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Marcelo Hessel – O dia que o colunista do Omelete não estava bem

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* Os textos desta seção não representam necessariamente a opinião deste veículo e são de responsabilidade exclusiva de seu autor.

Era uma segunda qualquer e nada de mais estava acontecendo no mundo nerd, umas coisas ali, outras aqui, mas nada fora do comum. Ai quem me surge? Marcelo Hessel e desta vez ele não estava falando mal da Warner (como algumas pessoas conseguem notar bem em algumas criticas exageradas ao Universo DC) mas mesmo assim ele foi além, desconsiderou a historia e injetou a “sua verdade” no site do Omelete ao afirmar que CAPITÃ MARVEL é o principal ícone do feminismo nos quadrinhos de super-heróis. Sim, a arma foi apontada e ele atirou, BANG, pena que errou todos os alvos possíveis, pena que errou até no próprio senso do ridículo, ao querer de qualquer maneira inserir na mente dos leitores que a Mulher-Maravilha deixou de ser a grande referencia feminista.

Tínhamos um colunista no CDL chamado Diego Lanza, e ele vivia falando que odiava o Hessel, pena que demorei para descobrir e porque. *Na década de 40 a Mulher-Maravilha foi concebida para ser um símbolo da luta feminina, seu papel relegado ao de secretária da Sociedade da Justiça não ajudava a afirmar seus ideais. Apesar da Mulher-Maravilha ter sido criada por um psicologo com intenções nada convencionais, ela rapidamente se tornou um ícone da não submissão aos homens, se tornando referencia para muitas. Hessel desconsiderou o fato de que a Capitã Marvel para o publico em geral (que não curtem ou não conhecem quadrinhos) é uma personagem quase que desconhecida para muitos, talvez somente com o filme programado para 2017 ela se torne parte da mitologia feminista em geral. Este ano, não só sendo um ícone feminista para a maioria como sendo uma mãe para os homossexuais, a Mulher-Maravilha celebrou um casamento lésbico

Mulher-Maravilha é a mais popular heroína do sexo feminino de quadrinhos de super-heróis de todos os tempos. Além de Superman e Batman, nenhum outro personagem de história em quadrinhos tem durado tanto tempo. Como qualquer outro super-herói, ela tem uma identidade secreta; ao contrário de todos os outros super-heróis, ela tem uma história secreta.

Superman veio primeiro em 1938. Batman começou à espreita nas sombras, em 1939. Mas tudo começou com uma arma. Em 1 de setembro de 1939, a Alemanha invadiu a Polônia. Dois dias depois, a Grã-Bretanha e a França declararam guerra à Alemanha. Em outubro de 1939, na Detective Comics, Batman matou um vampiro, atirando balas de prata em seu coração. Na próxima edição, ele disparou uma arma para dois capangas do mal. Quando Whitney Ellsworth, diretor editorial da DC Comics, viu aquilo decidiu que Batman não iria mais usar armas.

Super heróis não eram soldados; eles eram cidadãos. E assim, no final de 1939, um dos escritores de Batman elaborou uma nova história de origem para ele: quando Bruce Wayne era um menino, seus pais haviam sido mortos diante de seus olhos, mortos a tiros. Não só Batman não possuía uma arma como Batman odiava armas.

Em 8 de maio de 1940, o Chicago Daily News declarou guerra as HQs. “Dez milhões de dólares desses seriados de terror e sexo são vendidos a cada mês”, escreveu Sterling, editor literário do jornal. “A menos que nós queremos uma próxima geração ainda mais destruída, pais e professores em toda a América têm de se unir para acabar com estas revistas”

Vinte e cinco milhões de leitores solicitado reimpressões de artigo do escrito no jornal, em que ele chamou quadrinhos de “uma vergonha nacional”.

No calor da polêmica, uma escritora de uma revista jovem chamada Olive Byrne, armou um artigo para seu editor no Family Circle – a melhor forma de explicar às mães americanas se os quadrinhos eram perigosos para as crianças era colocar o Dr. William Moulton Marston, ele havia feitos trabalhos em Harvard escrevendo roteiros para filmes mudos. Ele inventou o detector de mentiras. Ele tinha sido um advogado e um cientista, um romancista e professor.

