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Livros

O Pequeno Príncipe: história é personalizada com o nome e características do leitor

O título Pequeno Príncipe agora faz parte do Clube da Dentro da História, onde todo mês é recomendado um livro de atividades infantil.

Mylla Martins de Lima

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Dentro da História é uma plataforma que trabalha com livros personalizados para maior imersão dos pequenos. Diversas obras infantis já estão disponíveis com personagens famosos, chegando a vez do Pequeno Príncipe, clássico da literatura mundial que conta a história da amizade de um aviador com um jovem príncipe, morador de um asteroide.

O Pequeno Príncipe, originalmente Le Petit Prince, foi escrito pelo francês Antoine de San-Exupéry em 1943, e é uma das histórias mais traduzidos no mundo, em aproximadamente 160 idiomas, sendo também um dos mais vendidos até hoje. Marcado pelo alto teor filosófico e poético, trazendo reflexões sobre amizade, responsabilidade e essência, o livro conquista não só o coração das crianças, mas dos adultos também.

“Ler O Pequeno Príncipe é uma experiência marcante e cria uma memória afetiva para a vida toda. Ser O Pequeno Príncipe ou A Pequena Princesa é ainda mais impactante. A criança enxerga seu protagonismo diante do mundo“

André Campelo, CEO da Dentro da História

É a primeira vez em que o Pequeno Príncipe original cederá lugar às características físicas e de gênero durante uma narrativa, isso para que o leitor tome seu lugar como protagonista e sinta-se encaixado na história, que levará até mesmo o seu nome. Todo o trabalho de tradução e adaptação é feito por Sheila Dryzun, em parceria com Dentro da História e Estrela Cultural.

O Clube da Dentro conta também com clássicos do folclore, super heróis, times e até com livros de temáticas sensíveis e comportamentais. Para assinar é muito fácil, é só clicar aqui. Logo depois os pais precisam responder um questionário sobre a idade da criança, personagem que deseja receber no primeiro mês, os livros que não podem ficar de fora e, por fim, os temas que querem abordar com os pequenos.

Ao todo, são 24 possibilidades para deixar a leitura mais prazerosa aos pais e aos filhos.

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HQs

Resenha | Daytripper

Se morremos a cada dia, quando teremos tempo para viver?

Rodrigo Roddick

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O que você faria se não precisasse fazer o que está fazendo agora? Agora. Uma palavrinha pequena que muitos valorizam, mas poucos entendem seu valor ou sequer exercem-no. Daytripper vem contar como a “nossa vida inteira” é feita de vidas e mortes, de como cada momento vivido pode ser o último.

Dos premiados irmãos gêmeos Fábio Moon e Gabriel Bá – que ficou mais evidente agora devido à série The Umbrella AcademyDaytripper foi publicada pela primeira vez em 2010 pela DC Comics através do selo Vertigo. Aqui no Brasil, a Panini é a responsável por imprimir as edições da DC. Logo no ano seguinte, a obra levou três importantes prêmios: o Eisner, na categoria Melhor série limitada; Harvey, em Melhor edição única; Eagle, em Novo comicbook favorito.

Daytripper percorre a vida Brás de Oliva Domingos, um escritor de obituários que sonhava em escrever um romance de sucesso. Todo o enredo tem como palco nosso maravilhoso país. O livro é separado em nove capítulos que recorta momentos distintos da vida de Brás intercalados fora de ordem cronológica e revelando suas diferentes idades. Ao final de cada capítulo, Brás morre de maneira diferente, e como nos desenhos animados, a história continua como se ele não tivesse morrido. 

Esta é a primeira coisa que chama atenção do leitor porque revela o tema da história. O dia a dia que nos mata. A discussão que a HQ propõe é fazer o leitor levar sua atenção ao que lhe faz viver de verdade. A vida não é esta rotina urbana que os adultos sustentam com afinco, a vida é muito mais e muito menos que isso. A vida é viver. Mas, dentre os milhares de significados que podemos dar à vida, viver é fazer aquilo que amamos. E quanto tempo perdemos para fazer o que a gente quer? Quanto tempo levamos para apenas descobrir o que a gente ama?

Viver o momento não é apenas uma questão de estar presente em um lugar. Isso você pode conseguir indo em um hospital. A diferença no viver está no optar por estar ali e querer gastar seu tempo naquele momento. E o mais interessante é que sequer damos importância para a palavra tempo quando estamos realmente vivendo. Porque viver é infinito em cada momento.

