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Thaís Rossi

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O medo de hospitais é uma coisa muito comum nos dias de hoje. Com tantas doenças, agulhas e procedimentos de arrepiar os cabelos é quase impossível conhecer uma pessoa que não tenha pelo menos um pouquinho de medo de ir ao hospital para tratar de alguma enfermidade, mesmo com o avanço tecnológico da medicina. Medicina dos Horrores vem contar a origem desse temor.

Imagine um cenário onde as cirurgias são feitas sem anestesia, em um anfiteatro totalmente sujo, sem ventilação, lotado de pessoas sujas e com cirurgiões que não acreditam em infeções? No livro Medicina dos Horrores somos transportados a um universo insalubre, fatal e torturante. Tudo isso diretamente sentado nos teatros cirúrgicos do século XIX.


A obra de não ficção foi escrita por Lindsey Fitzharris e publicada no Brasil em setembro pela editora Intrínseca. A autora, que recebeu seu grau de doutora em história da ciência e da medicina na Universidade de Oxford, também é responsável pelo site The Chirurgeon’s Apprentice, pela apresentação da série Under the Knife no Youtube, além de ter escrito para veículos importantes como o The Guardian, The Huffington Post, The Lancet e New Scientist.

A história gira em torno da trajetória de Joseph Lister, um médico promissor que, apesar de ter conquistado muitos admiradores e seguidores de suas teorias, passou por poucas e boas para provar aos médicos da época a importância da assepsia ao tratar de pacientes.

Enquanto os cirurgiões acreditavam que a descoberta do Éter como anestesia era o ápice da modernidade cirúrgica, o jovem cirurgião tinha certeza absoluta de que havia muito mais a ser descoberto.

“Embora a geração mais velha de cirurgiões se dispusesse a experimentar o tratamento antisséptico listeriano, era difícil que aceitasse a teoria microbiana da putrefação, que estava no cerne do sistema de Lister. Enquanto os cirurgiões continuassem a se enganar quanto à causa da infecção, era improvável que aplicassem corretamente o tratamento”

Sem entender o motivo de tantas mortes pós-operatórias, Joseph dedicou a sua vida a pesquisar o motivo das epidemias de infecções nos hospitais. Durante sua carreira, suas teorias foram criticadas e ridicularizadas, pois, para os médicos, admitir que os estudos de Joseph faziam sentido, seria admitir que eles e os hospitais eram responsáveis pela morte de milhares de pessoas devido à falta de higiene. Mesmo com toda a hostilidade, Joseph não desistiu e suas técnicas foram um salto gigante para o desenvolvimento das cirurgias e concederam ao médico o título de “Pai das cirurgias”.

“Nos hospitais, era comum que ‘limpeza’ não significasse mais do que varrer o chão e abrir as janelas do centro cirúrgico, e a Royal Infirmary não era exceção. Lister desconfiava de que, se pudesse deixar as enfermarias mais limpas, talvez seus pacientes parassem de morrer”

Com Medicina dos Horrores a autora não deixou nada a desejar. Através de uma escrita minuciosa, Lindsey nos dá um retrato nu e cru da medicina Vitoriana, nos levando diretamente para dentro das chamadas casas da morte (hospitais). Seu empenho em nos mostrar detalhes sem dourar a pílula foi tão grande que em alguns momentos durante a leitura é necessário fazer pausas, pois a náusea é inevitável.

Ela descreve com uma precisão cirúrgica todo o cenário grotesco; das manchas de mofo no teto até o odor pútrido que o lugar exalava. A narrativa da autora foi tão excepcional que, aos olhos do leitor, parece que ela esteve presente em cada um dos procedimentos retratados no decorrer da história.

“Quando Lister cortava o abdômen de um cadáver – de entranhas inchadas por uma pasta grossa de alimentos não digeridos e matéria fecal – ele liberava uma mistura potente de odores fétidos que aderia ao interior das narinas por tempo considerável”

Um ponto importante a se destacar é a dedicação da autora em retratar Joseph Lister. Em uma época onde homens tinham dever de ser másculos, dominadores e insensíveis, o médico não tinha medo de demonstrar compaixão. Ele não teve vergonha de enfrentar uma depressão profunda após perder seu irmão. Lindsey foi cuidadosa ao mostrar todas as fases da evolução: do menino fascinado pelo telescópio do pai ao cirurgião renomado e aclamado por toda a comunidade médica.

