A diretoria da Warner Bros. Discovery (WBD) parece ter tomado uma decisão definitiva sobre o futuro da companhia, resistindo às investidas agressivas da concorrência. A empresa deve se manter firme em seu posicionamento estratégico, recusando-se a aceitar qualquer acordo que diverja dos termos já estabelecidos com a Netflix.
A Paramount tentou uma manobra arriscada ao lançar uma oferta de compra hostil — uma negociação direta com os investidores, ignorando a diretoria —, mas o movimento não surtiu o efeito desejado. Mesmo oferecendo um montante bilionário superior no papel, a proposta não foi considerada sólida o suficiente para balançar a confiança dos executivos da Warner.

De acordo com uma nova reportagem da Bloomberg, o Conselho de Administração da WBD planeja instruir formalmente seus investidores a rejeitarem a mais recente oferta da Paramount. A decisão baseia-se na análise de que o acordo com a Netflix, embora financeiramente distinto, oferece melhores garantias e perspectivas de longo prazo para a empresa.

Esse cenário de rejeição ganha força com a recente perda de capital político e financeiro da Paramount. A saída de Jared Kushner, genro de Donald Trump, do grupo de aquisição deixou o CEO da Paramount sem um aliado crucial, enfraquecendo a credibilidade da proposta hostil diante do mercado.
A disputa gira em torno de números complexos. A Warner Bros. e a Netflix haviam anunciado um acordo inicial de US$ 82,7 bilhões, o que equivale a US$ 27,75 por ação. A contraproposta da Paramount, surgida posteriormente, oferecia US$ 30 por ação pela totalidade da empresa.

No entanto, a “pegadinha” financeira estava na avaliação dos ativos: a oferta da Paramount avaliava as redes de televisão e outros setores da Warner em apenas US$ 2,25 por ação, mantendo o valor de US$ 27,75 apenas para a divisão de Streaming. Essa desvalorização dos ativos tradicionais foi um ponto crítico para a recusa.
A postura do conselho não surpreende analistas. Logo após receber a oferta “não solicitada”, a WBD já havia emitido um comunicado afirmando que não modificaria sua recomendação favorável à Netflix. Resta saber se os acionistas seguirão a orientação da diretoria ou se haverá alguma surpresa na votação final.