Byrne publicou o seu artigo em outubro de 1940. “Você acha que os quadrinhos são uma boa leitura para as crianças?”, Perguntou ela a Marston. Na maior parte, sim, ele disse – eles são pura realização de desejos. “E os dois desejos por trás do Superman são certamente a mais sólida de todos; eles são, de fato, nossas aspirações nacionais do momento – para desenvolver um poderio nacional imbatível, e usar esse grande poder, quando nós o conquistamos, para proteger inocentes, pessoas amantes da paz contra o mal implacável “.

Byrne ficou tão impressionada que decidiu contratar Marston como um consultor. Marston convenceu William Maxwell Gaines (editor de umas das subsidiarias da DC) que era realmente necessário que para combater os ataque aos quadrinhos era a criação de uma super-heroína. Na primeira vez, Gaines ignorou. Cada mulher nas HQs era um fracasso, disse a Marston, (o que não era estritamente verdadeiro). “Mas eles não eram super-mulheres”, rebateu Marston. “Elas não eram superiores aos homens.” Uma super-heroína Marston insistia, era a melhor resposta para os críticos, uma vez que a “pior ofensa dos quadrinhos era a sua masculinidade horripilante”. Em fevereiro de 1941, ele apresentou um projeto de datilografada da primeira parte de A Suprema Mulher-Maravilha.

Marston gostou mas depois de uma reunião ele tirou “Suprema”. É melhor chamá-la apenas de “Mulher-Maravilha”.

O que ela se parece? Venus de Botticelli? A estátua da Liberdade? Greta Garbo? Marston gostava de dizer que a Mulher Maravilha era para ser “propaganda psicológica para o novo tipo de mulher que, creio eu, deve governar o mundo”, mas nem ele nem Gaines parece ter dado muita atenção para a contratação de uma mulher para desenhá-la.

Na década de 1910, Harry G Peter (depois chamado para ilustrar a Mulher Maravilha) tinha sido um artista de um periódico de humor, junto com a cartunista feminista Annie Lucast Rogers, ele contribuiu para sua revista regular, a mulher moderna. Rogers gostava de retratar as mulheres que quebram as cadeias de sua escravização aos homens: Peter puxou a Mulher-Maravilha da mesma maneira.

Ela tinha que ser forte e ela consequentemente era independente. Todos concordaram sobre as pulseiras – que foram inspirados por um par simbólico de pulseiras (ou braceletes) usadas por Olive Byrne – ela poderia parar balas com eles. Além disso, esta nova super-heroína tinha que ser bela; ela usaria uma tiara, como a coroa premiada no concurso de Miss América.

Marston queria que ela fosse contra à guerra, mas ela tinha que estar disposta a lutar pela democracia. Na verdade, ela tinha que ser super patriota. Capitão América, um novo super-herói, usava uma bandeira americana: calças azuis, luvas vermelhas, botas vermelhas, e, em seu torso, listras vermelhas e brancas e uma estrela branca. Como o Capitão América – porque do Capitão América – Mulher Maravilha teria que usar vermelho, branco e azul, também. Mas, idealmente, ela também usava muito pouco de tudo.

Para vender revistas, Gaines queria que ela fosse tão nua quanto pudesse ser. Harry G Peter tem suas instruções: desenhar uma mulher que é tão poderosa como o Superman, sexy, seminua como a Sheena e tão patriótica como Capitão América. Ele fez uma série de esboços.

Sanger que iniciou uma revista chamada a Mulher Rebelde. A “base do feminismo”, alegou que a Mulher-Maravilha tinha estar no controle de uma mulher sobre o seu próprio corpo “o direito de ser mãe, independentemente da igreja ou do estado”. Podemos dizer que o feminismo moldou a Mulher Maravilha.

E então, na década de 1970, com o movimento de libertação das mulheres – cujo ícone era a Mulher Maravilha – com a personagem refeita para o feminismo. (Em 1972, Gloria Steinem e os outros fundadores da revista Ms escolheram a Mulher Maravilha para ser a garota da capa de sua primeira edição, no final da década, ela teve sua própria série de TV, estrelado por Lynda Carter.)

Mulher-Maravilha não é como outras super-heroínas. Sua história não se encontra dentro da história dos quadrinhos; que se situa dentro da história da política. Superman tem uma dívida com a ficção científica, Batman para o detetive Hard-Boiled. Mas a historia da Mulher Maravilha é a luta pelos direitos das mulheres – uma história que Herssel não lembrou quando escreveu seu artigo.

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cinema

Entre Facas, Segredos e Ganância

Conheça as analogias sobre reparação histórica neste filme de mistério.

