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Rodrigo Roddick

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Todo mundo que ama o gênero fantástico sonha com um santuário de criaturas mágicas… O sonho está materializado neste livro. Fablehaven é um oásis que protege seres advindos da magia, mas que estão ameaçados de extinção. E não é todo mundo que consegue vê-los.

Fablehaven foi o romance de estreia de Brandon Mull publicado no Brasil em 2010 pela editora Rocco. Ele é o primeiro volume da série infantojuvenil de cinco livros que conta a história de dois irmãos unidos em prol da preservação dos seres mágicos.

“Fablehaven (…) O nome que os fundadores deram a essa reserva séculos atrás. Um refúgio para criaturas místicas, uma intendência passada de zelador a zelador ao longo dos anos”

Neste primeiro volume, Kendra e Seth vão passar as férias na casa dos avós e descobrem que eles são donos de um santuário natural incrível. Além da beleza florestal que acerca a fazenda, as criaturas mágicas são o que torna aquele lugar fantástico. Ambos começam então a conhecer as sutilezas que rondam a magia e a descobrir o quanto ela pode ser perigosa.

Logo de início, o leitor é convidado a abrir os olhos para um mundo de magia. Isso acontece quando Kendra e Seth bebem o leite com propriedades de fazê-los enxergar o mundo mágico. O leite é retirado de uma vaca mágica chamada Viola. Essa construção que o autor faz pode ser interpretada como uma metáfora para que os humanos comecem a enxergar a verdade sobre a natureza: que é ela quem provê seu sustento.

“O mesmo leite que as fadas bebem. O único alimento que elas ingerem. Quando os mortais o consomem, seus olhos se abrem para o mundo invisível”

Os seres mágicos precisam ser preservados em santuários como Fablehaven porque foram caçados pelos humanos para práticas desonrosas ou por simples temor. É uma referência clara à caça ilegal ainda praticada atualmente e que levou muitas raças animais a serem ameaçadas de extinção.

Apesar desse cunho socioambiental que o livro prega, Fablehaven consegue ser uma leitura extremamente leve a gostosa, ideal àquelas pessoas que amam ler pelo prazer. Além disso, o romance traz diversas curiosidades sobre o mundo mágico, apresentando outras visões sobre seres muito populares na fantasia, como as fadas.

Em Fablehaven, as fadas não são somente aquelas criaturas graciosas que comumente aparecem em desenhos animados ou filmes fantásticos, mas sim seres invejosos e prepotentes cujo o único objetivo é alimentar a própria vaidade. Claro que esta conduta não é geral. Sempre tem aquelas que fogem à regra. Outro detalhe interessante é como Mull insere os diabretes na classificação das fadas.

Ensinamentos valiosos podem ser obtidos na leitura deste livro, sobretudo para as crianças e adolescentes, que estão começando agora a entender o mundo. O romance apresenta como é importante escutar os adultos para não se meterem em problemas, como a curiosidade em certos casos pode ser sua ruína e como o amor entre irmãos é capaz de derrotar demônios.

“A maldição da mortalidade. Você passa a primeira porção da sua vida aprendendo, ficando mais forte, mais capaz. E então, sem que você tenha culpa alguma, seu corpo começa a falhar. Você regride. Membros fortes tornam-se frágeis, sentidos aguçados ficam lerdos, a firmeza do corpo se deteriora. A beleza murcha. Os órgãos param de funcionar. Você lembra de seu corpo no auge e imagina para onde foi essa pessoa. Enquanto sua sabedoria e sua experiência estão no auge, seu corpo traiçoeiro torna-se uma prisão”

Um dos pontos interessantes desta narrativa é colocar o amor como uma força tão avassaladora que é capaz de mudar a natureza de uma náiade. O leitor vai entender quando adentrar o santuário…

O romance possui fantasia em cada página, é uma leitura prazerosa e contém muita aventura. Uma excelente pedida para quem ama magia e que precisa se refugiar em um paraíso fantástico.

Fablehaven não é apenas um livro, mas um portal para um santuário de criaturas mágicas. Boa viagem.

Escritor de fantasia e leitor voraz. Formado em jornalismo, mago nas horas vagas.

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Nostálgico

O menino de vestido

Romance desafia paradigmas inúteis com tiragens comoventes e engraçadas na medida certa.

