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Resenha

Resenha | O Enigma de Outro Mundo

Novela investiga a existência de extraterrestres entre nós e prospecta teorias sobre a existência humana.

Rodrigo Roddick

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Existe vida fora da terra? Se sim, é amistosa ou hostil? Essas perguntas já foram feitas diversas vezes em diferentes momentos históricos. Muitas pessoas acreditam em alienígenas. Inclusive há uma ciência dedicada a desvendar os mistérios além da Terra. Há teorias que até apontam que os antigos egípcios foram visitados por seres extraterrestres. Contribuindo para este tema, O Enigma de Outro Mundo ainda suscita outra questão: já não estariam os aliens entre nós?

Apesar desta interrogação já ter se desenhada na cabeça de muitas pessoas, o livro apresenta a tentativa humana de identificar os extraterrestres, presumindo que eles consigam se passar por um humano, assim se camuflando entre nós.

O Enigma de Outro Mundo é uma história criada por John W. Campbell que inspirou o filme homônimo em 1982 e várias outras obras cinematográficas com nomes diferentes. Agora a obra foi traduzida e impressa pela primeira vez através da editora Diário Macabro. O excelente projeto gráfico é evidente logo na capa dura, com ilustração bem feita e ótima organização. A diagramação não deixa a desejar.

O livro possui 164 páginas e conta a história de um grupo de pesquisadores na Antártica que se depara com uma cabeça alienígena enterrada no gelo. Ela possui a capacidade de se transformar em qualquer ser vivo. A volume ainda traz extras contendo curiosidades sobre o contexto do romance, bem como algumas ilustrações dos personagens da história.

A narrativa apresenta uma investigação científica sobre o reconhecimento de espécimes extraterrestres. Por esse motivo, a linguagem dele é técnica, ainda mais porque os personagens principais são físicos, biólogos e meteorologistas. 

Apesar de ser um pouco arrastada as partes em que eles estão conversando sobre os métodos que deveriam ou não adotar para investigar A Coisa (como é chamada a cabeça alienígena na história), é possível compreender a escolha de Campbell. A maneira científica que o livro é narrado ambientaliza o leitor, construindo uma atmosfera coerente e paralela à realidade. Há momentos, inclusive, que você acaba se convencendo que toda a história seria possível.

A despeito do tema inicial, O Enigma de Outro Mundo pretende ir muito mais fundo do que superficialmente demonstra. Ao trazer a questão sobre a dificuldade de identificar quem é alien ou não – já que os extraterrestres podem se multiplicar e se transformar em qualquer um – Campbell, na verdade, está propondo uma investigação do próprio ser humano.

O que faz de nós humanos?

Esta é a pergunta principal que várias teorias tentaram responder. Mesmo sem uma resposta absoluta, o livro nos convida a viajar para dentro de nós mesmo e nos questionarmos sobre a humanidade que nos caracteriza. Em uma das partes mais interessantes da história, o autor chega a caracterizar as células alienígenas como “egoístas” por possuir o princípio de se preservar a qualquer custo. Não seria isso muito parecido com nosso instinto de sobrevivência?

O Enigma de Outro Mundo é uma fonte de teorias. E seu fim propõe que nós, seres humanos, poderíamos ter sido uma raça desenvolvida por vidas extraterrestres. Se isso é verdade ou não, não sabemos, mas é válido para subsidiar argumentações. Afinal, especular sobre vida fora da Terra pode ser a resposta para nossa existência.

“Para além das estrelas, está a resposta. De um lugar além das estrelas, de um planeta mais quente que circula ao redor de um sol mais brilhante e mais azul, eles vieram”

O Enigma de Outro Mundo é um livro curtinho obrigatório a todos os interessados em ETs e aos fãs de ficção-científica.

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Resenha | A Ilha do Guardião da Tempestade

“Uma ilha que nunca se esquece. Uma história que você lembrará para sempre”

Mylla Martins de Lima

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A Ilha do Guardião da Tempestade foi lançado em Janeiro deste ano pela editora Rocco. O romance fantástico foi a estreia de Catherine Doyle, irlandesa, no universo literário.

A ilha do guardião da tempestade: Doyle, Catherine, Fonseca ...

O livro conta a história de Fionn, um menino muito medroso que vai visitar seu avô pela primeira vez na companhia de sua irmã mais velha, Tara. Só o fato de pegarem a balsa de Dublin para Arranmore já é motivo para que o garoto sinta-se desencorajado.

Ao chegar na ilha, não demora muito para que Fionn descubra a importância local de seu avô, até então omitida por Tara e sua mãe. O velhinho nada mais é que o grande Guardião da Tempestade, responsável por guardar as memórias da ilha, além de mantê-la segura da feiticeira Morrigan, que trouxe muita dor e escuridão no passado. Toda a magia de Arranmore é secreta, só residentes podem saber de sua existência.

A aventura começa quando o jovem neto de Malachy descobre que consegue manusear a magia de forma que nem o próprio avô, guardião, consegue. O futuro da ilha depende do inesperado dom curioso de Fionn.

