a professora indicou para outra, e hoje em dia, nesses 4 anos, eu já passei por mais de 13 mil alunos só lá no Sul. E agora vou tentar expandir cada vez mais com meus livros nacionais.

 Como autor nacional, você vê dificuldade de divulgar o seu livro ou já viu?

Eu acho que era mais difícil antigamente porque todo mundo tinha um certo preconceito “Ah, ele é autor nacional”. A gente tinha esse preconceito sabe, “Ah, ele é autor nacional não escreve tão bem. Prefiro comprar o livro de um autor gringo”. Mas hoje em dia podemos ver que a própria Bienal é a prova de que o pessoal adolescente, criança, gosta de ler e ver o autor ali do lado e se identificar e trocar contato, conversar na hora. Então eu acho que está um pouco mais fácil, mas ainda assim, ao mesmo tempo que estou aqui falando com você tem mais mil escritores aí espalhados, então para se destacar entre os próprios autores é difícil, mas é um trabalho dia a dia, escadinha e paciência.

Vocês lembram da frase favorita que ele falou que esqueceu? Então antes de acabar a entrevista um fã chegou com o livro todo marcado de post it e em uma dessas marcações era a frase. Vamos ouvir ele lendo?

 

Então ficou curioso? O livro é lindo e está sendo publicado pela editora Gutenberg e você pode adquiri-lo pelos sites ou nas lojas físicas. E, se estiverem na Bienal passem no estande da editora Autêntica e garanta seu exemplar!

A Bienal fica no Riocentro e vai até o dia 10/09.

Bárbara Allen
Apaixonada por histórias de época e com o sonho de viver em cada página que lê. Uma jornalista fascinada no mundo da literatura.
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