Fernanda Fernandes

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Melancólico e misterioso, o filme dirigido e roteirizado por Rian Johnson – conhecido por Star Wars: Os últimos Jedi – foi um dos indicados ao prêmio de Melhor Roteiro Original do Oscar 2020. “Entre Facas e Segredos” em um primeiro momento se trata de um filme de mistério acerca da família Thrombey. Ricos, problemáticos e cheio de segredos que podem ser mais perigosos do que imaginam. Um dos pontos mais interessantes do filme é como ele te entrega rapidamente o final da história sem retirar o fator surpresa do espectador.

A trama inicia quando Harlan Thrombey (Christopher Plummer), milionário e escritor de romances criminais, é encontrado morto em seu escritório por Fran (Edi Patterson), a governanta da grande e afastada mansão do personagem. No entanto, toda a família Thrombey havia sido reunida na casa para a comemoração do aniversário de 85 anos de Harlan, na noite anterior ao falecimento dele. Deste momento em diante, toda a família é interrogada pelo detetive tenente Elliot (Lakeith Stanfield) e o detetive Benoit Blanc (Daniel Craig), este contratado anonimamente. As suspeitas são de suicídio do personagem e uma reconstituição da noite anterior começa a ser feita. É neste momento que os personagens são apresentados.

Vale destacar que o longa-metragem conta com um elenco vasto e que entrega bem os personagens da trama. 

Harlan tem três filhos: Linda, Walter e Neil, o último faleceu alguns anos antes do pai. Linda (Jaime Lee Curtis) é casada com Richard Drysdale (Don Jonhson) e os dois são pais de Hugh Ramson (Chris Evans). Walter Thrombey (Michael Shannon) casou-se com Donna Thrombey (Riki Lindhome) e são pais de Jacob Thrombey (Jaeden Lieberher). Enquanto, Neil casou-se com Joni Thrombey (Toni Collette) e tiveram uma filha chamada Megan – ou Meg (Katherine Langford). Joni e Meg permaneceram próximas da família. Cada um deles depende de alguma forma da fortuna do Harlan, seja Linda e Richard por conta do investimento para que construíssem a empresa imobiliária que cuidam juntos. Walter comanda a editora dos livros do pai, a Blood Like Wine. Harlan pagava a faculdade da filha de Joni. Ransom tinha a vida bancada pelo dinheiro do Harlan.

Nos últimos anos, Harlan contratou Marta Cabrera (Ana de Armas) para ser cuidadora dele, o que acabou os tornando amigos também, já que ele era solitário. Ela também é interrogada pelos detetives Elliot e Blanc e o que mais traz um ar interessante a personagem é que ao mentir, a garota literalmente vomita. Ou seja, ela é praticamente obrigada a contar a verdade o que a torna interessante para Elliot e Blanc. Então, ela acaba revelando de alguma forma os segredos, já percebidos por Blanc durante os interrogatórios, da família Thrombey. Exceto Ransom, que não compareceu. Richard estava traindo Linda, Joni recebia o dobro do dinheiro para a faculdade da filha e vivia às custas de Harlan e Walter vivia discutindo com o pai para tornar vender os direitos dos livros para produção de filmes e séries. 

Conforme a noite da festa é reconstituída, nota-se que Harlan pretendia “cortar as asas”, nas palavras dele, de todos. Ele demitiria Walter, cortaria os pagamentos para Joni e Meg e contaria para Linda sobre a traição do esposo. Porém, ele não contaria a eles sobre a mudança em seu testamento de óbito, no qual deixaria tudo para Marta. Ransom estava lá naquela noite e na discussão com Harlan descobriu sobre o testamento, o que o enfureceu.

O mais interessante é que Marta será a primeira suspeita do crime, já que, antes de ir embora, ela acidentalmente trocou as medicações de Harlan e a dose de morfina dada a ele era fatal. Infelizmente, ela não encontra o antídoto e o velho a faz fugir dali, na intenção de salvar ela e a família – imigrantes ilegais –  da prisão e de serem deportados. 

No final, é descoberto o verdadeiro responsável pela tentativa de homicídio de Harlan e Marta não havia cometido crime algum. Ransom, em sua raiva e ganância, pega o antídoto da bolsa médica de Marta e troca o conteúdo dos frascos da medicação. Logo, quando Marta os troca novamente ela está dando as doses certas da medicação e Harlan não morreria, se não fosse o corte que ele mesmo faz na carótida para provar a tese de suicídio e livrar a jovem do julgamento. 

