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Thaís Rossi

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Lançado em fevereiro de 2017, o livro faz parte do selo Legends – Histórias lançadas antes de a Disney adquirir os direitos da Lucas Films – e faz parte do selo Geek da editora Universo dos Livros. Star Wars – Uma nova esperança: a vida de Luke Skywalker foi escrito pelo autor Ryder Windham, que é responsável por diversas criações literárias dentro do universo Star Wars. Seu currículo conta com mais de 60 obras, incluindo quadrinhos, romances e livros de referência.

O trabalho mais destacável de Windham é Star Wars: The Ultimate Visual Guide, que passou três semanas na lista de best-sellers do New York Times em 2005.  

A narrativa de Uma nova esperança faz um paralelo entre o presente (dois anos após a morte de Vader) e o passado de Luke Skywalker. É através dela que os fãs da saga matam a curiosidade de saber como o jovem sobrinho de fazendeiros se transforma em um dos Jedis mais poderosos do universo Star Wars, já que no final do filme, Luke ainda era um padawan.

Trazendo cenas clássicas da trilogia, ligadas por novas histórias, Ryder nos apresenta o jovem Luke Skywalker, uma criança curiosa e inteligente que sempre quis conhecer a história do seu pai, que segundo seus tios, era um simples piloto de um cargueiro de especiarias; morto pelo império galáctico. 

Em suas lembranças, acompanhamos sua infância com seus tios Beru e Owen, suas amizades, principalmente com Biggs (personagem já conhecido por nós por aparecer no Episódio IV, Star Wars: Uma Nova Esperança), e sua ânsia de sair de Tatooine em busca de algo a mais em sua vida. 

Embora o sonho de seu tio fosse ver Luke assumindo a fazenda, o menino sempre soube que era bom demais para o hostil planeta de dois sóis. Ele queria mais, sempre soube que era especial e que um planeta seco e cheio de areia era um palco muito pequeno para seu propósito e suas ambições. 

 
“– Acho que eu entendo – Luke disse – E todo o esforço dele na fazenda é para construir algo para todos nós. Isso me faz sentir como um traidor só de pensar em ir embora, tia Beru. Mesmo assim… uma parte de mim continua sentindo que deveria haver algo mais. (…) Talvez seja só medo de crescer, de encarar responsabilidades, igual ao tio Owen. O que mais poderia ser?”  
 

Depois de presentear o público com uma história épica e comovente sobre o temido Darth Vader, Ryder Windham não fez diferente ao contar a trajetória do jovem filho do vilão. Com uma obra de pouco menos que 200 páginas, o autor nos mostrou que não é necessário criar um livro volumoso para comportar uma história de tirar o fôlego.  

Além de despertar o sentimento de nostalgia nos fãs revivendo algumas cenas da trilogia clássica, ele os deliciou com diversas novas histórias que trazem ainda mais sentido para certos acontecimentos dentro dos filmes. Embora seja um livro dividido em diferentes épocas da vida de Luke, a leitura é simples e viciante. A escrita de Ryan é objetiva, mas detalhista. Ela se torna crucial para o entendimento de cada história retratada na obra.  

Um dos muitos pontos positivos da leitura é a maneira como o autor mostra o agir da Força ao longo da vida de Luke quando mais novo. Ainda que seus tios relutassem em falar sobre os pais do menino, ele sabia que era diferente. Ryan foi bem cuidadoso em mostrar, mesmo que sutilmente, a interferência do “dom” no desenvolvimento do jovem, através de sensações, pensamentos e do modo como ele se sentia deslocado e grandioso demais para viver uma simples vida de fazendeiro.  

“Ele não sabia se esse conhecimento traria mais sabedoria ou satisfação. Tudo que sabia era que ainda se sentia sozinho e deslocado, da mesma maneira que se sentia quando era um pequeno garoto, crescendo numa desolada fazenda de umidade na vastidão desértica de Tatooine” 

Outro ponto que faz com que o esse livro seja um dos melhores do selo é o destaque dado aos sentimentos de Luke em relação a seu pai. Enquanto sua irmã enxerga Vader / Anakin como um tirano que destruiu seu planeta – mesmo após sua redenção e morte – Luke sabia que seu pai fora mais do que uma máquina do império e decidiu ir atrás da história de Anakin Skywalker para tentar entender o caminho que o levou a ser Darth Vader.

