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Rodrigo Roddick

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Tudo ou nada. Desde o início dessa última temporada, os ânimos dos personagens – e inclusive dos espectadores – se inflamaram para a conclusão do conflito milenar entre as Casas dos Sete Reinos e os Targaryen, protagonizado no presente momento pela Daenerys e Cersei Lannister. Foi notável a necessidade de se encerrar uma história de qualquer jeito (pela rapidez dos acontecimentos), mas a execução deste processo, mesmo com os detalhes acertados, foi muito falha e destoante do tônus que abarca Game of Thrones.

Este quinto episódio começa com a sentença de morte de Lorde Varys. Acho que era claro para todos os espectadores da série que Tyrion não se voltaria contra Daenerys tão facilmente. Ele acreditava que sua rainha tinha bom discernimento para governar. É bom lembrar que ele esteve ao lado dela em Mereen e acompanhou sua gestão. Lorde Varys também, mas ele sempre está um passo a frente. Sempre conjecturando os caminhos que uma escolha desastrosa pode acarretar para o povo, por qual ele sempre lutou. Foi um fim coerente ao seu tipo de pessoa e coeso com estilo de Daenerys.

Até esse momento parecia que tínhamos um bom episódio nas mãos, mas fomos enganados.

DAENERYS

Apesar de Daenerys não estar errada em inferir que Sansa fez de tudo para inclinar Jon a ao Trono de Ferro, a recente tendência dela em procurar traidores onde não existem a aproxima bastante do pai dela. É bom lembrar que já vimos essa marca de caráter acontecer em alguns momentos da série. Contudo, ainda que ela tenha esse fascínio por governar – porque acredita ter nascido para isso, devido aos fatos que permeiam sua trajetória – ela era até então uma pessoa que também sempre pensava naqueles que ninguém pensa, exceto Varys: o povo.

Sua conduta enlouquecida e furiosa que assistimos passou longe de sua trajetória, mas teve tudo a ver com esta temporada. Desde que Daenerys chegou no Norte, ela sentiu sua reivindicação ser abalada por três fatores: 

1 – O povo ama mais Jon Snow.

2 – Sansa duvida do discernimento de Daenerys porque ela não quer abrir mão do Norte, mesmo apaixonada pelo irmão dela. Para Sansa, Daenerys é apenas uma mulher com sede de poder, não tão diferente de Cersei.

3 – A descoberta que o Jon Snow é o herdeiro legítimo.

Abalada por essa falta de clamor que ela estava acostumada em Essos, Daenerys sente seu reinado ameaçado. Ela começa a adotar uma postura ofensiva para defender o que é dela por direito e isso a conduz para um novo desvio de caráter: a loucura. Ela não é como o pai. Não é louca. Mas a sede de poder é uma loucura que faz sua visão ficar turva. E isso culmina neste episódio, provocado por um estopim que ela não esperava.

Missandei é decapitada no episódio anterior gritando “Dracarys”, ou seja, “Burn them All” (Queimem todos eles!) a mesma frase proferida pelo pai de Daenerys a Jamie Lannister e que acabou se tornando suas últimas palavras. Este pequeno sentido constitui uma conclusão poética e reafirma o desvio de caráter de Dany, que se aproxima gradativamente de quem Aerys II era.

Alguns criticam que Missandei não teria tanto impacto na vida de Dany para ela ficar enlouquecida, e estão certos. Ela foi o ápice do conflito que a Mãe dos Dragões estava vivendo não o motivo. Era até onde Daenerys podia aguentar. Ver uma amiga muito próxima que ela libertou da escravidão e jurou proteger morrer diante de seus olhos inflamaria qualquer um.

O ataque dela em King’s Landing não foi algo fora dos padrões, muito menos incoerente com a história. Era um dos caminhos para o qual a personagem Daenerys foi criada, embora um no qual não acreditávamos muito. Foi uma surpresa pequena. Tragável, mas com sabor ruim. O ataque marca claramente as palavras de sua família: Fogo e Sangue.

Daenerys afirmou que quebraria a roda, mas não King’s Landing inteira.

A incongruência, porém, reside nas intenções dela. Nos episódios anteriores ela vivia reafirmando a necessidade de recuperar a Capital dos Sete Reinos porque quem a dominava, podia se decretar “Rei” ou “Rainha”. Mas ao chegar nela, o que ela faz? Destrói tudo, inclusive o próprio castelo de sua família. Claro, ela pode reerguê-lo ou pode morar em Dragonstone, ela estava cega de poder ou com ódio por Missandei morrer… podemos dar a justificativa que quisermos, isso não vai apagar a fragilidade do roteiro neste ponto.

