Demorou, mas finalmente um dos k-dramas mais bem avaliados pela crítica e público especializado no gênero chegou ao mainstream ocidental… e vem conquistando o grande público. Classe dos Heróis Fracos (ou Weak Hero Class 1, no original), originalmente lançado em 2022 na Coreia do Sul, estreou na Netflix no último dia 25 de março e vem se destacando por sua abordagem intensa e realista sobre o bullying escolar, combinada com atuações marcantes e uma narrativa envolvente.
A trama gira em torno de Yeon Si-eun (interpretado por Park Ji-hoon), um estudante exemplar conhecido por sua inteligência e desempenho acadêmico impecável. Apesar de sua aparência frágil, Si-eun se recusa a se submeter à violência imposta por colegas agressivos. Utilizando sua astúcia e conhecimento, ele enfrenta os desafios impostos por um ambiente escolar hostil. Ao longo dessa jornada, ele forma alianças com Ahn Su-ho (Choi Hyun-wook), um ex-lutador de MMA que trabalha para sustentar sua família, e Oh Beom-seok (Hong Kyung), um jovem transferido que busca escapar de um passado marcado por violência escolar.
A série, baseada no webtoon homônimo de Seopass e Kim Jin-seok, se apresenta com uma fidelidade notável à obra original. Para muitos, a adaptação de Classe dos Heróis Fracos para as telas preserva a essência dos personagens e a profundidade dos temas abordados, oferecendo uma experiência autêntica aos fãs da webtoon.
Atuações impactantes do jovem elenco
Um dos pontos altos de Classe dos Heróis Fracos é a atuação de Park Ji-hoon. Conhecido por seu trabalho na música – o jovem foi integrante do grupo de kpop Wanna One – e no drama popular At a Distance, Spring is Green, Ji-hoon entrega uma performance impressionante como Yeon Si-eun, capturando com precisão a complexidade de um jovem que, apesar de sua fragilidade física aparente, possui uma força interior notável. Não à toa, sua interpretação vem sendo reconhecida em diversas premiações asiáticas, consolidando seu talento e versatilidade.

Choi Hyun-wook, no papel de Ahn Su-ho, também merece destaque. Seu personagem, um ex-lutador com um forte senso de responsabilidade, adiciona camadas à narrativa de Classe dos Heróis Fracos, explorando temas como lealdade e sacrifício. O jovem ator, reconhecido por seus papéis em 2521 e Twinkling Watermelon, traz uma presença marcante à tela, equilibrando momentos de intensidade e leveza com maestria.
Já Hong Kyung, que dá vida a Oh Beom-seok, oferece uma performance sensível e multifacetada. Seu personagem, um jovem tímido que busca proteção em meio a um ambiente opressor, reflete as nuances das consequências do bullying e da violência familiar. A atuação de Kyung adiciona profundidade à trama, destacando as complexidades das relações interpessoais na adolescência.
Isso se soma a direção de You Su Min, outro elemento que eleva a qualidade da série. Com uma abordagem que não hesita em expor a crueldade do bullying escolar, Su Min cria uma atmosfera tensa e realista, sem recorrer a justificativas simplistas para as ações dos antagonistas. Essa escolha confere autenticidade à narrativa e provoca reflexões profundas sobre a violência nas escolas.
Narrativa envolvente, que toca em temas atuais

A narrativa de Classe dos Heróis Fracos aborda temas universais como amizade, lealdade e a luta contra a opressão. A dinâmica entre os três protagonistas é construída de forma orgânica, permitindo que o público se conecte emocionalmente com suas jornadas individuais e coletivas. A série também destaca a importância do apoio mútuo e da resistência frente às adversidades, mensagens que ressoam especialmente em contextos escolares.
Além disso, a produção não se esquiva de criticar a indiferença das instituições educacionais e dos adultos em relação ao bullying. Classe dos Heróis Fracos expõe como a negligência e a falta de intervenção podem perpetuar ciclos de violência, incentivando uma reflexão necessária sobre o papel da sociedade na proteção dos jovens.
A produção também se destaca por sua estética visual e coreografias de luta bem executadas. As cenas de confronto são filmadas de maneira dinâmica e realista, transmitindo a brutalidade dos embates e jogando o espectador para dentro das lutas, mas sem glorificar a violência. Essa abordagem contribui para a imersão do público e reforça a seriedade dos temas tratados.
Sucesso de público e crítica
Não à toa, a recepção da crítica e do público tem sido amplamente positiva: Classe dos Heróis Fracos possui uma aprovação impressionante de 95% no Rotten Tomatoes e uma média de 8,5 no IMDb, baseada em mais de 9 mil avaliações. Esses números refletem o impacto da série e sua capacidade de ressoar com audiências diversas.
Com apenas oito episódios, cada um com cerca de 40 minutos, a série mantém um ritmo ágil que prende a atenção do público do início ao fim. A estrutura concisa de Classe dos Heróis Fracos permite uma narrativa focada, sem desvios desnecessários, resultando em uma experiência de visualização intensa e satisfatória.
Assim, a expectativa em torno da segunda temporada é alta… tanto que a Netflix já confirmou a continuação da série, prevista para o próximo dia 25 de abril. Os novos episódios prometem aprofundar ainda mais a história de Yeon Si-eun e, assim como na webtoon, explorar novas dinâmicas, mantendo o nível de qualidade que cativou o público nestes primeiros capítulos.
Classe dos Heróis Fracos é uma obra que transcende os limites do gênero de drama escolar, oferecendo uma reflexão poderosa sobre resistência, amizade e as complexidades da adolescência. Com atuações excepcionais, direção competente e uma narrativa envolvente, a série se firma como um dos melhores k-dramas recentes, conquistando crítica e público com sua abordagem sensível e impactante sobre o bullying e a luta por justiça.