Windham se empenhou em deixar explícito que, apesar da ausência e das descobertas de Luke em relação ao pai, ele o perdoou e o amou a ponto de salvar a sua alma do Lado Sombrio. 

“Eu apenas gostaria de entender como ele se tornou o homem que foi, e como certas circunstâncias de sua vida podem ter afetado suas decisões. Não posso aprender com os erros dele se eu não souber quais foram esses erros.” 

Com Uma nova esperança, Ryder Windham nos mostra que apesar de os sentimentos serem um caminho para o lado negro (como muitas vezes somos lembrados por mestre Yoda nos filmes), Luke aprende a usá-los para potencializar seus poderes. Ele descobre que a diferença é saber administrar seus sentimentos para não se tornar escravos deles, como os Sith geralmente se deixam levar.

Apesar de amar sua família e até mesmo ter se envolvido amorosamente com algumas nativas de planetas por onde passou, ele sabia que precisava ser cuidadoso para não cair na mesma armadilha que seu pai, que tinha um compromisso com a Rebelião. Seu propósito, como Jedi, era o mesmo que Vader: a maior demonstração de amor que ele poderia dar era lutar para manter a segurança e proteger todos os que ele ama. Essa característica foi o que o levou a encontrar o equilíbrio que muitos Jedis buscam durante toda a vida e é ela que torna Luke um dos maiores Jedis do universo Star Wars.

Mais uma vez Ryder Windham surpreendeu os fãs de Star Wars com um Legend inesquecível. Conhecer a história de Luke é um rico acréscimo para compreender melhor diversos acontecimentos dentro da história cinematográfica e Windham a apresentou de maneira impecável, respeitando o legado dos roteiros de George Lucas e os personagens que se tornaram lendas dentro da cultura geek.

Star Wars – Uma nova esperança: a vida de Luke Skywalker consolida a série do autor como uma das melhores criações literárias dentro do universo expandido da saga.

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Resenha

The Outsiders – Vidas Sem Rumo

“Quer saber de uma coisa? A vida é dura para todo mundo”

Paulo H. S. Pirasol

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CAPA OUTSIDERS

The Outsiders – Vidas Sem Rumo é um livro escrito pela autora S. E. Hinton publicado pela primeira vez em 1967 pela Viking Press, ganhando uma adaptação para o Cinema em 1983 pelo diretor Francis Ford Coppola (Poderoso Chefão e Apocalypse Now). A editora Intrínseca retornou o livro às livrarias brasileiras em abril com tradução de Ana Guadalupe. Ele foi impresso em edição de luxo, com capa dura, pintura trilateral, tradução e projeto gráfico inéditos, contendo também uma carta da autora e um prefácio de Ana Maria Bahiana (jornalista e crítica de cinema), além de uma entrevista com a autora e uma seção dedicada aos bastidores do filme.

Em 1988, Hinton foi agraciada na primeira edição do Margaret A. Edwards Award, prêmio da American Library Association dedicado às obras voltadas ao público jovem.

Susan Eloise Hinton, nasceu em Tulsa, Oklahoma. Tinha quinze anos quando começou a escrever o livro. A maior parte dele escreveu aos dezesseis, em seu último ano na escola. O livro foi publicado em 1967, causando um tremendo sucesso e dando voz à juventude.

O clássico conta sobre a rivalidade de duas gangues, formadas por jovens, na cidade de Tulsa, em Oklahoma. Nosso narrador e protogonista pertence ao lado dos Greasers, que se opunham contra os Socs.

“— Eu sou um Greaser — começou a cantar Sodapop. — Sou delinquente, sou bandido. Sujo o nome da cidade. Dou porrada. Roubo posto. Sou uma ameaça pra sociedade. E, cara, é bom demais!”

Greaser é um termo pejorativo para se referir a uma cultura estadunidense de trabalhadores pobres marginalizados. Esta etimologia é a base do conflito que existe entre as gangues. Greaser contra Soc não se difere da classe trabalhadora contra a consumista, sendo os dois grupos representantes de um grande extremo de cada.

Para esta juventude, a identidade vai além do visual, é uma questão de “Onde tu vem? A qual família tu pertence? Com quem tu andas?” Definições que estão referentes ao declínio do individualismo nas sociedades em massa, quando o ser se apaga para dar nome e imagem a sua tribo, mesmo ela sendo uma Tribo Urbana.