ARYA STARK

A preferida do público para matar Cersei não conclui sua missão. Ela viaja ao lado de Sandor Clegane até King’s Landing, mas quando chega lá ela é transformada por um lado de seu companheiro que ela não conhecia: ele fala como um pai, como Ned Stark falaria com ela. Isso enfraquece sua necessidade de assassinar Cersei, até porque ela morreria de qualquer jeito, a julgar pelas circunstâncias. Do ponto de vista técnico, nada está errado, mas é claro que isso desperdiçou a oportunidade de causar uma sensação catártica nos espectadores.

Algo insuportável de assistir foi Arya no jogo do “morre-não-morre”. Foi chato demais. Tudo bem que mostrá-la junto ao povo da Capital completou o crescimento da personagem, pois na primeira vez que ela estava no meio deles foi para assistir à morte de seu pai. Naquele momento ela queria destruir King’s Landing inteira, mas agora quando isso finalmente acontece, sua postura é outra: ela percebe que o povo não tem culpa de nada. Foi genial essa sacada, porém o exagero tornou as cenas maçantes.

CERSEI LANNISTER

O ponto mais odioso deste episódio – e eu acredito que todo mundo compartilha deste sentimento comigo – foi assistir Cersei morrendo aos braços de Jamie enquanto o castelo desabava sobre eles. Poeticamente este fim satisfaz o desejo dela que sempre reafirmou que eles deveriam ficar juntos porque vieram ao mundo juntos. Satisfaz também a profecia da bruxa que diz que ela vai ser Rainha até uma nova rainha chegar e tomar tudo o que ela tem. Além disso, constrói o delicioso sentido “o reino que vocês lutaram tanto para manter nas mãos dos Lannister desaba sobre suas cabeças”. Mas a morte de Cersei não poderia ter sido executada de outra forma? Poderia.

Possível finais para Cersei:

1 – Drogon poderia tê-la devorado ou ateado fogo nela.

2 – Arya poderia tê-la matado, disfarçada – com a face – de Jamie Lannister.

3 – Jon Snow poderia tê-la decapitado ao chegar com o exército na Fortaleza Vermelha (se Dany não a tivesse destruído)

4 – Jamie, observando que Cersei não se redimiria, como último recurso, mataria a própria irmã e desenrolaria uma cena de amor e dor.

5 – Tyrion poderia ter entrado no castelo e tê-la matado como fez ao pai (apesar de ser pouco provável porque Cersei estava grávida e Tyrion não mata inocentes).

6 – Cersei poderia ter fugido com Jamie e, de repente, eles são interceptados por cavaleiros nortenhos fieis a Sansa que os levariam perante ela. Sansa então os executaria.

7 – Sor Gregor poderia ter matado Cersei, dando um soco nela e fazendo-a voar da Fortaleza Vermelha no momento em que mata Qyburn.

8 – Cersei poderia tentar fugir junto ao povo, mas o povo a reconheceria e a mataria como tentaram fazer com Jofrey.

9 – Cersei se suicidaria.

10 – Por que Varys, que domina a arte dos sussurros, não infiltrou alguém na Fortaleza Vermelha e matou Cersei de alguma forma antes mesmo de Daenerys ir à Capital? Com certeza ele é muito mais habilidoso que Qyburn.

Mas não. Nenhum desses finais, que seriam toleráveis, foram abordados. Os roteiristas preferiram uma morte piegas e ridícula para uma tirana humanizada que era Cersei.

Algo interessante, porém, nos momentos predecessores a sua morte foi ela chorar, demonstrar sua fraqueza. Cersei nunca foi uma personagem forte e inteligente, mas era mestre na arte de esconder sua fraqueza. Talvez por isso muitas pessoas se identificaram com ela, contudo quando todas as suas máscaras (exército, frota, castelo, coroa) caíram, revelou-se a verdadeira face dela: fraqueza.

Cersei era apenas uma mulher egoísta com poder. Tudo o que ela tinha a fazia sustentar a máscara de “mulher fodona”.

Egoísta? Sim. Cersei só se importava com seu umbigo. Sua família era a única coisa que ela valorizava, mas não podia ser assim, ela era Rainha dos Sete Reinos! Ela poderia ter feito de Westeros inteira sua família, mas preferiu seguir as lições do pai e usar o terror e medo para governar. No momento que aparece alguém inspirando amor, as pessoas param de temer. Enfim, talvez o final de Cersei nos ensine alguma coisa: “amai-vos uns aos outros como eu vos amei”. Sou ateu, mas concordo com Jesus neste pensamento, qual a humanidade vem pecando desde sempre em alcançar.