Além de retratar a evolução da parte clínica dos cirurgiões, a autora nos mostra a evolução na humanidade dentro de cada um deles também. Graças a Joseph, pacientes que eram tratados como carnes de açougue e chamados pelos nomes de suas enfermidades, passaram a receber cuidados com dignidade, atenção e carinho. Para o cirurgião, dentro das paredes de um hospital não existia separação por classes, eram todos enfermos que confiavam suas vidas aos médicos.

“Todo paciente, até mesmo o mais degradado, deve ser tratado com o mesmo cuidado e a mesma consideração que se dariam ao próprio príncipe de Gales”

Conhecendo a história do jovem Lister somos inspirados a nunca desistir do que acreditamos, e aprendemos que tudo na vida está em constante evolução, seja a ciência ou até mesmo as pessoas.

Apesar de ser uma história grotesca, repleta de vivissecções, amputações, feridas infeccionadas, sangue e pus, Medicina dos Horrores é uma leitura fluida, que nos prende e nos inspira.

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Livros

Ordem Vermelha: Filhos da Degradação

Um livro sobre luta pela liberdade de uma sociedade oprimida.

Gustavo Carvalho Cardoso

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Ordem Vermelha foi publicado em 7 de dezembro de 2017 pela editora Intrínseca. O livro foi escrito por Felipe Castilho, autor de Serpentário, O Legado Folclórico e também indicado ao Prêmio Jabuti pelo quadrinho Savana de Pedra. Esse é o início de um universo compartilhado do Omelete, que irá contar com HQs, livros e animações.

O livro conta a história de quatro heróis que lutam pela liberdade de uma sociedade cercada de corrupção, presa eternamente pelos grilhões de uma deusa corrompida pelo poder e tomada pela ira daqueles que pecaram milênios atrás. Ligados pelo destino e pelo sentimento de inconformidade da normalidade com que seus povos aceitaram servir calados, como escravos, eles unirão forças para colocar em prática um plano ousado que mudará o mundo.

” As seis faces da deusa Una observam você aonde quer que vá. ”

Esse volume é recheado de momentos épicos, com passagens que nos fazem repensar sobre a vida real. É um universo totalmente novo, com suas próprias peculiaridades, referências, sistema econômico, religião e costumes. Repleto de raças, algumas já vistas em outros lugares da literatura porém, retratados de forma diferente aqui.

A história aborda a degradação social comandada autoritariamente por uma deusa corrompida pelo erro de seu povo no passado. Com um apelo religioso muito forte, o livro coloca em jogo nossa ideia de fé e o quanto ela pode ser deturpada pelo poder daqueles que usam-na como forma de escravidão global.

Utilizando-se de temas pesados como racismo, prostituição e abuso, o livro mostra até que ponto as pessoas podem chegar quando são escravizadas e tratadas como gado para abate, além de como essa mesma sociedade com um mínimo de poder pode ser adulterada, ficando pior do que aqueles que a explorou.

A luta pela independência é muito bem retratada e contextualizada, claramente apresentada pela personagem Yanisha e sua esposa Raazi, que batalham para serem livres desse trabalho escravo e servidão contínua. Sua raça consegue mudar a cor de seus corpos como um camaleão, e as mulheres de seu povo são usadas como mercadoria para os prazeres carnais daqueles que pagarem mais. A perseverança das duas não está ligada apenas a elas, mas sim à emancipação de todas as mulheres que dão suas vidas e corpos para adquirirem uma semiliberdade, e por todos que morrem em busca desse sonho tão distante.

Ordem Vermelha é o inicio de um universo com potencial expansivo imenso, cheio de laços e caminhos para serem abordados, com mitologias e histórias cativantes. É um ótimo livro nacional, e para aqueles que buscam uma história diferente e bastante complexa, é uma ótima pedida.

É uma leitura bem rápida com uma escrita que prende facilmente, e a cada página queremos saber mais sobre o destino de cada personagem além de torcermos pelo sucesso de sua luta.

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Resenha

Siga em frente

Livro apresenta dez argumentos para expandir a criatividade no cotidiano.

Rodrigo Roddick

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Artistas precisam estar o tempo todo criando. A criação demanda muito esforço e atenção para encontrar o novo dentro de um universo cultural saturado. A proposta de Siga em frente é ajuda-los nessa batalha.

Siga em frente foi escrito por Austin Cleon — o mesmo autor de Roube como um artista — e publicado pela editora Rocco. O autor produziu este livro porque enfrentava os mesmos desafios que outros criadores. Como suas ferramentas funcionaram, ele decidiu compartilhá-las com seus amigos artistas.

O livro é voltado para artistas, sendo eles escritores ou ilustradores, mas qualquer pessoa que trabalha em profissões que exijam criatividade vai encontrar nesta autoajuda um parceiro.