O surgimento dos Greasers se passa um pouco depois da Segunda Guerra Mundial, quando temos mais uma enfatização extrema do conflitos entre tribos opostas, do orgulho pela identidade e da revolta contra a diferença. A primeira coisa que chama atenção na obra é repararmos que até mesmo crianças nascem e morrem batalhando nesta crise conflituosa.

Existem várias obras que abordam este contexto de criação de diferentes grupos pós-guerra, mas geralmente seus personagens são adultos mais velhos. Em The Outsiders – Vidas Sem Rumo, acompanhamos a vida de Ponyboy, um moleque de quatorze anos, meio mirrado e bastante inteligente, o mais novo Greaser entre os irmãos e o grupo de amigos. Depois da morte dos seus pais, ele passou a conviver apenas com o irmão Sodapop, dezesseis anos, e Darrel, vinte anos.

Tantos os irmãos quanto os outros membros do grupo têm suas características muito bem apresentadas e trabalhadas durante toda narrativa, até mesmo os Soc’s. A autora se preocupa em mostrar que por trás de todo esse uniforme existe uma identidade única em cada individuo. Ela não torna a individualidade o grito da obra, pois está mais concentrada em dizer quem eles são incluindo o uniforme, a convivência de suas diferenças relacionadas numa identidade geral. Ela aborda o todo.

“Naquela hora eu entendi tudo. Soda brigava por diversão, Steve, por raiva, Darry, por orgulho, Two-Bit, para ser igual aos outros. Por que eu brigo?, pensei, e não consegui encontrar nenhum bom motivo.”

Empatia devido a dor

Este ‘conheça a ti mesmo’ na obra só é abordado depois que nos acostumamos com a identidade das gangues. De início, a narrativa te coloca conectado àquele mundo mostrando a violência que as gangues causam entre si, nos instigando a temer quando ambos se encontram ou esperar provocações quando um se refere ao outro. Leva tempo para entendermos que um Soc também tem nome e emoções; e que um Greaser ser cruel não é tão comum quanto parece.

Depois que somos guiados lentamente e cuidadosamente nesta visão mais detalhada do que é um grupo, a composição de pessoas que ali convivem, e que todas possuem suas próprias identidades, somos confrontados a descobrir detalhes tão profundos delas que nem mesmo outros personagens sabiam.

E logo após este choque de olhar para um quadro e enxergar pontinhos, de avistar um grupo em que os membros se vestem parecido tanto nas roupas quanto no penteado e conseguir perceber o sentimento de cada um, nossa visão tribal começa a morrer. Passamos a deixar de enxergar que é uma gangue com imagem, identidade e reputação e vemos personagem por personagem, pessoa por pessoa, dor por dor.

“Quer saber de uma coisa? — Ela me encarou. — A vida é dura para todo mundo”

Um fator arriscado, mas que foi muito bem executado na narrativa, é do narrador ser o Ponyboy. Este menino mais novo coberto de entusiamo pela admiração e amor que tem pela gangue tem um desenvolvimento excelente que acompanha tanto o personagem quanto o narrador. Não conseguimos enxergar a autora, apenas o Ponyboy e, junto dele, nós crescemos esta visão que possibilita enxergar a dor que cada um carrega atrás do uniforme. Mesmo o protagonista, que é membro da gangue, mostra que tem muito a aprender sobre reconhecer a identidade de cada um ali, o que nos ajuda em muito como leitor a ter o mesmo tipo de aprendizado.

“No fim das contas os Socs eram só caras normais. A vida era dura para todo mundo, mas era melhor assim. Assim você sabia que o outro cara também era um ser humano”

A conclusão da história consegue ser ainda mais forte de tudo que foi apresentado. Com leveza, o livro cumpre com tudo que propôs ao chamar a atenção do leitor. O ponto mais alto é que ele desenvolve tanto o leitor. Durante a leitura — mesmo que iniciada e finalizada num único dia — o leitor passa a observar os personagens, as gangues e todo aquele mundo de forma diferente, e quando se dá conta, tanto o personagem quanto o leitor estão diferentes.

Francis Ford Coppola

Em 1980, meses depois da árdua produção e lançamento de Apocalypse Now, uma carta chega nas mãos de Coppola, diretor do acalmado Poderoso Chefão. Junto da carta vinha uma edição de bolso de The Outsiders e uma missiva curta com 301 assinaturas: trezentas de alunos e uma de Jo Ellen Misakin, bibliotecária de uma escola no interior da Califórnia.

