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Resenha

Resenha | Ada Batista, Cientista

O livro faz parte da coleção Jovens Pensadores, que encoraja crianças a descobrirem sua habilidades.

Mylla Martins de Lima

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Ada Batista, Cientista é um dos quatro livros da coleção Jovens Pensadores, publicada pela editora Intrínseca neste ano. Ela reúne a escrita dinâmica de Andrea Beaty e a divertida ilustração de David Roberts.

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Ada Batista é uma menina curiosa desde quando aprendeu a andar. Mais importante que andar, era explorar. O livro fala sobre as pequenas primeiras descobertas de Ada, que sempre tem as perguntas na ponta da língua e pais que não conseguem saná-las cem por cento. Através de experiências nem sempre tão boas, mas mesmo assim muito engraçadas, a menina tenta coletar provas para uma possível resposta final de absolutamente tudo.

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A obra não poderia ser mais especial, já que a origem do nome da protagonista Ada Maria Batista foi uma homenagem a duas mulheres. A primeira é Marie Curie, cientista responsável pela descoberta de dois elementos químicos, além de laureada com o Prêmio Nobel de Química em 1911. Sua pesquisa foi usada como base para a criação do raio X.

A segunda homenageada é Ada Lovelace, uma matemática e escritora inglesa. Hoje, ela é mais conhecida por ser a primeira programadora da história, tendo escrito o primeiro algoritmo para ser processado em uma máquina.

“Desde que a ciência existe e é praticada, as mulheres já eram cientistas. Elas faziam perguntas e buscavam respostas para os segredos do universo. A Terra e as estrelas. As estalactites e os cavalos-marinhos. As geleiras e a gravidade. O cérebro e os buracos negros. Os segredos de todas as coisas”

A série Pequenos Pensadores conta com outros livros como Paulo Roberto, Arquiteto; Sofia Pimenta, futura Presidenta e Rita Bandeira, Engenheira. Todos os títulos, apesar de infantis, conquistam também os corações adultos com sua premissa de que ninguém é pequeno demais para sonhar alto. Não há quem resista a livros que colaboram com o futuro de quem pode revolucionar o mundo. Cheia de lições valiosas para pais e filhos, esse é o presente de Natal mais incrível para uma criança.

“E foi o que fizeram, pois é isso que precisa ser feito quando seu filho tem uma paixão e para ela leva jeito.

Eles reorganizaram seu mundo e, com muito tato, ajudaram Ada a distinguir a ficção do fato .

Ela faz muitas perguntas. É sempre uma nova conquista. E como não fazê-las? É a essência de todo jovem cientista.”

Andrea Beaty compreende seu público e o cativa. Em parceria com David Roberts, detentor de duas medalhas de honra literárias – Carnegie Medal e Kate Greenaway Medal – conseguiram o mais que merecido Goodreads Choice Awards na categoria de Melhor Livro Ilustrado.

Ada Batista, Cientista dá um show de criatividade e beleza, além de ser lúdico, divertido e encorajar o autoconhecimento da criança. É impossível não tornar o livro um dos queridinhos!

Aproveite o que existe de melhor nos pequenos e lembre-se: livro é o melhor presente.

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Resenha | Recursão

Livro propõe uma ivestigação sobre as memórias e como elas moldam a realidade.

Gustavo Carvalho Cardoso

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Recursão foi publicado em 10 de janeiro de 2020 pela editora Intrínseca, escrito pelo autor do best-seller Matéria Escura. Blake Crouch é escritor de ficções cientificas investigativas e suspenses. Sua trilogia de maior sucesso foi Wayward Pines que foi adaptada para uma série de TV com o mesmo nome em 2015. Outro trabalho que virou série foi Good Behavior, que estreou na TV em 2016.

“O tempo não passa de memórias sendo escritas”

A história mostra um fato incontestável: As memórias constroem nossa realidade. O investigador Barry Sutton descobre esse fato ao investigar um fenômeno chamado de Síndrome da Falsa Memória, uma doença misteriosa que enlouquece a mente humana ao plantar memórias de vidas que as vítimas nunca viveram. Na busca pela verdade, o investigador se depara com um oponente mais assustador que a própria doença, uma força tão poderosa que pode mudar a própria realidade do todo. Sua única chance de impedir o caos que se forma está nas mãos da neurocientista Helena Smith, uma mulher assolada pela maldição de sua invenção, a criadora de uma tecnologia que deveria salvar vidas, mas que acabou esfacelando a realidade. Barry e Helena terão de trabalhar juntos se quiserem sobreviver e salvar a todos da ruína.

“Os lugares que deixam mais saudade são aqueles em que nunca estivemos”

Recursão é uma ficção científica excepcional, com mistérios e um suspense bem empregado, misturada com ação pontual e reviravoltas que marcam as páginas de forma gradual até um desfecho fenomenal. A escrita é bem dinâmica e as páginas passam rápido, deixando a história imersiva e marcante, equilibrando bem os detalhes, pensamentos, teorias e a ação que os personagens empregam no ambiente e às vezes em suas próprias mentes.