” — Por que acha que todo mundo em Arranmore respeita tanto o Malachy? — disse Bartley, cuspindo gotas de água da chuva. — Acha mesmo que é porque ele passa o tempo todo fazendo velas arcaicas com um monte de temporais inúteis e pores do Sol idiotas? — Fionn sequer teve tempo de responder. — Malachy ajuda os habitantes da ilha com as colheitas. Ele mantém os animais saudáveis. Ele acalma a maré para os pescadores. — Bartley deu um sorriso malicioso. — Mas essa tempestade ele não vai poder impedir”

Esse é o primeiro livro de uma série que deixa um gancho para fãs apreensivos. Toda narrativa é feita de forma a provocar o leitor de construir o grande final mentalmente e ficar aguardando por ele, mas isso não acontece. Tomado pela ansiedade, é difícil não implorar pelo segundo volume.

A autora representa a magia através de velas confeccionadas pelo guardião da magia. Elas permitem que ele guarde histórias e as visite ao queimá-las. Cada viagem no tempo é uma surpresa diferente, uma nova peça para o quebra-cabeça gigante que é a ilha.

” — Você é a história dele, Fionn. Você e Tara. E sua mãe. E eu. Enquanto houver alguém que se lembre de você, você continuará vivo, assim como sua história. Essa é uma das maravilhas de Arranmore. A ilha nunca esquece”

Nem só de surpresas e segredos vivem os personagens dessa história, que só está começando. O maior sonho de Fionn é encontrar seu pai, mesmo que isso seja impossível pois, quando sequer havia nascido, Cormac morreu em um acidente inexplicável durante uma tempestade. Sua mãe não fala sobre e, desde então, nunca mais pisou na ilha também.

Além de perdas, a obra trata também de assuntos como amizade, medo, amor de família, auto-conhecimento, confiança e muito mais!

O livro transmite, de maneira clara, toda emoção que Catherine quis passar. O modo como Fionn se aproxima do avô e o laço que ambos criam, não é de todo mera ficção. Essa história é especial por ser uma homenagem ao avô da autora, que realmente mora Arranmore e sofre de Alzheimer. A moça juntou todo seu amor por lendas locais mais as memórias de seus entes queridos e transformou em um livro encantador, emocionante e interessante da primeira à ultima página.

A Ilha do Guardião da Tempestade é um livro instigante, ótimo para presentear quem está no início da jornada literária (a partir de 10 anos), mas não se anula à quem já tem o hábito de leitura. Catherine traz sentimento à obra, o que agrega ainda mais valor.

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Resenha | Urucumacuã

A incrível aventura do príncipe alquímico que realizou diversas façanha no norte brasileiro.

Mylla Martins de Lima

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Heloísa Helena Entringer Pereira, junto à Lura Editorial, entregam uma ótima forma de conhecer um pouco mais sobre a magia do folclore amazônico. Urucumacuã foi originalmente publicado em 2018.

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Urucumacuã conta a história do lendário príncipe mágico que viveu há muitos anos no norte do Brasil, na região que hoje chamamos de Amazonas, e lá deixou seu imenso tesouro. Apesar do foco principal ser a realeza, ícones muito conhecidos como Saci Pererê, Mula sem cabeça e até o Boto cor-de-rosa também fazem parte da leitura.

”No dia em que o Sol e Lunes estiverem na casa de Gemini, um grande pássaro branco, desconhecido neste reinado, pousará na janela dos aposentos reais. Então, a rainha dará à luz filhos gêmeos: Príncipe Urucumacuã e Príncipe Kurokuru “

O tom misterioso dado às frases da leitura é o que de fato convida o leitor a se comprometer até o fim do livro, movido pela curiosidade de entender cada personagem secundário apresentado na grande história. O livro é composto por subcontos que relacionam cada ser existente nesse universo abarrotado de misticismo, onde todos são cruciais para o desfecho.

” — Que menino é este?

— De onde o trouxeram? — perguntaram ao mago Natu.

— Acalmai-vos. Explicarei agora. Esta é uma criatura ex-tranha: é Kurupirá, filho de Kaiporã, aquele ser gerado e reproduzido pela força mágica no dia em que o Bruxo Neno se deitou com a senhora Pan Thera, a Marquesa de Sonça, momentos antes de ela se transformar na gata Pintada! ”

Toda a narrativa é contada através de um jogo bem-humorado de palavras, o que torna tudo mais divertido e dinâmico. Contudo, a linguagem escolhida para trabalhar a história é um tanto cansativa, resultando em um livro denso e longo, com 659 páginas. Uma obra nova, mas com vocabulário antigo, expressões até engraçadas, mas que, em alguns casos, podem passar despercebidas, dependendo de quem está com o livro em mãos.

