Robert Patrick

Pacificador | Auggie Smith é o nosso reflexo no espelho

Pacificador temporada 2 episódio 7 mostra Auggie Smith, Robert Patrick, em dilema moral que espelha nossa passividade diante da violência.

Ed Rezende
Ed Rezende
Produtor, escritor nas horas vagas, administrador, editor e fundador do site CDL.

O episódio 7 da segunda temporada de Pacificador, da DC Studios na HBO Max, apresentou o personagem Auggie Smith, interpretado pelo talentoso Robert Patrick, como alguém que não apoia o regime nazista na Terra X. Apesar disso, ele afirma não ter forças para lutar contra o sistema, sentindo-se impotente, mas ainda assim faz parte de um grupo de heróis que exterminam minorias, como pessoas negras. Isso gerou críticas, pois muitos acreditam que ele poderia se juntar a uma resistência, mas talvez não estejamos tão diferentes dele.

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ALERTA DE SPOILER

Este artigo tem spoiler da segunda temporada da série o Pacificador.

Recentemente foi divulgado que o streaming MUBI, voltando para produções independentes está patrocinando uma empresa em US$ 100 milhões da Sequoia Capital, uma firma de capital de risco do Vale do Silício, que também investiu em uma startup de tecnologia de defesa criada por unidades de inteligência israelenses em resposta aos ataques terroristas de 7 de outubro. Em outras palavras, os assinantes da MUBI podem não puxar o gatilho, mas certamente contribuíram para pagar as balas que tiraram a vida de mais de 50 mil palestinos, a maioria crianças e mulheres inocentes. A diferença entre os assinantes da MUBI e Auggie é apenas a distância dos fatos: ele puxa o gatilho, enquanto você, mesmo sem atirar, certamente pagou pela bala.

No final, o personagem faz um discurso neutro sobre como viveu sua vida tentando fazer o melhor possível para não se associar ao regime social de seu mundo. Contudo, é o mesmo discurso que usamos quando dizemos que não podemos fazer nada aqui, que lutamos e fizemos o melhor possível, enquanto, neste momento, milhares de palestinos estão sendo mortos indiscriminadamente, patrocinados por empresas que apoiam o sistema nefasto do governo de ocasião daquele país que se autointitula o povo escolhido de Deus.

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Em Pacificador, criticar Auggie Smith é como olhar no espelho e confrontar a nossa própria passividade diante do mundo em que vivemos.