Quando Jonathan Majors foi acusado de agressão contra sua ex-namorada, o mundo caiu abaixo de fãs da Marvel exigindo e cobrando justiça, rapidamente a empresa agiu assim que saiu uma sentença condenatória contra o ator, mas antes disso já se falava em retirar do ator o personagem Kang.
O ponto de ruptura cresceu ainda mais quando os fãs da Marvel transformaram tudo isso em trending topics no Twitter. A situação ficou tão insuportável que a Marvel decidiu encerrar a fase 4, que culminaria na batalha final entre o universo de heróis e Kang, semelhante ao ocorrido com Thanos. Estima-se que essa readequação tenha custado milhões de dólares para a empresa.

Porém, o mesmo não se aplica a Jeremy Renner, o Gavião Arqueiro, que já esteve envolvido em falas polêmicas e também foi acusado de agressão, ameaça de morte e de disparar uma arma dentro de sua casa enquanto sua filha pequena estava em outro cômodo. Renner negou todas as acusações.
O ator agora enfrenta outra acusação, desta vez da cineasta Yi Zhou, que afirma ter sido vítima de assédio psicológico e sexual, alegando que ele enviou fotos não solicitadas para seu celular. Até o momento, nem o ator nem a Marvel se pronunciaram sobre o caso, e a reação dos fãs da empresa tem sido discreta e limitada, sem sequer chegar a ser um trending topic. Como dizem os agentes da ONU no filme Hotel Ruanda: “As pessoas vão dizer ‘que horrível’ durante o jantar e vão continuar comendo vendo o jornal.”

Agressores, independentemente de serem negros ou brancos, deveriam receber o mesmo tratamento, mas sabemos que não é assim na prática. Há o caso de um agressor no Brasil que já agrediu várias ex-namoradas e esposas e ainda assim ganhou um reality show, sem necessidade de mencionar o nome. Por outro lado, o caso de Marcius Melhem evidencia que, no Brasil, basta a cor ser diferente da “padrão” para que se perca tudo (sem entrar no mérito das acusações), já que ambos foram acusados e processados, mas apenas um foi cancelado.



