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O artista cria, o “nerd” mata

Roberto Borba Júnior

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LOJA DC 4

*Este é um artigo de opinião e não reflete a opinião do Cabana do Leitor, somente a do autor do texto.

Por um longo período, desde a saudosa época das comunidades do Orkut, eu costumava participar mais de grupos de discussão sobre assuntos nerds e não eram raras as vezes em que ocorriam discussões mais acaloradas entre os membros. Naquela época, já era possível testemunhar alguns seres intolerantes nas redes sociais, disparando o seu ódio e revestidos da “pseudocoragem” que as redes permitem por conta do anonimato e da distância.

Com o tempo, notei que aquilo me estressava tanto que não era produtivo ficar tocando tambor para maluco dançar. Valia mais debater com os colegas do dia-dia e deixar o ser vivo da internet gritar sozinho no deserto.

Entretanto, se há algo que realmente me incomoda, nos tempos atuais, são as notícias sobre ataques de “fãs” a profissionais do entretenimento e como muitos desses profissionais reagem a isso, desde alguns apagando suas contas pessoais até outros que não querem mais trabalhar com esse mercado. A pergunta que fica diante dessa babaquice é: O que esses fãs esperam ganhar?

The Incredible Hulk (2008) Hulk

Eu até compreendo que exista o descontentamento com eventuais mudanças que a indústria faz com os personagens e franquias que tanto amamos. Todo nerd possui um pouco de purismo e torce o nariz para eventuais alterações. Por exemplo, eu não gosto da origem do Hulk, no MCU. Preferia que fosse fiel ao Universo 616. Mas, paciência. Eu não gosto e vida que segue. Agora, ficar chorando nas redes e atacando as pessoas me parece uma atitude, no mínimo, imbecil.

Uma coisa deve ficar clara: Quando um filme novo é lançado, ou um livro/HQ é escrito, ninguém é obrigado a comprar. Todos nós somos, em grande medida, consumidores e, se não agradar, basta não consumir mais. Por um bom tempo eu deixei de acompanhar os quadrinhos mensais da Marvel e da DC por conta da qualidade das histórias. E ainda que eu os consuma, isso não me dá o direito de sair gritando “O que você fez com o meu personagem?!”. Até porque, a menos que você seja um acionista da empresa responsável pelo material, o personagem não te pertence. E aqui não é apenas uma questão de compreender, mas de aceitar.

Eu não estou dizendo que ninguém deve mais debater e todos devem se enfiar em uma caixa. Muito pelo contrário. Todo debate é enriquecedor e serve como evolução. O problema é tomar para si algo que não te pertence e achar que pode ofender os outros com isso. Não faz o menor sentido!

E não adianta falar que você leu todos os quadrinhos, ou viu todos os filmes e bla, bla, bla. Isso só significará que você tem muito tempo livre. Ser conhecedor profundo não legitima nenhuma agressão.

Como disse, há um modo muito simples de protestar contra o que você não gosta: Se não gosta, não consuma. Não veja os filmes. Não leia os livros/HQ. A indústria tende a se mexer quando o bolso aperta e se preocupará em produzir algo melhor para todos, dessa forma. Esse é o modo mais digno dos fãs declararem o seu descontentamento para defenderem aquilo que amam.

Veja nossa critica do filme Arranha-Céu: Coragem Sem Limite:

Roberto Borba Júnior
Advogado, Neurocientista, fotógrafo e baixista
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