” — O dançarino de número 69 cometeu o ato seis vezes. Asseguro que com a princesa Putha foi in sexto… As outras cinco continuam virgens, mas pelos exames, foram penetradas pela ré, por isso a ré pendida. Não posso garantir, mas conforme a rainha Vidência, a única a engravidar foi a sexta, que se trata da vossa filha!”

A ressignificação de palavras também é considerado um dos pontos altos do livro. O vocabulário popular ganha um novo ponto de vista, na maior parte do tempo, acompanhado de sacadas genuínas. Sem filtro algum, a autora brinca com palavrinhas e palavrões, mostrando seu lado descontraído.

” — O que aconteceu? O que aconteceu?

Sem poder explicar, resumiu o fato numa simples frase:

— Foi o que a princesa Putha pariu… foi a Putha que pariu!”

Para os curiosos, Urucumacuã é uma ótima chance de descobrir o quão bonito, florido e encantador é o nosso folclore.

Urucumacuã é, para os interessados nas raízes do gigante norte brasileiro, uma enciclopédia mitológica

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Resenha | Ousadas 2: Mulheres que só fazem o que querem

Conheça mulheres que fizeram história com suas próprias histórias.

Mylla Martins de Lima

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Após o lançamento de Ousadas 1 e Uma Morte Horrível, de Pénélope Bagieu, a editora NEMO traz Ousadas 2, em homenagem ao Dia das Mulheres. Não existe presente melhor que esse no meio literário.

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O livro é recheado com pequenas histórias biográficas que mostram mulheres revolucionárias em diversas épocas. Assim como o primeiro volume, o segundo também possui 15 grandes personalidades que criaram, se destacaram e marcaram a sociedade por meio da arte, política, ciência ou ações sociais.

Todas as personagens têm em comum as dificuldades que passaram até sua ascensão, sendo definidas pelo sexo. Ambas foram atrás do que acreditaram, mesmo diante das opressões sociais ou, em casos piores, violência de todo tipo. Algumas das trajetórias causam grande incômodo por relatarem extremo abuso e pega o leitor desprevenido.

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Dentre as mulheres ousadas dessa edição, se destacam Temple Grandin, a autista que revolucionou as práticas para um tratamento mais racional de animais em fazendas e abatedouros; Sonita Alizadeh, uma rapper e ativista afeganistã que luta contra a submissão da mulher que não tem direito às escolhas do próprio corpo; e Phoolan Devi… que merece ser lembrada de maneira muito especial.

Dona de uma das história mais chocantes, Phoolan é uma indiana que nasceu na casta shudra, a mais baixa dentro do hinduísmo. A menina casou-se com apenas 10 anos, quando não sabia nem quem era si mesma, e foi levada para a casa de seu novo marido. Após ser violentada diversasvezes, a pequena adoeceu e o marido a devolveu para seus pais. Desse modo, Phoolan trouxe desonra à sua família. Não admitia-se que se falassem sobre ela. Mais tarde ela acaba arrumando confusão e é expulsa da vila.

Sem rumo, a pequena e corajosa Phoolan viajou de vila em vila, passou por violência atrás de violência… Mas a menina mais uma vez não deu o braço a torcer e espalhou a notícia dos abusos que sofreu, o que não poderia ter sido pior para os acusados. Os homens mandam uma gangue famosa da época matar a garota e ela acabou sendo capturada. Mas diferente do que se imaginava, Phoolan acaba encontrando nesta gangue seu novo lar e até seu par romântico. Ela conta sua história a seus novos companheiros e eles lhe prometem vingança a todos que a maltrataram. E a promessa foi cumprida.

Tempos depois, seu grupo é caçado e a única a sobreviver é Phoolan. Foi poupada para que passasse por tudo novamente. Tomada pela raiva, a moça monta uma nova gangue com o objetivo de dar fim aos estupradores nos vilarejos, sendo reconhecida com nobreza entre as mulheres mais pobres.

Em Ousadas 2, alguns ícones como a atleta Cheryl Bridges, a cantora Betty Davis, muito à frente de sua época, e Nellie Bly, primeira jornalista investigativa, também tem suas histórias contadas. Mesmo com a narrativa pesada, o texto segue com tiradas bem-humoradas e ilustrações maravilhosas que se encaixam muito bem com o tom dos diálogos.

Pénélope Bagieu trouxe uma grafic novel que independe de gênero para ser lida, mas indicada para jovens a partir de 14 anos, pois esses entendem melhor os acontecimentos relatados. Muito bem escrita, a série Ousadas já vendeu mais de 200,000 exemplares só na França.

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Desde sempre os homens falam pelas mulheres, mas hoje elas conseguiram mostrar que todas têm voz própria e lutam dia pós dia para serem ouvidas. Essas mulheres nunca se calaram, mesmo frente a tudo que passaram, e por isso a importância da HQ. Ousadas 2 funciona como inspiração para jovens e senhoras quebrarem padrões impostos por homens, revelando a força feminina em seu auge.

A editora NEMO, como sempre, acertou em cheio na escolha da publicação. O quadrinho, além de lindo, deixa claro quem fez e faz as regras.

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