A edição de luxo que a Intrínseca apresenta tem esta carta e a reação de Coppola em seu prefácio. Assim que terminaram as filmagens de O Fundo do Coração, Coppola deu início a The Outsiders, que no Brasil ganhou o título Vidas sem rumo. O diretor trouxe a autora para o set para trabalhar com ele na versão final do roteiro, ao mesmo tempo que escrevia O Selvagem da Motocicleta, outro do mesmo gênero.

Coppola infelizmente parece não dar muita conta em adaptar a obra literária para o audiovisual; seus planos são quase sempre bastante abertos, provavelmente pela quantidade de personagens que quer apresentar visualmente, mas acaba perdendo a atenção na concentração que devemos ter ao drama de cada personagem. Quando tenta fechar o plano, movimentando a câmera num ar que indica que agora devemos dar atenção ao diálogo, os atores – mesmo que muito bons – não conseguem acompanhar esta direção e acabam deixando o clímax passar antes mesmo do enquadramento se encontrar.

São raros os momentos em que o filme acerta em dar atenção ao que os personagens dizem, as partes em que consegue enfatizar certa situação são nos momentos violentos; estes conseguem ter muita atenção e até dividi-la com o que os personagens tem a dizer, aí conseguimos achar o drama.

Parece que o diretor teve uma preocupação maior em se perguntar “Como posso mostrar esta história?”, do que em “Como contar?”. Os personagens também são frutos desta característica de composição, tem uma força e ânimo tão de acordo com o fato de serem jovens que não possuem nenhuma pausa em suas palavras, e elas saem como se fossem nada; o filme mostra muito bem que são jovens, mas não que são jovens que precisam ser ouvidos.

Este problema está sempre ligado ao fato de acreditar que uma boa adaptação basta em deixar a história ser contada. É preciso ter a noção de que são meios de comunicações diferentes, portanto torna-se necessária uma estratégia bem elaborada, o que faltou no filme. Fora isto, a importância da criação de uma adaptação para o Cinema começa quando um diretor experiente se interessa e decide trabalhar numa história de gangues em que os personagens são jovens.

A história influência escolhas

É esta atenção que The Outsiders: Vidas Sem Rumo consegue de qualquer um. Sua grandiosidade mostra que até mesmo alguém com nome de peso, no Cinema, pode sofrer dificuldades em recontar a obra, mesmo quando entendem a necessidade de mostrá-la.

Ajudar os jovens a se encontrarem e a poderem ser capazes de enxergar os outros ao seu redor, e melhor ainda, ajudar àqueles de fora a saberem que esta juventude está além de uma generalização básica, é o primeiro passo para que ela permaneça dourada.

Permaneça dourado, Ponyboy.

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HQs

Resenha | Black Hammer

Uma história sobre heróis que foram pagos com a prisão após salvarem a humanidade.

Gustavo Carvalho Cardoso

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Black Hammer é uma HQ escrita por Jeff Lemire e desenhada por Dean Ormston, publicada pela editora Intrínseca em 2018. Jeff Lemire é um dos grandes nomes dos quadrinhos atualmente, criando histórias sombrias com tramas envolventes e com personagens cativantes.

Há 10 anos um grupo de heróis salvou Spiral City de um inimigo chamado Antideus, porém, este feito foi pago com a liberdade. Os heróis foram banidos para uma fazenda em uma pequena cidade prisão.

A HQ é uma homenagem às antigas histórias em quadrinhos que eram lançadas pela Marvel e pela DC. Os heróis são bem definidos e são quase uma paródia de heróis que já vimos em outros lugares como o Abraham Slan que é quase um Capitão América sem soro de supersoldado.

Os personagens têm camadas bastante distintas, propiciando choques de realidade e problemas familiares entre os membros, que é o que os torna muito humanos. É fácil se conectar com a trama, pois ela é bem engajada e as páginas passam rápido, fazendo o leitor mergulhar nesta história sombria e cheia de mistério.

Presos em uma prisão fora da realidade, eles têm que se misturar aos humanos de uma pequena cidade, o que leva os heróis a adotarem uma mentira conjunta. A verdadeira missão de suas vidas então começa, pois, além de terem que lidar com seus próprios traumas, terão também quem lidar com os traumas de seus colegas, como uma família.

A subversão de heróis poderosos a chefes e integrantes de uma família faz com que a história tenha um tom mais pesado, fazendo com que cada página seja uma surpresa nova.

Black Hammer é muito bem desenhada e cada personagem tem um estilo de desenho único para se encaixar com a trama que ele traz, como a Madame Libélula que apresenta um traço mais sombrio baseado nas HQs antigas de terror.