Os personagens são bastante bem feitos de forma a torná-los realmente humanos, com traumas e histórias próprias que os aproximam bastante do leitor, fazendo-o se interessar muito mais com a história e se importar cada vez mais com o destino dos personagens. Destino esse que vai se mostrando a cada ação e a cada pensamento dos personagens, sejam eles principais ou secundários nesta trama arrebatadora.

“O tempo é o que impede que tudo aconteça de uma vez”

Falando em história, ela é uma junção de investigação com ficção cientifica, girando em torno da psique humana e em como enxergamos nossa própria realidade. Criando uma teoria de que só percebemos o tempo por que temos memórias do que vivemos, vendo ele passar linearmente, como uma reta, a obra nos faz indagar se o tempo não é uma ilusão imposta por nossa mente como uma falha evolutiva para nos privar de ver os fios que tecem a realidade verdadeira. Pois, se nossas memórias regem o que é tempo, então o presente não existe, por que só conseguimos registrar o que vemos e sentimos segundos depois do que aconteceu, de forma que o agora não é de fato o agora, e vivemos em um eterno passado, imaginando o futuro das coisas.

“Aquele que controla o passado controla o futuro.

Aquele que controla o presente controla o passado”

Pensando nessa teoria, o livro propõe que nossas memórias são um jeito de voltar no tempo, pois quando lembramos de algo, de fato estamos retornando ao passado, mas e se conseguíssemos burlar essa limitação do cérebro que nos faz apenas lembrar artificialmente de algo e conseguíssemos fazê-lo nos transportar realmente para a memória que queremos? Bom, é justamente isso que a história se propõe a contar, a quebra da limitação, uma viagem no tempo pelas memórias e uma evolução imensa em como vemos a realidade e em como nossa pisque entende as coisas.

“Quando uma pessoa morre, ela apenas parece estar morta. Mas continua bem viva no passado (…) Todos os momentos — passado, presente, futuro — Sempre existiram, sempre vão existir (…) É apenas ilusória a impressão que temos aqui na Terra de que um momento se segue do outro, como se fossem contas em um cordão, e, uma vez acabado o momento, está para sempre acabado”

Com a caminhada dos personagens, sentimos que nós também caminhamos rumo a um entendimento melhor do tempo e de nós mesmos, fazendo-nos criar memórias junto com eles, e nos transportando a nossas próprias memórias criadas. À cada página uma crítica de como vemos o mundo e o quanto podemos evoluir ainda. O tempo é um círculo e este livro é um ponto no círculo, existindo no passado e no futuro da nossa realidade, basta apenas lembrar.

Recursão é uma obra-prima de ficção-cientifica cumprindo o que propõe desde o início.

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Resenha | A Ilha do Guardião da Tempestade

“Uma ilha que nunca se esquece. Uma história que você lembrará para sempre”

Mylla Martins de Lima

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A Ilha do Guardião da Tempestade foi lançado em Janeiro deste ano pela editora Rocco. O romance fantástico foi a estreia de Catherine Doyle, irlandesa, no universo literário.

A ilha do guardião da tempestade: Doyle, Catherine, Fonseca ...

O livro conta a história de Fionn, um menino muito medroso que vai visitar seu avô pela primeira vez na companhia de sua irmã mais velha, Tara. Só o fato de pegarem a balsa de Dublin para Arranmore já é motivo para que o garoto sinta-se desencorajado.

Ao chegar na ilha, não demora muito para que Fionn descubra a importância local de seu avô, até então omitida por Tara e sua mãe. O velhinho nada mais é que o grande Guardião da Tempestade, responsável por guardar as memórias da ilha, além de mantê-la segura da feiticeira Morrigan, que trouxe muita dor e escuridão no passado. Toda a magia de Arranmore é secreta, só residentes podem saber de sua existência.

A aventura começa quando o jovem neto de Malachy descobre que consegue manusear a magia de forma que nem o próprio avô, guardião, consegue. O futuro da ilha depende do inesperado dom curioso de Fionn.

” — Por que acha que todo mundo em Arranmore respeita tanto o Malachy? — disse Bartley, cuspindo gotas de água da chuva. — Acha mesmo que é porque ele passa o tempo todo fazendo velas arcaicas com um monte de temporais inúteis e pores do Sol idiotas? — Fionn sequer teve tempo de responder. — Malachy ajuda os habitantes da ilha com as colheitas. Ele mantém os animais saudáveis. Ele acalma a maré para os pescadores. — Bartley deu um sorriso malicioso. — Mas essa tempestade ele não vai poder impedir”

Esse é o primeiro livro de uma série que deixa um gancho para fãs apreensivos. Toda narrativa é feita de forma a provocar o leitor de construir o grande final mentalmente e ficar aguardando por ele, mas isso não acontece. Tomado pela ansiedade, é difícil não implorar pelo segundo volume.