Além de relembrar com bastante propriedade aquilo que falta para preencher nosso vazio (viver?), Daytripper propõe uma maneira da pessoa estar no constante movimento da vida: sonhar. Não se engane. Mesmo analisando planilhas no décimo andar de uma torre empresarial ou deitado em uma rede ao sol brilhante de uma ilha, todos nós temos sonhos. Todos nós queremos realizar esses sonhos. Os sonhos são a nossa vida. São eles que realizamos (ou deveríamos) a cada batida do coração.

Impossível não construir um paralelo dessa dialética com Sandman, que trata das várias manifestações do sonho. Ambas as obras ressaltam que tentar realizar os sonhos, correr atrás deles e realizá-los é o que significa viver para seres como nós, que possui a capacidade de raciocinar.

O trabalho gráfico e as cores acompanham a linha de pensamento da história, pois os recortes de quadro a quadro focalizam expressões necessárias para apoiar o tema. O tom meio “desbotado” das cores faz o leitor perceber em quais momentos a vida de Brás era sem graça e em quais ela foi colorida

Os gêmeos souberam trabalhar em equipe, pois o desenho de Bá dava às palavras de Moon a densidade que elas evocavam. Assim como há quadros em que o holofote está nas palavras, também há outros em que Bá continua a narrativa sem dizer uma palavra sequer, apenas com seus traços.

Sonhar é viver. Viver é agora. Não há nada para nós no futuro, exceto a morte certa.

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Resenha

Resenha | Para Toda Eternidade

Vida é a dádiva da morte: assim vivemos o presente.

Rodrigo Roddick

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A Morte não é uma entidade. A morte não é assustadora. E, ainda, a morte jamais foi vilã ou contrária à humanidade. A morte é apenas um ponto crucial na transformação por qual toda forma de vida passa. Para Toda Eternidade vem mostrar ao público, através de culturas distintas sobre funerais, como esta palavra que assombra o ser humano em particular é, na verdade, um presente.

Publicado no Brasil pela Darskside Books, o livro Para Toda Eternidade compreende-se em várias viagens ao redor do globo sobre diferentes maneiras de conduzir um funeral adequado e respeitoso ao falecido. A autora Caitlin Doughty é também uma agente funerária e, através de seu canal no Youtube, fala sobre o tema morte com um incomum humor descontraído. O volume contém ilustrações de Landis Blair, que dá traços e contornos à imaginação do leitor.

É possível observar como Caitlin trata a morte com naturalidade nas primeiras linhas de seu livro. Gisele Adissi (que é presidente da Sincep e Assembra – Sindicato e Associação dos Cemitérios e Crematórios Particulares do Brasil, além de cofundadora do projeto “Vamos falar sobre luto?”) ao prefaciá-lo, contribui para destacar o tom que a narrativa vai seguir até sua conclusão.

“Sonho com o dia que frases como ‘ah, esse foi o melhor funeral da minha vida’ serão corriqueiras” inicia Gisele.

A partir disso, a autora começa provocando o leitor com uma diferente cremação: a única pira comunitária nos Estados Unidos e no mundo ocidental. Trata-se de um costume praticado em Crestone, no Colorado, que convida os parentes e familiares a assistir à cremação do ente falecido ao ar livre no meio de um círculo formado por lenhas. 

A simplicidade do processo pode chocar o leitor, mas traz mais naturalidade ao funeral, além de dar mais tempo aos parentes para se despedir do ente querido. Revelando esta prática um tanto mais artesanal, Caitlin critica os processos industriais, como eles costumam cobrar valores exorbitantes por apenas algumas horas e como ainda colocam os familiares a metros de distância do falecido.

“Na minha função de agente funerária eu descobri que tanto limpar o corpo quanto passar tempo com ele exercem um papel poderoso no processamento da dor. Isso ajuda as pessoas a verem o cadáver não como um objeto amaldiçoado, mas como um belo receptáculo que já abrigou seu ente querido”

Do outro lado do globo, a autora aumenta a provocação. Em uma das ilhas da Indonésia, os nativos celebram a morte de outra maneira. Celebrar é a palavra, pois em vez de chorar pelo falecimento do parente, as pessoas mumificam seus mortos e após algum tempo eles o retiram do túmulo e o vestem com suas roupas

Ritual Ma’nene na Indonésia | Foto: reprodução/Darkside Books

Na cultura deles, quando a pessoa morre, ela não está morta de fato, apenas doente. A morte só vai ocorrer quando eles realizarem um ritual em que alguns animais são sacrificados, geralmente porcos. Só então, junto da morte do animal, a alma se desliga do corpo cadavérico e morre. Inclusive, levar um porco para o funeral é sinal de respeito à família.