SANDOR CLEGANE

Finalmente ele consegue destruir seu irmão. A única coisa que mantinha Sandor vivo era dar um fim àquela monstruosidade feita a Sor Gregor. Mesmo percebendo que irmão ficou tão feio por fora como era por dentro, Clegane não o deixaria daquele jeito, nem que para isso precisasse morrer com ele. E na morte, os dois se tornaram irmãos.

Um ponto muito positivo do personagem na trajetória dele é o fato de Sandor Clegane sempre afirmar que não é nem quer ser um cavaleiro. Ele viveu na pele que os cavaleiros não são cavalheirescos e isso o marcou para sempre. Ele usou o aprendizado para viver da forma correta, como um verdadeiro cavaleiro deveria ser, não como eles de fato eram.

OUTRAS CONSIDERAÇÕES

Euron Greyjoy finalmente morre, pelas mãos – ou deveria dizer “mão” – de Jamie Lannister. Seu fim foi apenas um alívio para o público porque ele é um personagem que incomoda. A Companhia Dourada é incinerada por Daenerys que, enganando Tyrion, ataca os portões de King’s Landing com o fogo do dragão. Com o ataque a Capital, o Fogo Vivo explode, coerente a um detalhe da história em que é revelado que a substância está por todo território.

Game of Thrones Season 8, Episode 5

Um ponto extremamente positivo, que acontece durante toda a série, foi ela evidenciar a vida comum nos momentos pré-guerra, na guerra e pós-guerra. É muito interessante tirar um pouco o foco dos poderosos – que é minoria – e ver como o povo reagia nessas situações antigamente. Até porque Game of Thrones se baseia nos livros “Crônicas de Gelo e Fogo” e “crônicas” nos induz a participar da vida cotidiana da época retratada.

O QUE VAI ACONTECER NO ÚLTIMO CAPÍTULO?

Vimos Tyrion, Jon Snow e Arya Stark desapontados com Daenerys. Vimos Verme Cinzento consumido pelo ódio. Vimos com clareza um conflito. É a partir disso que o final surgirá. 

Tyrion talvez não saia vivo porque Daenerys finalmente virou “Rainha das Cinzas” e pode executá-lo por traição. Ele libertou um prisioneiro da rainha.

Game of Thrones Season 8, Episode 5

Jon Snow não mataria Daenerys, mas poderia facilmente abadoná-la e reivindicar o Norte para Sansa, o que suscitaria uma nova guerra. Arya, observando que o irmão a abandonou, poderia facilmente se disfarçar de Jon ou alguém próximo de Dany e matá-la.

Ou Jon Snow pode sucumbir. Verme Cinzento gravou bem em sua mente a imagem de Jon Snow impedindo seus homens de massacrarem os Lannister. Se tudo der errado, ele conta isso para a rainha e ela o executa.

De qualquer forma, o final parece seguir essa linha de desastre que este episódio se revelou, mas o que vai ser intolerável é se Daenerys Targeryen permanecer no poder. Goerge R. R. Martin disse que o final era agridoce, mas não amargo e ridículo. É melhor não esperarmos grandes acontecimentos.

Todavia…

Varys, antes de morrer, escreveu uma mensagem. Sabemos o conteúdo dela, mas para quem ele a enviaria?

Cidadela? E assim os meistres formariam um conselho para definir que Jon deveria assumir o reino?

Illyrio Mopatis? Como rico comerciante, ele poderia ser o banco de Jon Snow, garantindo um exército para apoiar sua reivindicação?

Ou os dois?

O fim, meus amigos, será no próximo domingo. 

Saberemos se vamos ter um desfecho épico ou apenas uma conclusão qualquer. Se o final for ruim, só nos restará esperar pela chegada dos livros, torcendo para que seja muito mais interessante.

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séries

Love, Victor tem segunda temporada oficializada

Sucesso de audiência na plataforma Hulu, série é baseada no filme ‘Com Amor, Simon’

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Era questão de tempo, mas enfim o serviço de streaming Hulu anunciou nesta sexta (07) que a série Love, Victor terá uma segunda temporada. O anúncio foi feito nas redes sociais da produção. Confira:

https://www.instagram.com/p/CDmIBVZJ20H/

Sucesso de audiência e crítica em seu primeiro ano, a trama se passa no mesmo universo que o longa Com Amor, Simon e segue a história de Victor Salazar (Michael Cimino), um estudante de origem latina recém-chegado à cidade – e à mesma escola que Simon (Nick Robertson) e que precisará da ajuda do protagonista do filme original para se adaptar. Ambas produções são baseadas no livro Simon vs. A Agenda Homo Sapiens, de Becky Albertalli.

