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Snowden: Herói ou Traidor – Crítica

Lorena Ávila

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Herói ou traidor? Foi o questionamento que ficou na cabeça de todos nós, quando em 2013, o agente Edward Snowden da NSA e da CIA revelou para toda a população que o EUA espiona e controla o mundo todo através dos nossos celulares, computadores e uso da internet, sem exceção, regras ou limites.

Isso definitivamente foi uma bomba jogada na sociedade, já que a CIA não espiona apenas grandes corporações, líderes mundiais e possíveis terroristas, ela literalmente invade a privacidade de cada cidadão existente e investiga a vida de todos nós nos mínimos detalhes, tendo livre acesso aos nossos e-mails e mensagens privadas, nossas vídeocalls, fotos particulares, conversas por telefone e, o pior de tudo, acesso as câmeras embutidas nos celulares e computadores que podem ser facilmente hackeadas, possibilitando que qualquer espertinho que entenda razoavelmente bem de informática veja você, sua família e as coisas que você faz na frente dos seus aparelhos que podem estar conectados no quarto, na sala, na cozinha e em qualquer ambiente dentro da sua casa.

Claro que uma história chocante como essa ganharia uma versão cinematográfica rapidamente, e o diretor Oliver Stone (roteirista de Scarface) foi quem decidiu representar esses fatos no cinema, nos apresentando uma história com ação, mas principalmente reflexão, um filme informativo que traz mais detalhes sobre a vida do polêmico Edward Snowden, seu caráter e seu objetivo quando supostamente “traiu” a maior agência de espionagem do mundo e optou por revelar a verdade aos cidadãos, mesmo que isso lhe custasse abrir mão do conforto, das pessoas que ama e do próprio país. O filme também mostra os bastidores jornalísticos do processo até chegar ao público pelo veículo britânico, The Guardian e as filmagens do documentário de Laura Poitras.

O longa é interessante justamente por conta de sua abordagem de caráter documental e por trazer á tona novamente algo importante que quase caiu em esquecimento no último ano; apesar de não surpreender em quase nada, poder ver uma configuração mais clara do que aconteceu e importante não apenas para uma melhor compreensão, mas também para atingir um determinado público que talvez desconheça esses fatos.

Stone pecou em deixar o filme muito longo, já que a história real não é tão empolgante e nem tão extensa a ponto de tornar algumas cenas que poderiam ser simplesmente cortadas tão necessárias, e apesar do próprio estilo do diretor, esses detalhes acabam tornando o filme deliberadamente cansativo aos espectadores.

O roteiro, bem como seus diálogos e questionamentos críticos, está ótimo e promove uma excelente reflexão não apenas sobre o perigo da tecnologia desenfreada e como as pessoas lidam com ela, se expondo cada vez mais sem pensar nas consequências, mas também a respeito da própria história da humanidade, colocando em cheque mais uma vez uma atitude da política interna americana que ainda insiste em colocar os EUA como um deus que comanda a Terra e possui o direito de invadir os sistemas de outras nações, mesmo que isso viole suas próprias leis e as leis de outros países.

Pretextos, como o famoso discurso da segurança e do antiterrorismo, ajudam a reforçar a ideia de que a perda da privacidade pode ser algo bom para as atuais e próximas gerações, que são facilmente induzidas a entregar a própria liberdade em troca do “entretenimento” das redes e dos aparatos tecnológicos.

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O ator Joseph Gordon-Levitt (500 dias com ela), interpretou muito bem Edward Snowden e surpreendeu por transmitir a timidez, a inteligência e a tensão extrema da personagem, em alguns momentos, a meu ver, ele não estava 100% no papel, mesmo assim fez um bom trabalho.

Edward Snowden vive atualmente exilado na Rússia e ainda é uma incógnita para todos nós se o próximo presidente dos EUA irá permitir que ele retorne ao país, ao que parece isso ainda será muito debatido pelos líderes e pelos cidadãos americanos.

Revisado por: Bruna Vieira.

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