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Resenha: “O caso da Mansão Deböen”

”Em um lugar marcado por lendas e acontecimentos bizarros, escondem-se terrores jamais imaginados.”

Mylla Martins de Lima

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Lançado em janeiro pela editora Intrínseca, através do Clube Intrínsecos, O caso da Mansão Deböen brinca entre a comédia e o horror na escrita de Edgar Cantero, o espanhol escritor e cartunista.

O livro conta a história de quatro jovens e um cachorro que, durante suas férias na década de 70, encontravam-se na cidade de Blyton Hills em busca de aventuras enigmáticas. Desvendando mistérios com criminosos fantasiados de monstros ou espíritos, o Clube de Detetives de Blyton, como gostavam de ser chamados, deu de cara com um caso fora dos padrões.

O caso envolvendo a antiga Mansão Deböen refletiu na futura vida dos ex-participantes do clubinho desde àquela noite. Andy, agora com 25 anos, é uma mulher solitária viajando sem rumo, sentindo-se atraída pelo caso mal resolvido; Kerry, agora formada em biologia mas sem êxito, trabalha em um bar como atendente; Nate se internou em uma clínica psiquiátrica pois via o fantasma de Peter, que cometera suicídio assim que atingiu a fama em Hollywood.

Andy não aguenta mais a instabilidade e volta para convencer o restante do grupo que tudo o que foi visto e ouvido naquela noite não pode ser deixado para trás, e ambos precisam fechar essa investigação com chave de ouro.

“ – Kerri, tudo o que a gente faz na vida é arrumar um jeito de lidar com as nossas questões. A forma que encontrei para lidar com as minhas foi estudar. Tipo quando você não gostava de insetos aos seis anos e começou a ler tudo sobre o assunto e acabou virando bióloga. Eu fiz a mesma coisa. 


– Não foi assim que eu lidei com o Lago Adormecido – disse Kerri – Eu só fugi.


– Eu fugi também – falou Nate, tentando confortá-la – Estudar é uma coisa; voltar ao mesmo lugar é outra.”

Temas polêmicos são abordados com muito cuidado e com leveza sem igual. Edgar Cantero consegue transmitir situações mais densas com certa sensibilidade, como a morte por overdose de Peter e como seus amigos lidam com isso. Uma das questões também apontadas, ainda de maior ênfase para a época, é a sexualidade de Andy, que é apaixonada desde sempre por sua amiga Kerri e nunca teve coragem de se declarar, preferindo afastar-se dela a ter de viver uma mentira.

Diário de Pennaquick

Apesar de uma longa introdução sem muita ação e um pouco cansativa, a história consegue explorar bem as décadas nostálgicas de 70 à 90 durante todo o livro, transportando o leitor ao “mundo real” das séries animadas de mistério, como Scooby-Doo, ou de terror, contendo uma pegada lovecraftiana, incluindo diversas menções à obra do mestre do terror H.P. Lovecraft.

A narrativa é excelente para quem busca um livro repleto de referências incríveis, para quem quer imergir nas décadas já citadas novamente ou até para quem não passou por elas, mas quer sentir um gostinho do que significaram. Uma leitura para quem quer rir, se surpreender e, acima de tudo, se divertir.

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