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Livros

“Eu queria escrever livros sobre mulheres que eu conheço” diz Karin Slaughter

Bárbara Allen

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A XVIII Bienal do Livro Rio chegou ao fim, mas as atividades do último dia de evento foram bem intensas e maravilhosas. E claro, o Cabana do Leitor participou de algumas, e uma delas foi o encontro de blogueiros da HaperCollins, que contou com a presença da autora Karin Slaughter.

Karin é conhecida por seus thrillers fortíssimos que mexem como o psicológico do leitor. Uns deles são “Esposa Perfeita” e “Flores Partidas”, que já publicamos resenha aqui, todos os dois publicados no Brasil pela editora HarperCollins com capas belíssimas e que expressam muito bem o que o livro passa.

Voltando ao encontro com a autora, tudo aconteceu apenas para blogs convidados e durou cerca de uma hora, mas foi o suficiente para descobrirmos muita coisa sobre Karin e seus livros. Sem contar que vimos o lado engraçado e simpático da autora. A mediadora do encontro foi Frini Georgakopoulos que fez algumas perguntas e depois passou a bola para quem quisesse perguntar. Um dos assuntos foi sobre o processo de escrita e, curiosamente, ela afirma que sim, ela se isola em cabanas quando vai escrever uma nova história, fica sem telefone e internet, apenas com uma televisão.

Sobre o porquê de escolher temas com mulheres fortes ela explica: “Eu lia muitas histórias de terror quando era mais nova e o que sempre me incomodou é que a figura da mulher sempre estava lá para ser salva ou para dormir com os homens. Então comecei a querer escrever sobre mulheres, não fortes, mas mulheres que eu conheço, queria um livro que eu não achasse para ler. Comecei a escrever livros focados em mulheres que no final não é o homem que a salva, e sim a mulher que se salva”. Sobre sempre apresentar um passado dos personagens, ela diz que é casual ou sem querer que acontece, ela acha importante contextualizar e apresentar ao leitor o porquê daquele personagem ser assim.

Falando no livro “Flores Partidas” ela contou que foi um dos mais difíceis de escrever, não só porque foi baseado em uma história real da década de 80, mas pelo fato dela ter vivenciado de perto a experiência de ter uma irmã que era viciada por muito tempo em metanfetamina, e ela transferiu muito dessa experiência de vida para a personagem. Então ela se via muito na situação. Mas, como ela se sente ao escrever com tanto detalhe as cenas fortes do livro? Essa pergunta também surgiu e a resposta foi: “O medo vem de onde você não conhece, eu sei o plot do livro inteiro, então não tenho medo porque já sei o que acontece”. Mesmo assim ela assumiu que tem vezes que fica tão envolvida no caso que tem de parar e se chamar de volta para terra.

Claro, o Cabana do Leitor também fez a sua pergunta e ela foi específica do livro “Flores Partidas”. Confira:

A personagem Claire é forçada a tomar a frente e resolver tudo, e no final ela sofre uma mudança super drástica de comportamento, que até deixa a Lydia assustada. Isso foi um grito de redenção dela, ou foi algo do tipo “nada do que eu fizer vai ser pior do que o que ele fez”?

– Ela é uma pessoa que tem muita raiva dentro dela. Então eu entendo que a Claire que vemos no início para a Claire que vemos no final é incoerente com as escolhas que faz e com quem ela é e mostra ser. Acho interessante fazer essa reviravolta, essa revelação dela mais forte no final, porque existe uma coisa que as pessoas acham que mulheres muito bonitas tem uma vida perfeita e na verdade não é assim. Então eu quis mostrar isso, porque a Claire parece ter essa vida perfeita, mas não é exatamente isso. E quando eu escrevo personagens novos, eu leio do início ao fim focando nesses personagens para ter certeza que eles estão coerentes do início ao fim, para ter certeza que todas as escolhas que eles fazem ao longo da história fazem sentido a quem eles são.

E se vamos ter série ou filme sobre seus livros, Karin diz que já ofereceu os direitos, porém ainda não existe nenhum projeto a caminho. Triste, não? Já queremos que alguém compre esses direitos!

Bárbara Allen
Apaixonada por histórias de época e com o sonho de viver em cada página que lê. Uma jornalista fascinada no mundo da literatura.
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