Pedro Coelho

Pedro Coelho “aborda temas polêmicos e confronta o espectador”

Rodrigo De Sousa
Rodrigo De Sousa
Autodidata, Faxineiro, escritor , amante do verdadeiro e belo no mundo. Tal qual o mago, nunca me atraso e nem me adianto. Sempre chego quando e...

Inspirado na atemporal obra da escritora Beatrix Potter (1901) e dirigido por Will Gluck, “Pedro Coelho” (2018) se passa no interior da Inglaterra na horta dos Mc Gregor onde Pedro e seus irmãos travam uma batalha repleta de aventuras para recuperar sua horta que se encontra cercada.

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A “Sony” já foi famosa no mundo do cinema como produtora de filmes com animais em computação gráfica como “Stuart Little” assim como a “Animal Logic” de “Baby, o porquinho” e “A menina e o porquinho”. Agora em 2018 com lançamentos recentes de “Pendington 2” e “Christopher Robin – Um Reencontro Inesquecível”, eles voltam ao gênero com o lançamento de “Pedro Coelho”.

Pedro Coelho trailer internacional
Logo de começo, o filme busca firmar sua identidade. Os Mc Gregor não estão mais vivos e nem tão pouco os pais de Pedro. A horta não é mais a mesma, os personagens idem , e a família agora é capitaneada por Pedro que terá de enfrentar um inimigo à altura. Thomas Mc Gregor (Domhnall Gleeson, explodindo em carisma), sobrinho neto dos Mc Gregor, herda a propriedade e se vê forçado a ir para o interior. Lá se dá o grande embate entre Pedro e Thomas, seja motivado pela horta, ou pela vizinha deles Bea (Rose Byrne, claramente uma referência um tanto distorcida de Mrs Potter), que assim como a autora, é muito ligada à natureza. Ela tutela Pedro e sua família como se fossem da família dela e que com com a chegada de Thomas forma-se “o triângulo de Édipo’’ que faz gerar todos os conflitos e confusões ao longo da trama.

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A trilha sonora é outro ponto de destaque pois mescla bem o tom clássico com o moderno, além de marcar cada ato. Mescla também temas sérios com ironia, tão comum ao humor britânico. Gluck constrói toda a narrativa do filme de modo a trabalhar rimas inversas e por vezes ele humaniza os animais e animaliza os humanos. O diretor cria um Pedro meio psicótico na tentativa de modernizar algo de mais de 100 anos atrás para um público cada vez mais
preocupado com rótulos e além disso encontra equilíbrio com a parceria no roteiro de Rob Lieber.

A acidez nas piadas, que de infantil não tem nada, aborda temas polêmicos e confronta o espectador, mas sem ofender a inteligência das crianças. Com essa base no roteiro e direção, a história por si é simples e faz referência à original mas busca também ser única.

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“Pedro Coelho” satiriza os filmes do gênero, mas sem esquecer de ao menos raspar nas profundas lições presentes nos contos imortais de Beatrix Potter. Leve seu filho para assistir, e leve também aquela criança que vive em seu coração. Ela vai amar!