A intensa guerra pelo controle de um dos conglomerados de mídia mais valiosos do mundo chegou a um desfecho surpreendente. A Netflix decidiu não aumentar sua oferta pela compra da Warner Bros. Discovery, abrindo caminho para que o lendário estúdio seja adquirido pela Paramount Skydance.
Essa movimentação rápida pegou os investidores de surpresa no mercado financeiro. A gigante do streaming optou por se afastar imediatamente das negociações após a Warner declarar a proposta da Paramount como superior, mesmo ainda tendo quatro dias úteis para avaliar uma contraproposta.

O recuo da plataforma de streaming chamou ainda mais atenção por conta dos esforços recentes de seus executivos. Horas antes do anúncio, o co-CEO da Netflix, Ted Sarandos, estava em Washington para pressionar autoridades governamentais a favor da fusão que sua empresa já tinha em andamento.
No entanto, a nova oferta de 31 dólares por ação apresentada pela Paramount mudou completamente o cenário. Em um comunicado conjunto, Ted Sarandos e Greg Peters explicaram que a empresa possui uma forte disciplina financeira e que cobrir o valor exigido tornaria o acordo pouco atraente para os cofres da companhia.
Os executivos da plataforma ressaltaram o respeito pela gestão de David Zaslav e pela equipe da Warner, elogiando a condução rigorosa do processo. Eles afirmaram que seriam ótimos guardiões para as marcas icônicas do estúdio, mas destacaram que a compra era apenas uma oportunidade interessante, e não uma necessidade a qualquer custo.
Com o fim do acordo de quase 83 bilhões de dólares, a Netflix agora foca em seu próprio crescimento orgânico. A empresa confirmou que investirá cerca de 20 bilhões de dólares em filmes e séries originais este ano, além de retomar o seu programa de recompra de ações para gerar valor a longo prazo aos acionistas.

Do outro lado da negociação, a proposta vitoriosa da Paramount Skydance alcançou a marca astronômica de aproximadamente 111 bilhões de dólares por toda a operação da Warner. Esse valor engloba não apenas a divisão de cinema e o streaming Max, mas também toda a rentável rede de canais lineares a cabo.
O CEO da Warner Bros. Discovery, David Zaslav, adotou um tom otimista ao comentar o encerramento das conversas com a Netflix. Ele agradeceu a parceria dos executivos do streaming durante o processo e celebrou o imenso valor que a união com a Paramount trará para o futuro do entretenimento global.
Para garantir a vitória, o conselho da Paramount ofereceu garantias financeiras robustas que tranquilizaram a diretoria da Warner. O acordo inclui uma taxa de rescisão regulatória de 7 bilhões de dólares, além do compromisso da Paramount em pagar a multa de 2,8 bilhões de dólares que a Warner deve à Netflix pela quebra do contrato anterior.

Os bastidores de Hollywood agora vivem um clima de apreensão com a fusão de dois dos estúdios mais tradicionais da indústria. Profissionais do setor já se preparam para uma inevitável onda de demissões, considerando a grande sobreposição de funções nas áreas de produção e programação de TV e cinema.
A vitória do CEO da Paramount, David Ellison, também altera o destino das propriedades de televisão da Warner. A ideia inicial de separar canais como CNN, TNT, Discovery Channel e HBO em uma nova empresa foi descartada com a consolidação deste novo acordo.
Agora, essa vasta coleção de emissoras deverá ser integrada ao forte grupo de mídia da Paramount. A expectativa do mercado é que essas redes operem sob a supervisão de George Cheeks, executivo que atualmente já comanda as operações da rede CBS e terá um papel fundamental nesta reestruturação histórica.