Uma das argumentações apresentadas no livro fala sobre criar uma rotina criativa. Em boa parte, isso significa organizar o dia para que ele seja produtivo tanto nos momentos de inspiração quanto nos dias mais complicados.

Segundo Cleon, se você já determinou o que vai produzir naquele dia, mesmo que uma nova ideia não surja, ainda assim vai acabar avançando em seu trabalho. Isso para um escritor é bastante válido. Assim que eles criam toda a história, o segundo passo é escrevê-la, e isso demanda muita disciplina diária — um trabalho de grão em grão — para que todo o texto seja finalizado. Uma rotina que forneça um tempo dedicado somente a escrever é super bem-vinda.

Da mesma forma, o autor indica fazer listas. A maioria dos artistas — senão das pessoas — sofrem com ansiedade, querem chegar logo ao fim do trabalho. Para combater esse fantasma, Austin Cleon começou a listar o que precisava fazer. Dessa forma, ele percebeu o que precisava terminar e ia riscando o que já tinha produzido. E por conseguinte ficou menos ansioso.

Nas dez dicas que o autor oferece, ele destrincha e argumenta como proceder. É interessante analisar este livro como uma conversa tranquila entre amigos profissionais.

Modelos e fórmulas não funcionam para todas as pessoas, porém sempre há o que se aproveitar. O mais importante é seguir em frente.

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Resenha

League of Legends: Reinos de Runeterra

Livro é um verdadeiro compêndio com tudo o que você precisa saber sobre Runeterra.

Mylla Martins de Lima

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A parceria entre a Riot Games e a editora Record rendeu uma obra luxuosa através do selo Galera. A edição ficou perfeita, para nenhum fã pôr defeito. League of Legends: Reinos de Runeterra veio para o Brasil neste ano, em abril.

League of Legends: Reinos de Runeterra - Grupo Editorial Record

Faz muito tempo desde que League of Legends deixou de ser apenas um jogo MOBA e se transformou em todo um universo com guerreiros que lutam pela glória, pela honra e por poder. Esse livro funciona como uma expansão, apresentando contos inéditos das regiões de Runeterra, repleto de extras que não estão disponíveis na plataforma do game. É um guia indispensável àqueles que caminham por Summoner’s Rift.

A obra tem seus capítulos separados por reinos e, em cada um deles, é descrito um pouco da geografia, geopolítica, fauna e flora da região. Além disso, há sete contos exclusivos disponíveis somente para os detentores do exemplar. Perambulando pelas cidades durante a narrativa, a vida de um cidadão revela um pouco mais sobre o seu cotidiano local, passando por Targon e indo até a Ilha das Sombras.

League of Legends: Realms of Runeterra (Official Companion) | Amazon.com.br

Nas primeiras páginas, durante a introdução, Ariel Lawrence, a chefe de narrativa da empresa e também conhecida como Thermal Kitten, transmite um pouco de sua felicidade por ter participado do projeto, falando mais sobre sua carreira na Riot, sobre o que esperar da leitura e sobre o processo de planejamento desse artbook.

Segundo Ariel, foram cerca de 4 anos de estudo e trabalho, montando capítulos, produzindo artes, ligando fatos do passado ao presente e atribuindo personalidade ao novo mundo. Uma tarefa gigantesca, mas que resultou neste brilhante exemplar!

League of Legends: Realms of Runeterra - Riot Games

Toda a mudança feita no cenário em 2018 tornou o jogo e as lores ainda mais incríveis. Cada local com sua cultura, seu legado, sua história e seus personagens, que dizem muito sobre seu lugar de origem, fazem muito mais sentido quando se lê Reinos de Runeterra. Durante a leitura, o interlocutor deve prestar atenção nas imagens tanto quanto nos textos, pois isso garante não só uma maior imersão, como também algumas pequenas descobertas.

Com ilustrações belíssimas e um acabamento incrível, são mais de 200 páginas de informações extras. Uma verdadeira enciclopédia que complementa não só o LoL, como também o Legends of Runeterra, um card game bem dinâmico da mesma franquia.

League of Legends: Realms of Runeterra - Riot Games - eMAG.ro

Conheça detalhes de conflitos, rivalidade e alianças através dos mapas e artes maravilhosas. Mais que indicado para quem ama o game, o livro também é recomendado a quem busca um ótimo artbook para estudos e a quem adora colecionar exemplares de luxo.

A Riot Games criou uma enciclopédia de luxo para a comunidade amante do jogo.

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