Após a estreia da segunda temporada, a série live-action de One Piece da Netflix já cobriu apenas cerca de 13% dos capítulos publicados do mangá — e isso já diz muito sobre o tamanho do desafio que a produção tem pela frente. Os próprios produtores da série admitem que seriam necessárias pelo menos seis temporadas para cobrir metade da história, e cerca de doze para contar tudo do início ao fim.
Se a Netflix mantiver o ritmo atual de lançamentos, essa conta pode levar facilmente duas décadas para fechar. A primeira temporada estreou em agosto de 2023, e a segunda só chegou em março de 2026 — quase três anos de espera entre uma e outra, em grande parte por conta da greve dos roteiristas e atores de Hollywood em 2023, que atrasou o início das gravações.

Há dois problemas concretos nessa equação. O primeiro é o ritmo da própria Netflix, que historicamente demora para entregar novas temporadas de séries com produções complexas.
O segundo, e talvez mais delicado, é o envelhecimento natural do elenco. Iñaki Godoy, que interpreta Monkey D. Luffy, tem 20 anos. Em doze temporadas a esse ritmo, ele estaria perto dos 50 interpretando um personagem eternamente jovem e cheio de energia.

A terceira temporada já está sendo gravada em Cidade do Cabo, na África do Sul, com estreia prevista para o verão de 2027, e a expectativa é que a produção se torne mais ágil com o tempo, já que as equipes e os sets estão cada vez mais consolidados. O paralelo com a série de Harry Potter da HBO Max é inevitável: lá, a estratégia é gravar as temporadas o mais rápido possível justamente para que os atores infantis não envelheçam demais ao longo das gravações.
A série foi renovada para uma terceira temporada em agosto de 2025, antes mesmo da segunda chegar ao ar, o que demonstra a confiança da Netflix no projeto — e também a consciência de que, para uma história dessa escala, qualquer interrupção poderia ser fatal para a continuidade.