O ápice da trama só se apresenta quando a família Thrombey descobre que Harlan deixou tudo para Marta e tentam coagir a garota a renunciar a herança. Em diversos flashbacks da família Thrombey, surgem muitos comentários xenofóbicos e preconceituosos com a garota. Joni e Meg são as únicas que buscam entender melhor a realidade de Cabrera, embora, acabaram coagindo-a também. 

É possível sentir no ato de Harlan deixar a herança para Marta uma tentativa de reparação histórica e uma crítica a má distribuição de renda existente no mundo. Principalmente quando a maior parte dos xingamentos direcionados a ela pela família dele envolvem a nacionalidade da personagem. Dessa forma, a obra também satiriza a figura dos ricos com este comportamento bastante forçado e agressivo vindo deles de “não tirar o que sempre pertenceu a eles”. 

Historicamente falando, eles tiraram o que pertencia a ela anos atrás durante a colonização por exemplo. Há um paralelo aqui, com o filme Parasita do diretor Bong Joon-Ho, vencedor do Oscar de Melhor Filme em 2020, que é o comportamento parasitário que os personagens da família apresentam em relação ao Harlan Thrombey. Ainda mais quando se consideram livres e bem sucedidos por conta própria, o que não é real. A partir disso, há uma relação deste comportamento com o conceito de meritocracia por conta da crença de conseguir ser bem sucedido, mas não reparar que é por causa de diversos fatores conspirando para isso. 

A cena final traz um dos momentos mais marcantes da história, Marta na varanda da casa segurando a xícara de Harlan com a seguinte frase: Minha casa, minhas regras, meu café; com toda a família Thrombey a encarando do lado de fora. Trazendo uma retomada do que antes foi tirado dos ancestrais dela metaforicamente e que deve ser redistribuído.

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cinema

Infiltrado na Klan e a responsabilidade branca a respeito do racismo

Descubra as metáforas da realidade trazidas no filme de Spike Lee.

Fernanda Fernandes

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É notável como o filme de Spike Lee retrata através de uma história real, os
diversos comportamentos das pessoas perante o racismo e a diversidade. Por conta
disso, neste texto – assim como feito ao usar um personagem de “Uma Mulher
Fantástica”
para identificar o meu lugar de fala dentro de uma realidade que não vivo –
acho válido ressaltar que é uma análise a partir do ponto de vista de uma mulher branca,
que se ofende com todos os ideais de supremacia pregados pela Ku Klux Klan, mas não
conhece na vivência as situações principais abordadas pelo longa-metragem.

Em “Infiltrado na Klan”, baseado no livro de mesmo nome e escrito pelo próprio
Ron Stallworth, mergulhamos na história do policial, vivido por John David
Washington, que, além de ter sido o primeiro policial negro da polícia de Colorado
Springs, se infiltrou na organização supremacista branca KKK no final dos anos 70. É
essencial perceber como o filme retrata a dualidade de Ron, não só como negro e
americano, mas como negro e policial e as situações de racismo velado vividas por ele.

Stallworth é movido de departamento em departamento, sabendo que o que ele
realmente queria era ser um detetive infiltrado, o que consegue ao ser escolhido para
cobrir um evento da União Estudantil Negra. Mais tarde, ao ser realocado para o
departamento de inteligência, Ron liga para um telefone de um anúncio da KKK e se
passa por uma pessoa branca com um discurso racista. Ao lado de Flip Zimmerman
(Adam Driver), que é judeu, se infiltra na Klan em busca de saber qual era o nível de
ameaça da organização. No final, Ron chega a ‘fazer amizade’ com David Duke
(Topher Grace), líder da KKK na época e descobre até mesmo soldados do exército dos
Estados Unidos que faziam parte da organização.

Um dos personagens mais incômodos é o Chefe Bridges (Robert John Burke)
justamente por como ele reproduz o racismo velado em alguns momentos, podemos
reparar que em aspectos mais explícitos e cruéis o personagem já carrega uma
desconstrução. No entanto, em momentos como quando ele critica Ron por não
conseguir se controlar perto de um policial extremamente racista e ao mandar Stallworth para ser o guarda-costas de David Duke, arriscando a operação dele e de Flip como
policiais infiltrados, Bridges mostra que todos somos racistas e, mesmo repudiando os
atos mais explícitos e as falas mais ofensivas, temos muito para aprender.

