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Razer, você desprezou 53% do público gamer brasileiro

Esse caso (Gabi) demonstra como a comunidade gamer é tóxica com as mulheres.

Ana Carolina Barth

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A parte de colunistas é destinada a opinião especifica do seu autor. Não reflete necessariamente a opinião do Cabana do Leitor – CDL e nem dos seus membros.

No dia 21 de Junho, a gamer e streamer Gabi Catuzzo postou uma foto em seu twitter, uma coisa que todo mundo faz. Poderia ser mais um dia tranqüilo, mas não foi. Gabi recebeu mensagens de homens a assediando.

Não é novidade dizer que mulheres vivem sofrendo assédio e, como mulher, posso dizer: chega uma hora que não aguentamos mais. No caso, Gabi respondeu: “Sempre vai ter um macho f*dido para falar m*rda e sexualizar mulher até quando a mulher ta fazendo uma piada, né?”. Depois, completou: “É por isso que homem é lixo”.

Após isso, algumas contas começaram a marcar a Razer no twitter, afirmando que Gabi – que era embaixadora da empresa – estava “despejando ódio gratuito”.  A partir disso, a marca decidiu romper o contrato com Catuzzo e publicou uma nota.

O que me chamou a atenção no comunicado da empresa foram duas frases em particular: “Estamos desde o começo, como gamers, enfrentando todo tipo de preconceito e estereótipo, e continuaremos lutando para que esse tipo de situação não se repita. A Razer Brasil reforça que a opinião dos seus influenciadores não representa ou reflete, necessariamente, a opinião da empresa, que é totalmente contrária a qualquer tipo de discriminação seja ela de sexo, religião, partido político ou qualquer tipo de intolerância e extremismo”.

A Razer demonstrou que na verdade apenas se importa com o que o público masculino pensa, já que não fez nenhum comunicado sobre todos os assédios que a influencer sofreu e apenas decidiu escolher o lado de quem reclamou, o que me parece mais um “a carapuça serviu”, já que ela falou em um geral e não chamou ninguém em particular de lixo.

Esse caso demonstra como a comunidade gamer é tóxica com as mulheres e, para falar sobre isso, retornemos ao ano de 2018, quando a ONG “Wonder Women Tech” teve uma brilhante ideia: chamar youtubers e gamers homens para utilizarem nicknames femininos nas partidas online. O movimento #MyGameMyName foi um sucesso e muitos youtubers participaram.  

O comunicado da Razer fez com que muitas mulheres gamers e streamers se demonstrassem chateadas com a posição da empresa e mais uma vez o debate sobre o mundo tóxico dos games voltou à tona. Com isso, o site Geek & Feminist lançou o projeto #SouMulherSouGamer que visa criar uma rede de mulheres para desabafarem sobre casos terríveis e machistas que passaram ao jogarem.

Infelizmente, ao entrarmos na tag, lemos relatos que fazem nosso estômago revirar. Xingamentos, assédios, o “lugar de mulheres é na cozinha”… Todos esses estão presentes em muitas falas.

A Pesquisa Game Brasil de 2019, realizada pela Sioux Group, Blend New Research e a Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), demonstra – pelo quarto ano consecutivo – que as mulheres são maioria entre os gamers, sendo 53% mulheres e 47% homens.  Então, sim, lugar de mulher também é nos games.

Sabemos que o caminho a se percorrer ainda é difícil, mas ações como a #MyGameMyName e #SouMulherSouGamer são muito importantes, pois demonstram que sim, mulher joga e elas vão falar quão tóxico o mundo dos gamers é. Não existe vitimização e é isso que estamos falando. Nós, mulheres, temos voz e continuaremos falando.

Dizer que não somos gamers não podem dizer. Somos 53%.

Agora, podemos garantir: mexeu com uma, mexeu com todas.

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