Mylla Martins de Lima

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O menino de vestido veio pela editora Intrínseca em 2014, escrito por David Walliams e ilustrado por Quentin Blake. O assunto abordado é atemporal e necessário, principalmente dentro da faixa etária recomendada para sua leitura, a partir de 10 anos.

O Menino de Vestido - Saraiva

Dennis é um menino com uma vida para lá de conturbada. Sua mãe acaba de abandoná-lo, seu irmão é um adolescente chato que ama implicar e seu pai, deprimido com o fim da relação, tornou-se uma pessoa rígida a ponto de impor regras absurdas, como não poder mostrar afeto ou tristeza dentro de casa. Mas as únicas coisas que oferecem tranquilidade para Dennis é jogar futebol e… admirar lindos vestidos na revista Vogue que comprou escondido do pai. É isso mesmo! O menino é apaixonado por vestidos e isso não é um problema… ou será que é?

“Nada de falar sobre a mamãe.

Nada de choro.

E a pior de todas: nada de abraços”

Dennis se sentia incomodado com o seu hobbie secreto até conhecer Lisa durante uma detenção. O amor de sua vida tinha dois anos a mais que ele e era muito estilosa. Ao se tornarem amigos, a menina o encoraja a experimentar um vestido do qual ela mesmo costurou e, a partir desse dia, a vida do garoto pula de monótona e tediosa para extraordinária.

Infelizmente, a história da vida de Dennis é mais comum do que se imagina. Durante toda a narrativa, o menino deixa claro que sente muita falta de sua mãe e de como sua família se desestruturou logo após o abandono. Em meio aos alívios cômicos, como o diálogo entre autor e seus leitores, ainda resta a melancolia de uma criança tentando agradar seu pai para receber um pouco de atenção.

Um dos pontos a serem citados como positivo, é o valor da amizade. Mesmo com toda negação dentro de casa, Dennis tem Lisa e Darvesh como porto seguro. Com ou sem vestido, o menino pode contar com ambos para desabafar sobre suas inseguranças. Algumas cenas são repletas de diálogos sobre preconceito e bullying, de forma simples para que os pequenos leitores compreendam a gravidade das práticas.

“— Bem, eu odeio essas regras chatas que dizem o que as pessoas devem ou não vestir. Com certeza todo mundo devia poder usar o que tivesse vontade, não?

— É, acho que sim — disse Dennis.

Na verdade, ele nunca tinha sido encorajado a pensar sobre isso antes. Ela estava certa. Qual o problema em se vestir como quisesse?”

Os personagens das histórias de David Walliams são trabalhados de forma brilhante, independente do quanto aparecem. Raj, por exemplo, homem indiano que trabalha como jornaleiro, é uma de suas personalidades mais famosas, presente em quase todos os livros da coleção. Esse faz o papel de vendedor esperto, mesmo não sendo muito levado a sério pelas figuras principais.

Normalmente seus livros reclamam sobre aspectos além do esperado dentro de um livro infantil. Assim como esse, acerca da sexualidade e preconceito, outros exemplares da coleção contam com pautas como amor de família, morte, medo e muito mais. Tudo escrito em uma linguagem inteligente e sem subjugar o intelecto infantil.

“Na verdade, Dennis sabia exatamente o que o pai procurava. Ele tinha um exemplar de uma revista masculina como as que ficavam na prateleira mais alta da banca de Raj. Às vezes John entrava escondido no quarto do pai e surrupiava a revista. Dennis já tinha dado uma olhada também, mas não achava aquilo tão divertido. Ficava desapontado quando as mulheres tiravam a roupa. Preferia ver o que elas vestiam.”

Não é à toa que David Walliams é considerado um fenômeno da literatura infanto juvenil na Inglaterra. Nos anos 2012, 2013 e 2014, recebeu o maior prêmio literário britânico, o Nacional Book Awards. Muitos detalhes de seus livros são inigualáveis, com ênfase no seu bom humor diferenciado

“—Você é um &**%$£% completo!

Ops, me desculpem. Sei que, apesar de crianças de verdade falarem palavrão, não se pode escrever palavrões em livros infantis. Por favor, me perdoem, é a &**%$£% da regra!”

O menino de vestido é uma literatura que cutuca a ferida de alguns adultos, o título ajuda a chocar e ir direto ao ponto. Mas a verdade é que essas são as pessoas que deveriam repensar o preconceito e dar uma chance à obra que, por sinal, é importantíssima e um dos melhores livros do autor.

Essa coleção assinada por David deveria estar presente em todas as escolas e em todas estantes infantis.

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