Entre o desenterro e o funeral, os familiares levam o morto para casa ou o colocam em uma “casa-túmulo” e o tratam como se estivessem vivo. Eles trocam suas roupas, levam comida e até conversam com os falecidos, acreditando que isso é uma forma de se conectar aos seus espíritos. Todo esse tempo é compreendido como o ritual Ma’nene.

Para Toda Eternidade perpassa as câmaras funerárias modernas do Japão e visita as ñatitas na Bolívia. Desse modo, Caitlin Doughty vai desmistificando a personagem que apavora muitas pessoas no mundo ocidental. Além disso, ela explica através de sua experiência nessas viagens como os funerais em que o cadáver é aberto e seus órgãos são expostos para urubus comerem são mais naturais que colocá-lo em um caixão debaixo da terra, como geralmente fazemos por aqui.

A autora ainda conta como o festival de “O Dia dos Mortos” realmente surgiu no México. Este é um caso legítimo de como a vida imitou a arte, pois foi o filme 007 contra Spctre (2016) – em que o protagonista aparece em um festival no Días de Los Muertos – que incitou o governo da Cidade do México a criar a celebração por lá. O receio do governador era que as pessoas começassem a procurar por um cortejo que não existia.

Costurando Para Toda Eternidade com todo cuidado, Caitlin vai atando uma cultura na outra para mostrar ao público, principalmente ao ocidental, que nós devíamos seguir o exemplo de outros países e buscar um funeral mais humano e mais feliz. Afinal, quando uma pessoa sai da escuridão da morte para vida, ela é recebida com muita alegria e todo o conforto que um nascimento deve ter, mas na morte não fazemos igual. 

“As páginas deste livro são feitas da polpa de madeira de uma árvore derrubada no ápice de sua vida. Tudo que nos cerca vem da morte, todas as partes de todas as cidades, e todas as partes de todas as pessoas”

Hoje, em pleno dia de Finados, que também é um dos festejos mais importantes na extinta cultura celta, os espíritos dos mortos estão caminhando pela terra. É o momento para pensarmos se queremos que eles nos vejam tristes por sua partida ou felizes por estarem em um lugar melhor.

A verdade, intrínseca nas páginas de Para Toda Eternidade, é que a morte é uma dádiva para vida, pois tonifica a necessidade de viver o momento; é por isso que se chama presente.

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cinema

Mês do Horror | A Origem do Halloween

Como as fantasias, decorações, bailes, “gostosuras ou travessuras” e as abóboras surgiram?

Rodrigo Roddick

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Cuidado! Chegou o Halloween! E neste dia as almas dos mortos podem caminhar pelo mundo dos vivos! A festa como hoje é conhecida compreende em se fantasiar de criaturas sombrias e sair de porta em porta caçando doces – em países de colonização inglesa. Aqui no Brasil a tradição, chamada de Dia das Bruxas, não se estabeleceu dessa forma devido ao processo histórico que formou o país. 

A Celebração da Morte ganhou um contorno bastante lúdico nos dias de hoje, porém nasceu de diversas origens europeias. As mais conhecidas delas se remetem à cultura celta e aos costumes cristãos. O que o Halloween tem a ver com o cristianismo? Tudo. Na verdade, até mesmo o nome “halloween” se origina desta vertente.

Nesta matéria, o leitor vai conhecer essas duas origens, a relação do festejo com as bruxas, a origem do nome e das fantasias, até mesmo da expressão “gostosuras ou travessuras”

Halloween: o Dia das Bruxas?

A palavra Halloween é o resultado do processo por qual passou a expressão “All Hallows’ Eve”, que significa véspera do Dia de Todos os Santos. O termo compreende uma das datas programadas pela igreja católica do cortejo aos mortos que se encerra no Dia de Finados (2 de novembro). Ele passou pelas formas  “All Hallowed Eve” e “All Hallow Een”, antes de chegar ao nome que conhecemos hoje. Pela contração, a expressão utilizada para definir a véspera se transformou em “halloween”, aparecendo pela primeira vez em cerca de 1745.

O outro nome do Halloween é Dia das Bruxas, mas não tem muito a ver com bruxas. O mesmo preconceito difundido pelo olhar cristão sobre as tradições célticas – um dos povos que eles suprimiram – acerca do nome “bruxa” envolve a razão de chamar esta data dessa forma. Bruxa, de acordo com o cristianismo, era toda e qualquer mulher que se deitava com o diabo, e como a igreja – principalmente a protestante – demonizava tudo que não era cristão, passou a traduzir a data como Dia das Bruxas.

