Recentemente, o Radar Festival publicou em seu Instagram um post simples e direto: “Bob Vylan will not be appearing at Radar Festival this weekend” ou seja, “Bob Vylan não se apresentará no Radar Festival neste fim de semana”. Essa breve mensagem causou grande repercussão entre fãs e a cena musical, mas poucas informações foram dadas oficialmente até agora.
Nesta semana, no podcast 2 Promoters 1 Podcast, Catherine Jackson-Smith, cofundadora do Radar Festival, um evento independente de rock progressivo e metal no Reino Unido, quebrou o silêncio e revelou os bastidores da polêmica sobre a saída da banda headliner Bob Vylan da programação deste ano.
Em uma conversa emocionada e reveladora, Catherine explicou como ela e seu parceiro Joe foram obrigados a retirar Bob Vylan do line-up do sábado devido à crescente pressão de forças externas, e não por vontade própria.
“Não consigo expressar claramente o quanto eu queria que o Bob Vylan se apresentasse no nosso festival,” disse ela.
Mas a história vai além de um simples cancelamento. Trata-se de um estudo preocupante sobre como a expressão política na música está sendo silenciada, e quem realmente detém o poder para decidir quais vozes podem subir ao palco.
O Que Aconteceu no Radar Festival?

Após a apresentação da banda Bob Vylan no festival Glastonbury, onde os integrantes afirmaram “Morte ao IDF (Forças de Defesa de Israel)” ao vivo pela BBC, uma tempestade de críticas foi desencadeada. O Radar Festival, que seria a próxima data no Reino Unido da banda, acabou no centro das atenções.
De acordo com Catherine, logo após o show em Glastonbury, a equipe do Radar enfrentou uma onda massiva de ataques online. A situação se agravou rapidamente. Perfis pessoais nas redes sociais foram bloqueados, e protocolos de segurança foram fortalecidos. Então, veio a ligação que mudou tudo.
“Ficamos claramente avisados: se Bob Vylan se apresentar, o sábado não acontecerá. Se a banda for removida, o festival continua.”
A ameaça não partiu dos fãs, mas de instâncias superiores, uma cadeia invisível e poderosa que envolvia o local (O2 Victoria Warehouse, parcialmente pertencente à AMG e Live Nation), autoridades locais e possivelmente até parlamentares ou órgãos governamentais. Catherine e Joe, embora responsáveis pelo festival, foram deixados de fora dessas conversas.
E Vieram as Ameaças de Morte
Catherine revelou ainda no podcast que recebeu uma ameaça de morte e pessoal por telefone.
“Disseram: ‘Sabemos quem você é. Sabemos como você é. Sabemos onde você estará. Você se sente segura? Olhe pelas suas costas.’”
Tudo isso por causa da escalação de uma banda. Uma banda que ela ainda esperava receber. Uma banda cancelada, não por ela, mas por forças muito além do seu controle.
Para proteger sua jovem equipe, incluindo alguns menores de 18 anos, Catherine intensificou os protocolos de segurança e optou por não revelar toda a gravidade da ameaça a eles. A situação, no entanto, é alarmante: uma mulher responsável por um festival de rock foi ameaçada violentamente por oferecer espaço a um grupo crítico de um exército.

O Problema Maior: Censura na Indústria Musical
Fica claro: o Radar Festival não deveria estar recebendo ameaças de morte. Catherine e Joe lidaram com a situação com transparência, humanidade e muita compostura. Tentaram manter Bob Vylan na programação até o último momento possível. A decisão tomada não foi uma falha moral: foi uma questão de sobrevivência.
Porém, a interferência mencionada, com interesses corporativos ou “higher ups” e pressão governamental influenciando a decisão de quem pode ou não se apresentar, é extremamente preocupante.
Se promotores independentes nem podem explicar suas decisões, porque não lhes é permitido, então a indústria musical entrou em um território perigoso.
Música é Política. Sempre Foi.
Ao longo da história, a música tem sido uma forma de resistência contra guerras, racismo, violência estatal, colonialismo e opressão. A ideia de que uma banda que apoia os palestinos possa ser silenciada à força, enquanto uma música de rap israelense que incita a morte de Dua Lipa e Bella Hadid é permitida e viraliza, não é apenas hipócrita. É um escândalo.
A música “Harbu Darbu”, dos rappers israelenses Ness e Stilla:
- Tem mais de 30 milhões de visualizações no YouTube.
- Nomeia Dua Lipa, Mia Khalifa e Bella Hadid como alvos por suas posições pró-Palestina e anti-guerra.
- Glorifica a violência do IDF, incentivando soldados a acumularem mortes como troféus.
- Inclui letras que dizem que cada bomba lançada em Gaza deveria ser marcada com um nome.
E ainda assim: nenhuma censura corporativa, nenhum banimento em locais, nenhum pânico midiático.
Então, Quem Pode Falar?
Essa é a questão central.
Se uma estrutura corporativa pode impedir uma banda de tocar por suas opiniões políticas, enquanto simultaneamente dá palco para outras que glorificam violência estatal, o problema não é apenas censura: é um viés institucional.
Esperamos que a programação do Radar Festival aconteça sem problemas. Que Catherine e James estejam seguros. E que todo artista que defende a Palestina, e combate genocídio, nunca recuem.
Porque arte importa. A livre expressão importa. E sim: música é política. Que assim continue.