Agora, falando de Patrice (Laura Harrier), a presidente da União Estudantil
Negra, e Ron, os dois personagens trazem duas formas bastante válidas de ativismo e
luta pela igualdade. Patrice, através das manifestações, da união e do conhecimento e
Ron, por meio da quebra de barreiras e da ação. Uma lição a ser ouvida, a partir da
relação destes personagens, e que serve para todos os movimentos que lutam por
igualdade, é que ambos os tipos de ativismo precisam estar unidos e fazer a diferença
juntos.

“Power to all the people” é com toda certeza o lema deste filme e da nossa realidade para combater a brutalidade policial e o genocídio negro que é retratado diversas vezes no filme, trazido na figura do policial Landers (Frederick Weller), ao assediar Patrice enquanto levava Kwame Ture (Corey Hawkins), que tinha sido convidado para falar com a União Estudantil Negra, para o hotel.

Flip Zimmerman é a representação de uma pessoa oprimida tomando consciência da opressão e se sentindo perdido sobre como entender esta lógica e lutar contra isso. Para ele, assim como para Ron, com toda a certeza verbalizar e escutar todo o preconceito reproduzido pela KKK foi doloroso. Então, após um tempo infiltrado na KKK, Flip começa a pensar sobre ser judeu e como as pessoas que participam daquela organização querem machucar pessoas como ele. Este ponto leva Zimmerman a entender que o perigo está mais perto do que ele imaginava e, pior, essas pessoas se julgam pessoas boas, pacíficas e completamente normais.

Definitivamente o momento mais interessante do filme é a sequência de cenas em que vemos a cerimônia de iniciação da Klan protagonizada por David Duke na qual todos assistem o filme Birth of a Nation que faz uma apologia clara ao racismo, e uma palestra de Jerome Turner (Harry Belafonte) contando sobre o momento em que viu um colega ser injustamente condenado por um estupro e torturado pela população de maneiras inimagináveis. Mostrando duas narrativas completamente diferentes uma da outra, havendo ‘duas’ verdades como se pedisse para o espectador escolher um lado. Acontece que, a narrativa da Klan é visivelmente fundada em ideias rasas e um completo discurso de ódio. Enquanto, a narrativa de Turner pede justiça.

Uma coisa que a sociedade precisa engolir é que o racismo é um problema de total responsabilidade dos brancos, e já está na hora de pessoas brancas tomarem seus devidos lugares de fala e de escuta para fazer a sua parte na resolução e reparação histórica do preconceito. Qualquer movimento que pede justiça, seja lá de que forma peça, como os movimentos negros, movimentos feministas, movimentos contra a homofobia, não devem ser colocados na mesma balança que movimentos como a KKK.

Esta verdade nos leva a falar sobre David Duke e a tentativa de legitimar a supremacia da KKK a partir da tentativa de desvencilhar a organização daquelas pessoas que são ignorantes a ponto de não serem mais aceitas na sociedade. Isto é uma tentativa de reviver os ideais Klan e conseguir que a organização chegue a política. Obviamente, com um discurso supremacista mais leve Duke alcança mais pessoas, como aconteceu em 2017 com as marchas na Virginia e o lema “White Lives Matter” para rebater o movimento Black Lives Matter.

Foi justamente este discurso mais leve que colocou pessoas como Donald Trump e Jair Bolsonaro na liderança de um país, afinal, quando o culpado da sua situação é um alvo claro e você quer destruí-lo ao invés de resolver o seu problema individual, o ódio se torna a resposta. É inacreditável como muitas pessoas brancas ainda sentem a necessidade de preservar a herança delas, que nunca foi destruída, e reafirmar privilégios que sempre tiveram. Acredito que já fizemos isso por tempo demais. Chega.

Infiltrado na Klan esta disponível no Telecine.

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Colunistas

13 Reasons Why e sua importância sobre a violência escolar

Entenda como a vivência escolar é apresentada dentro da série da Netflix.

Fernanda Fernandes

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Inevitavelmente 13 Reasons Why não é uma série para pessoas que sofrem de algum transtorno mental. O foco é propor um diálogo com as pessoas que desmerecem e desprezam estes transtornos e é justamente nisso que a proposta crua e dolorosa apresentada pela série da Netfflix se encaixa.