Origem Celta

Quando a Europa era dividida por povoados e não por fronteiras de países, os povos não tinham terras definidas e, por vezes, mudavam de território. Embora a cultura celta tenha percorrido grande parte do continente, eles foram sendo reduzidos e passaram a se concentrar nas ilhas do Reino Unido – o que já aponta como as tradições de Halloween foram parar nos Estados Unidos

Os celtas comemoravam a passagem do verão para o inverno com um festival chamado Samhain – que significa literalmente “fim do verão”, ou como os celtas gostavam de chamar “morte do verão”. Ele era celebrado entre 30 de outubro e o início de novembro, podendo ocorrer até o dia 5 ou 7, quando era comemorada a passagem de ano deles (os anos na época era marcados pela mudança cíclica). 

O Samhain também tinha o objetivo de cultuar os mortos e a deusa YuuByeol, que era o símbolo da perfeição celta. Em cada dia acontecia uma festa específica. A “festa dos mortos” era uma das mais importante porque celebrava a comunhão entre o céu e a terra. ⠀

Nas tradições celtas originais não existiam os conceitos de céu, terra e inferno; eles chegaram mediante às invasões romanas. Para os celtas, os mortos viviam em um lugar de felicidade perfeita, onde não havia sofrimento. Os druidas presidiam as festas como médiuns, realizando a comunicação entre os mortos e seus entes queridos. Inclusive, em tempos imemoriais – que formaram as civilizações no início dos tempos – a palavra “bruxa” significava “aquela que fala com espíritos”, tal como os médiuns. 

Na cultura celta acreditava-se que no Halloween os mortos podiam caminhar pela terra, voltar aos seus lares antigos, visitar parentes e guiar os que morreram recentemente ao lugar perfeito onde “vivem”.

Por isso, muitas pessoas deixavam espaços em suas mesas para serem ocupadas pela alma dos familiares que morreram. Justamente por eles acreditarem em um além-morte de perfeição, o Samhain não tinha uma conotação sombria. Isso só aconteceu com o choque de culturas devido aos romanos invadirem as terras célticas e introduzirem o cristianismo.

Origem Cristã

Apesar do encontro entre as duas culturas, o catolicismo, desde o século IV, tinha seu próprio dia para celebrar “Todos os Mártires” da igreja. Uma data dedicada a comemorar e lembrar das pessoas que tiveram a vida transformadas pela fé, mas ela até então não era celebrada no dia 31 de outubro, e sim no dia 13 de maio.  

31 de outubro foi estabelecido como principal data do Halloween devido às atividades de três importantes papas. 

Primeiro, o papa Bonifácio IV assumiu um dos templos em honra a todos os deuses pagãos e o transformou, dedicando a “Todos os Santos” da igreja católica e escolhendo o 1º de novembro para homenagear à capela. 

Posteriormente, o papa Gregório III conciliou a comemoração de Todos os Mártires (13 de maio) com a homenagem da Capela de Todos os Santos (1 de novembro), fechando esta última como data oficial. Contudo a comemoração ainda era algo isolado naquela região. Somente em 840, o papa Gregório IV ordenou que a data fosse comemorada universalmente. Mas o que tudo isso tema ver com dia 31 de outubro do Halloween?⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀

Como o Dia de Todos os Santos era uma data muito importante para a igreja, o cortejo ganhou mais duas festas – uma de véspera e outra posterior – e ficou organizada da seguinte forma:

  • 31 de outubroAllhallowtide, a Noite de Todos os Santos; nesta noite de véspera, os fiéis rezavam por todos os mortos, sem distinção. (Nota: All Hallow’s Eve = Halloween; pelo sincretismo religioso, algumas tradições celtas foram mantidas). 
  • 1 de novembroHallowtide, Dia de Todos os Santos; este era dedicado apenas aos santos da igreja católica.
  • 2 de novembroAllsaintstide, Dia de Todas as Almas; já este era dedicado a todos os cristãos fiéis e parentes convertidos na hora da morte.

Com a invasão romana nas ilhas da Grã-Bretanha, as tradições católicas e célticas de celebração dos mortos se misturaram. Como os celtas transmitiam sua cultura oralmente, ela passou a ser esquecida e modificada pela igreja. Muito do que se conhece hoje sobre o Halloween, inclusive, sobreviveu graças à absorção da cultura celta pela cristã, que desenvolveu o costume de documentar tudo o que aprendia.

O Halloween no século XXI

Como nasceu o costume de usar fantasias sombras, decorar a casa e sair por aí recolhendo doces gritando “gostosuras ou travessuras”? Tudo isso foi se estabelecendo como celebração do Halloween através do passar dos anos devido às comemorações particulares de cada povo.