A autora representa a magia através de velas confeccionadas pelo guardião da magia. Elas permitem que ele guarde histórias e as visite ao queimá-las. Cada viagem no tempo é uma surpresa diferente, uma nova peça para o quebra-cabeça gigante que é a ilha.

” — Você é a história dele, Fionn. Você e Tara. E sua mãe. E eu. Enquanto houver alguém que se lembre de você, você continuará vivo, assim como sua história. Essa é uma das maravilhas de Arranmore. A ilha nunca esquece”

Nem só de surpresas e segredos vivem os personagens dessa história, que só está começando. O maior sonho de Fionn é encontrar seu pai, mesmo que isso seja impossível pois, quando sequer havia nascido, Cormac morreu em um acidente inexplicável durante uma tempestade. Sua mãe não fala sobre e, desde então, nunca mais pisou na ilha também.

Além de perdas, a obra trata também de assuntos como amizade, medo, amor de família, auto-conhecimento, confiança e muito mais!

O livro transmite, de maneira clara, toda emoção que Catherine quis passar. O modo como Fionn se aproxima do avô e o laço que ambos criam, não é de todo mera ficção. Essa história é especial por ser uma homenagem ao avô da autora, que realmente mora Arranmore e sofre de Alzheimer. A moça juntou todo seu amor por lendas locais mais as memórias de seus entes queridos e transformou em um livro encantador, emocionante e interessante da primeira à ultima página.

A Ilha do Guardião da Tempestade é um livro instigante, ótimo para presentear quem está no início da jornada literária (a partir de 10 anos), mas não se anula à quem já tem o hábito de leitura. Catherine traz sentimento à obra, o que agrega ainda mais valor.

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Resenha | Urucumacuã

A incrível aventura do príncipe alquímico que realizou diversas façanha no norte brasileiro.

Mylla Martins de Lima

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Heloísa Helena Entringer Pereira, junto à Lura Editorial, entregam uma ótima forma de conhecer um pouco mais sobre a magia do folclore amazônico. Urucumacuã foi originalmente publicado em 2018.

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Urucumacuã conta a história do lendário príncipe mágico que viveu há muitos anos no norte do Brasil, na região que hoje chamamos de Amazonas, e lá deixou seu imenso tesouro. Apesar do foco principal ser a realeza, ícones muito conhecidos como Saci Pererê, Mula sem cabeça e até o Boto cor-de-rosa também fazem parte da leitura.

”No dia em que o Sol e Lunes estiverem na casa de Gemini, um grande pássaro branco, desconhecido neste reinado, pousará na janela dos aposentos reais. Então, a rainha dará à luz filhos gêmeos: Príncipe Urucumacuã e Príncipe Kurokuru “

O tom misterioso dado às frases da leitura é o que de fato convida o leitor a se comprometer até o fim do livro, movido pela curiosidade de entender cada personagem secundário apresentado na grande história. O livro é composto por subcontos que relacionam cada ser existente nesse universo abarrotado de misticismo, onde todos são cruciais para o desfecho.

” — Que menino é este?

— De onde o trouxeram? — perguntaram ao mago Natu.

— Acalmai-vos. Explicarei agora. Esta é uma criatura ex-tranha: é Kurupirá, filho de Kaiporã, aquele ser gerado e reproduzido pela força mágica no dia em que o Bruxo Neno se deitou com a senhora Pan Thera, a Marquesa de Sonça, momentos antes de ela se transformar na gata Pintada! ”

Toda a narrativa é contada através de um jogo bem-humorado de palavras, o que torna tudo mais divertido e dinâmico. Contudo, a linguagem escolhida para trabalhar a história é um tanto cansativa, resultando em um livro denso e longo, com 659 páginas. Uma obra nova, mas com vocabulário antigo, expressões até engraçadas, mas que, em alguns casos, podem passar despercebidas, dependendo de quem está com o livro em mãos.

” — O dançarino de número 69 cometeu o ato seis vezes. Asseguro que com a princesa Putha foi in sexto… As outras cinco continuam virgens, mas pelos exames, foram penetradas pela ré, por isso a ré pendida. Não posso garantir, mas conforme a rainha Vidência, a única a engravidar foi a sexta, que se trata da vossa filha!”

A ressignificação de palavras também é considerado um dos pontos altos do livro. O vocabulário popular ganha um novo ponto de vista, na maior parte do tempo, acompanhado de sacadas genuínas. Sem filtro algum, a autora brinca com palavrinhas e palavrões, mostrando seu lado descontraído.

” — O que aconteceu? O que aconteceu?

Sem poder explicar, resumiu o fato numa simples frase:

— Foi o que a princesa Putha pariu… foi a Putha que pariu!”

Para os curiosos, Urucumacuã é uma ótima chance de descobrir o quão bonito, florido e encantador é o nosso folclore.

Urucumacuã é, para os interessados nas raízes do gigante norte brasileiro, uma enciclopédia mitológica

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