A HQ resgata a humanidade dos super-heróis ao mesmo tempo que discute a linha tênue que os faz ser vistos como monstros quando não são mais necessários.

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HQs

Resenha | O melhor que podíamos fazer

“Um livro para despedaçar seu coração e depois curá-lo”

Mylla Martins de Lima

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O melhor que podíamos fazer, publicada em 2017 pela editora NEMO, traz a memória gráfica da família de Thi Bui, uma vietnamita refugiada para os Estados Unidos. Essa autobiografia tem o intuito de encorajar, educar e inspirar de um modo diferente.

O melhor que podíamos fazer | Amazon.com.br

A história já começa com um momento muito especial na vida da autora, o parto de seu primeiro filho. Toda a ideia por trás da obra teve sua origem na construção de sua própria família partindo do questionamento: como seria a vida de seu bebê senão uma sombra carregada de medo e sofrimento?

Thi Bui começa a explicação dessa primeira pergunta através de um flashback extenso que se prolonga até as últimas páginas do memorial, desenhando em quadros as passagens de sua dura vida no Vietnã, a começar pela origem da guerra. Dessa forma, a autora vai dando voz às histórias contadas sobre a infância dos mais velhos. Abrindo espaço para seu pai, a autora reproduz as agressões aferidas de seu avô contra sua avó, que foi posta para fora de casa mesmo em um período conturbado, onde a fome devastava a população mais pobre.

Thi Bui Nos Faz Refletir Sobre O Melhor Que Podíamos Fazer Em Uma ...

Em 1940, época da Segunda Guerra Mundial, não só a Europa sofria com a invasão das tropas nazistas, mas o Japão e a China também entraram em conflito. Quando a ‘Terra do Sol Nascente’ resolveu bloquear as rotas de abastecimento chinesas, as pessoas improvisavam como podiam para sobreviver, e com a família dele não foi diferente. Sem mãe, o pai Nam descobre toda a maldade do mundo antes mesmo de se reconhecer como cidadão. Ele passa a narrativa inteira preocupado com sua própria vida. Ele foi criado pelos avós e futuramente se torna pai de Thi Bui e seus irmãos.

A vida de Má, mãe da menina, é bem diferente da de seu marido. Vinda da classe alta, seu pai era um engenheiro que trabalhava para os franceses, por isso as coisas só ficaram mais estreitas. A guerra se torna um empecilho mais tarde, quando os caminhos dela se cruzaram com os de Nam. Por conta do relacionamento de dar entre classes totalmente divergentes, o preconceito por parte da família da moça a acabou afastando, passando a viver na humildade junto ao seu futuro esposo.

Apesar de todos os transtornos na juventude, mesmo após o nascimento de seus filhos, a vida do casal não teve qualquer alívio. Os horrores do passado ainda os assombravam e, pensando no futuro dos pequenos, decidem tentar uma vida longe do caos que o Vietnã dos anos 70 ainda era, mesmo que isso significasse um tiro no escuro.

Crítica | O Melhor Que Podíamos Fazer: Memórias Gráficas – Central ...

Thi Bui dá ênfase no passado de seus pais, mas também fala um pouco sobre a dificuldade no nascimento de cada irmão. Contudo, o mais interessante, e até importante, dessa trajetória narrada é a perspectiva do anciãos sobre a guerra… até porque, quem melhor para falar senão quem passou pela dificuldade desde o início?

Com muita sensibilidade, a autora fala um pouco sobre a vida difícil de seus pais, dando mais visibilidade a Nam, já que esse se mostrava um homem mais ríspido. É de aquecer até o coração mais frio o respeito, orgulho e gratidão em suas palavras quando o assunto beira à luta, à força e à superação de seus ascendentes.

A ilustração é única. As partes mais escuras refletem muito bem o teor dramático que Thi quis empregar. Alguns detalhes avermelhados em formato aquarelado, bem manchado, não alegram as páginas, apenas fazem o papel de ponto focal, como para localizar o personagem a ser destacado.

A estréia da autora é fascinante, a qualidade do material e sua escrita estão impecáveis. O livro é indicado para quem ama leituras de superação ou quem ama textos históricos. É uma verdadeira aula sobre o século XX.

O melhor que podíamos fazer é o tipo de história que tem muito para ensinar. As mensagens mais importantes são a de coragem e perseverança.

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