Por exemplo, de acordo com a origem celta, o véu entre os dois mundos estava frágil, por isso os mortos podiam caminhar no mundo dos vivos na época do Halloween – os católicos também acreditavam nisso – entretanto os cristãos achavam que não apenas os bons espíritos caminhariam pela terra (os protestantes os encaravam como demônios) então, para assustá-los e impedir que um espírito reconhecesse um vivo, costumava-se usar máscaras ou pintar o rosto, ocultando assim sua identidade. 

De acordo com os celtas, os espíritos quando reconheciam seus familiares ficavam acompanhando-os e não queriam voltar para o mundo perfeito da morte.

Outro fator que contribuiu para o imaginário acerca do Halloween foi a peste negra (XIV e XV). Ela matou metade da população europeia, criando nos católicos um grande temor da morte e consequentemente o aumento dos cultos religiosos. Estes eram seguidos por encenações e danças com pessoas fantasiadas, inclusive da personagem Morte, a quem todos um dia chegaria. Alguns fiéis, na data, enfeitavam cemitérios com diabos puxando uma série de criaturas para o inferno; papas, reis, padres, leprosos, damas, camponeses etc.

Possivelmente, a evolução destes costumes originou os bailes de máscaras, a tendência de se fantasiar e decorar as casas. Mas e quanto aos doces?

Na idade média, o dia de finados era conhecido como o Souling (“soul” = “alma”). As crianças iam às casas alheias pedindo um “bolo das almas” em troca de uma oração pela alma dos parentes mortos da pessoa. A tradição se manteve durante a idade moderna, quando a expressão “trick or treat” (“gostosuras ou travessuras”) surgiu. Ela teve origem na Inglaterra entre 1500 e 1700 em meio ao protestantismo e teve um marco icônico retratado pela DC Comics nas novelas gráficas “V de Vingança”: o 5 de novembro de Guy Fawkes.

A Gunpowder Plot (Conspiração da Pólvora) era o plano de Guy para explodir o Parlamento inglês e matar o rei protestante Jorge I, restituindo a glória dos católicos oprimidos. Mas o plano foi descoberto no dia 5 de novembro de 1605, quando encontraram pólvora na casa de Guy Fawkes, culminando em seu enforcamento logo em seguida. 

Devido ao seu heroísmo – como é considerado pelos católicos – a data de sua morte passou a ser celebrada e existe até hoje, mas muitos protestantes a usavam na época para visitar a casa de católicos e exigir cerveja e pastéis sob a alegação de provocar travessuras; assim nasceu o “trick or treat”. Quando os ingleses chegaram na América do Norte, eles levaram a celebração de Guy Fawkes, mas como os irlandeses já tinha introduzido o Dia de Todos os Santos, os colonos conciliaram a data – já que era próxima – com o Halloween, incorporando a expressão “gostosuras ou travessuras” à festa.

Abóbora: o Símbolo do Halloween

O adereço conhecido como Jack’s Lantern, que é uma abóbora caricata com interior iluminado por uma vela, surgiu da lenda de Jack O’ Lantern (Lanterna de Jack), por isso o nome Jack.

A lenda também fazia parte dos festejos de Samhain na Irlanda – provavelmente pós sincretismo com o cristianismo – e versava sobre Jack, um alcoólatra que em seus porres cruzava com o Diabo, geralmente no dia 31 de outubro, que vinha recolher sua alma ao inferno. Mas Jack era esperto e sempre enganava o Diabo e voltava a viver por mais tempo. 

A princípio ele tentava levar uma vida correta para ir ao Céu quando morresse, mas sua determinação falhava e ele voltava a ser o incorrigível cachaceiro e espertalhão. Por isso sua alma foi recusada no Céu. Como estava morto, seu único caminho era o inferno, mas o Diabo, sentindo-se muito humilhado por suas peripécias, o expulsou de lá, porém lhe presenteou com uma brasa capaz de iluminar o limbo, o caminho para fora do inferno. Para que o fogo durasse mais tempo, o Diabo aprisionou a brasa em uma raiz. 

Portanto em todo dia 31 de outubro, Jack O’ Lantern passeia entre mundos guiando as almas perdidas com sua lanterna. 

Na Irlanda, o costume era usar nabos e beterrabas (que são raízes) com uma luz dentro. Mas com a chegada dos imigrantes na América, eles perceberam que havia muito mais abóboras lá que as raízes tradicionalmente utilizadas, então passaram a usá-las, construindo assim o símbolo do Halloween.

Essas tradições foram difundidas pelo mundo com a colonização e a descoberta das Américas, resultando em uma festa multicultural atendendo pelo nome popular Halloween, ou como é conhecido no Brasil, Dia das Bruxas.

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