Recentemente o ciclo de 13 Reasons Why foi encerrado com a quarta temporada, que, embora confusa, ainda cumpre bem a sua proposta. Para compreender a história como um todo, é preciso resgatar seis personagens que possuem uma importância crucial: Hannah Baker (Katherine Langford), Tyler Down (Devin Druid), Bryce Walker (Justin Prentice), Montgomery de la Cruz (Timothy Granaderos), Clay Jensen (Dylan Minnette) e Justin Foley (Brandon Flynn). Existe um fator em comum entre todos estes personagens.

Começando por Hannah Baker, ela é a protagonista, ao lado de Clay, na primeira temporada. O que se torna mais intrigante sobre a personagem é como a história dela, exceto pela peculiaridade das fitas, é bastante comum. Podemos reparar que após uma série de abusos psicológicos, até mesmo sexuais, ela desmorona. E mesmo ao buscar ajuda, Hannah é silenciada pela obrigação de dizer quem foi a pessoa que fez aquilo com ela. Cedo ou tarde, seria necessário que ela dissesse, mas, isso não significa que ela precisava dizer naquele momento. Clay permeia todos os arcos dos personagens que falarei, e neste aqui, é no qual ele começa a ficar lentamente doente ao se culpar por não ter conseguido impedir a Hannah de cometer suicídio.

Já na segunda temporada, Tyler Down é o personagem que se torna o foco, mostrando uma reação diferente da apresentada pela personagem citada anteriormente. No caso, embora boa parte das situações vivenciadas por ele se assemelhem as situações da Hannah, ele pensa em vingança. Vale lembrar que Clay, já perturbado, é visto como uma das causas do personagem, justamente porque Jensen também queria vingar a Hannah e Tyler tinha feito algo ruim a ela. O personagem vivido por Devin Druid compra armas clandestinamente e ameaça abrir fogo no baile da escola, até que Clay o convence a não fazer isso.

Neste momento, chegamos ao personagem mais emblemático da série: Bryce Walker. Antes de comentar sobre ele, é essencial recordar-se de que Walker não é uma vítima de nenhum dos atos que cometeu, seja o estupro da Hannah, da Jessica Davis (Alisha Boe). Assim como, Montgomery de la Cruz, também não é vítima do que fez com o Tyler e sido um bully na Liberty High School. Eles são a representação do que pode haver de pior dentro de uma escola, mas algo em comum os une: o comportamento conservador e extremamente agressivo. Chegando ao nível em que Monty reprime e esconde a sua homossexualidade porque se sente em conflito com isso. No entanto, Bryce e Monty são a soma do que aprenderam em casa e do que o mundo prega como correto, a única coisa que os separa dos outros, fora os crimes que cometeram, é que eles acataram essa realidade como correta e saem impunes do que fizeram porque possuem suporte para isso.

Outro fator interessante do arco destes personagens é que eles desmistificam a ideia de que o estuprador é um desconhecido distante da vítima e não alguém que as pessoas gostam e veem todos os dias. Em cerca de 70% dos casos de estupro no Brasil, o agressor conhece a vítima, seja ele parente, namorado, amigo ou somente um conhecido, segundo uma pesquisa elaborada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em 2018.


Por fim, o último arco é o de Clay Jensen e Justin sobrenome, já vivendo como irmãos desde a terceira temporada. Durante toda a última temporada, Clay já tem diversas crises de pânico (advindas de todas as suas experiências na escola) e tenta incansavelmente ajudar todos os seus amigos. Enquanto Justin se esforça para se manter sóbrio e melhorar. Definitivamente Justin não era o personagem que merecia morrer nesta temporada. Mas o contexto em que ele vive junto de Clay e todos os amigos o leva a voltar as drogas. A sensação é de que Clay se sente importunado por perder o posto de ‘bom filho’ para Justin perante os pais que não sabem muito bem como o ajudar.

Qual o denominador comum entre todas estas histórias? A vivência escolar tóxica. Um ambiente que se tornou um laboratório experimental em menor escala do que fizemos da sociedade como um todo. Contudo, os efeitos colaterais de um lugar que deveria abrigar o aprendizado e ser refúgio, mas se tornou um pesadelo são inúmeros e um mais assustador que o outro.

13 Reasons Why acaba se tornando uma série sobre o ambiente tóxico da escola, e não só o suicídio.

Esse sistema está matando jovens todos os dias e é preciso começar um diálogo frequente sobre isso.

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