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cinema

Moonlight “Retrata de forma poética as dificuldades dos homossexuais e negros”

Natalia Lessa

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“Todo criolo é uma estrela” (Every nigger is a star), música de Boris Gardner, é o primeiro contato do espectador com o filme Moonlight, antes da cena inicial. A história em 3 atos, conta as fases da vida de Chiron. Pobre, negro e homossexual, o personagem segue um caminho de autoconhecimento e de sobrevivência em meio a um cenário de drogas e violência.

Com oito indicações ao Oscar, incluindo o de melhor roteiro adaptado e melhor diretor para Berry Jenkins, Moonlight retrata de forma poética as dificuldades de aceitação aos padrões da sociedade, tanto pela cor da pele quanto pela orientação sexual.

O espectador acompanha as três fases da vida de Chiron, interpretadas de forma coesa e comovente na infância pelo ator Alex Hibbert, na adolescência por Ashton Sanders e na fase adulta por Trevante Rhodes. Destaque para o personagem de Mahershala Ali, apesar da pequena participação representa a figura paterna e cativante na vida de Chiron.

Mesmo com o foco voltado para o universo masculino, Naoemi Harris é destaque no papel da mãe ausente e dependente químico. E do outro lado, equilibrando a trama, o papel interpretado pela cantora Janelle Monáe, como segunda mãe de Chiron.

A direção de Jenkins brinca com os padrões e deixa a câmera fluir. O recurso estilístico do foque e desfoque também se torna presente na maioria dos enquadramentos causando sensação de um mundo incerto e distorcido no qual o personagem faz parte.

O filme trabalha muito bem as nuances de silêncio e introspecção de Chiron transformando os enquadramentos em verdadeiras poesias visuais, que interligam os diferentes momentos do personagem. Tudo isso acompanhado de uma trilha sonora brilhante, ora respirando a música clássica, ora trazendo o R&B e, no final, com um toque especial de Caetano Veloso.

Moonlight vai além de um filme, é o grito de um povo que resiste e busca representatividade, tema bastante questionado no Oscar de 2015, e que este ano, ainda que timidamente, garante seu espaço na premiação. “Não tem lugar no mundo que você vá e não tenham pessoas negras” diálogo do personagem de Ali.

Corajoso ao abordar a questão racial e a homossexualidade de uma única vez, Moonlight termina na sala de cinema e continua reverberando em nossas mentes.

Moonlight – Sob a luz do luar estreia dia 23 de fevereiro no Brasil.

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