O Cabana do Leitor já assistiu o primeiro ano da série.
CLIQUE AQUI e confira o nosso review completo.

Um ponto que diferencia a série do longa de 2018 é a jornada de Victor, que não tem a família tão ‘mente-aberta’ quanto a de Simon e enquanto o protagonista do filme tinha que lidar apenas com “sair do armário”, ele ainda precisa descobrir como ele mesmo se identifica.

Segundo o showrunner Brian Tanen, no novo ano a série irá ser mais ousada, uma vez que será produzida totalmente pelo Hulu. Originalmente, o projeto seria lançado no Disney+. “Para mim, é uma vitória gigantesca que estamos no Hulu a partir de agora. Isso amplia nossa capacidade de contar histórias mais adultas”, revela o produtor.

A primeira temporada conta com 10 episódios e ainda não tem previsão de lançamento oficial no Brasil. Criada por Isaac Aptaker e Elizabeth Berger, o seriado tem em seu elenco nomes como  Ana Ortiz, James Martinez, Isabella Ferreira, Mateo Fernandez, Rachel Naomi Hilson, Bebe Wood, George Sear, Anthony Turpel e Mason Gooding. Robertson, intérprete de Simon, é um dos produtores da atração e faz a narração da história, além de fazer uma participação na série ao lado de Keiynan Lonsdale, que interpretou o personagem Bram Greenfield no filme lançado em 2018.

O 2º ano de Love, Victor não tem data de estreia definida.

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séries

Raised by Wolves, série produzida por Ridley Scott, tem trailer revelado

Produção sci-fi chegará em setembro no HBO Max.

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O HBO Max liberou nesta quarta (05) o primeiro trailer de Raised by Wolves, série de ficção científica produzida por Ridley Scott (Alien; Blade Runner). Confira a prévia:

A trama irá mostrar dois androides encarregados de criar filhos humanos em um planeta isolado. Uma vez que a crescente colônia humana ameaça ser massacrada por diferenças religiosas, os androides aprendem que controlar as crenças dos seres humanos é uma tarefa traiçoeira e difícil.

Com dez episódios em sua primeira temporada – ainda sem previsão de lançamento no Brasil – a série conta com Amanda Collin (Guerreiro da Escuridão) e Abubakar Salim (Jamestown) no papel dos androides. Travis Fimmel (de Vikings) também estrela a produção criada por Aaron Guzikowski, mais conhecido por escrever Os Suspeitos (2013).

Além da produção executiva, Ridley irá comandar os dois primeiros capítulos da atração. Luke Scott, filho do cineasta, assina três outros. O brasileiro Alex Gabassi (The ABC Murders) também está entre os diretores responsáveis pelo seriado.

Raised by Wolves estreia dia 3 de setembro no HBO Max.

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cinema

Disney+ chega à América Latina em novembro, incluindo o Brasil

Executivo revelou mais detalhes do lançamento da plataforma.

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Depois de meses de rumores, a Disney enfim revelou quando o Disney+ – seu serviço de streaming – chegará à América Latina, incluindo o território brasileiro.

De acordo com a LABS, em reunião que detalha os ganhos da empresa durante o ano fiscal, o executivo Bob Chapek – CEO da empresa – confirmou que a plataforma será lançada no continente sul-americano em novembro de 2020.

Em menos de um ano de disponibilidade, a Disney+ alcançou o impressionante número de 57,5 milhões de usuários – somente 2,5 milhões a menos que o objetivo traçado pelo estúdio para 2024.

Apesar dos desafios impostos pela pandemia, seguimos crescendo com o incrível sucesso da Disney+“, disse Chapek. “O alcance mundial de nosso portfólio de serviços ‘direto ao consumidor’ agora passa dos 100 milhões (contando assinantes da Hulu e da ESPN+), uma marca significativa e comprovação da nossa estratégia DTC, que vemos como o futuro do crescimento da empresa“.

A plataforma, além de contar com diversos conteúdos clássicos da história da Disney, conta em seu catálogo com títulos originais como as séries The MandalorianO Falcão e o Soldado InvernalWandaVision e longas como A Dama e O Vagabundo e Noelle, além de se tornar uma alternativa para lançamentos afetados pelo COVID-19, como Artemis Fowl e Mulan.

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