Liga da Justica de Zack Snyder

Warner Bros. tem duas opções: mudar tudo a cada filme ou se estruturar definitivamente

Warner Bros. Discovery tem um grande desafio, ou talvez não, e mantem a preguiça dos gestores anteriores.

Nesta última semana, finalmente, foi revelado o nome da nova empresa após a fusão entre a Discovery e a WarnerMedia. Apesar de pouca criatividade, a Warner Bros. Discovery terá importantes corporações sob seu domínio. Uma delas é a DC Comics e todos os seus, digamos, braços: filmes, séries, games e histórias em quadrinhos.

Ainda que seja muito cedo para avaliar o que pode acontecer com as produções inspiradas nas icônicas propriedades intelectuais da DC, neste momento, tudo indica que o plano atual deverá continuar sendo seguido. O que isso significa? Por ora, que o planejamento que já está em curso é o fio condutor dos projetos com o selo DC Comics.

Puxando mais precisamente para a parte cinematográfica, grandes mudanças não devem acontecer tão em breve. Isso porque vários projetos da “nova fase” (pós-Zack Snyder) estão em algum estágio de desenvolvimento ou finalização, como por exemplo, The Batman (pós-produção), Adão Negro (período de filmagens), Shazam!: Fúria dos Deuses (período de filmagens), The Flash (período de filmagens) e Aquaman 2, que está em pré-produção e começará suas filmagens a partir do próximo mês de julho.

Com a fusão recém-concluída em maio, é pouco provável que mudanças significativas sejam feitas nos projetos citados anteriormente. Aliás, como sabemos, os atuais executivos da DC Films, principalmente o presidente do estúdio subsidiário da Warner Bros., Walter Hamada, procuram de todas as maneiras se afastar do tom proposto por Zack Snyder dentro de sua trilogia principal, que contempla O Homem de Aço (2013), Batman vs Superman: A Origem da Justiça (2016) e Liga da Justiça de Zack Snyder (2021).

Tendo isso em mente, os próximos lançamentos da DC, nas telonas, vão seguir a mesma vibe, pelo menos aparentemente, de Liga da Justiça (2017), Aquaman (2018) e Shazam! (2019). Obviamente, um projeto ou outro pode ganhar uma perspectiva mais sombria, como certamente será o longa protagonizado pelo ator, Robert Pattinson, e talvez até Adão Negro seja menos colorido e menos piadista (fórmula Marvel, que só funciona e muito bem na Marvel), além da possível continuação de Coringa, que deve manter uma jornada para maiores.

É claro que qualquer fusão deste porte, com duas empresas gigantes do setor de entretenimento, traz consequências para todas as pessoas e para os projetos que estão sendo criados nestas mega companhias. No caso da DC Films, vai ser bastante interessante avaliar como serão os novos passos sob o comando da Warner Bros. Discovery: mudar tudo a cada lançamento ou, de uma vez por todas, organizar o que está errado lá dentro?

Como colocado antes, nós só vamos conseguir sentir e perceber qualquer mudança depois dos lançamentos dos filmes. Em agosto, teremos a estreia de O Esquadrão Suicida, com direção do ótimo James Gunn.

E esse já é um produto com a “nova cara” da DC nos cinemas. Vai ser diferente daquele tom proposto por Zack Snyder, que nos acostumamos em assistir, até porque Gunn tem um olhar distinto. E isso não é ruim.

Desde que Zack e WB se “divorciaram” (vale lembrar que a Liga da Justiça de Zack Snyder é um conteúdo original da HBO Max), a DC perdeu sua identidade. Você gostando ou não do estilo, da fotografia e das histórias contadas através da visão de Snyder, conseguia perceber a identidade da DC nos cinemas: sombria, caótica e de desconstrução e construção ao mesmo tempo.

Mudanças são sempre bem-vindas desde que bem planejadas. Na DC, nessa era moderna, infelizmente, nunca foi assim. Os fãs, ao longo de altos e baixos, se acostumaram com transformações repentinas e, na maior parte das vezes, pouco eficazes.

Hoje, quando falamos da DC Films, estamos analisando um estúdio que sonha estar no lugar da rival e mesmo com propriedades intelectuais tão interessantes quanto às da Marvel, consegue perder para si mesmo, vide a expectativa e o “fracasso” (entre aspas mesmo por ser um certo exagero falar em fracasso) de Mulher-Maravilha 1984. Era a chance da DC se mostrar forte nos cinemas e, outra vez, vimos um filme longe de satisfazer nossos anseios.

Ainda que o sinal verde tenha sido dado para Mulher-Maravilha 3, é pouco provável que Patty Jenkins tenha tanta liberdade criativa como no segundo filme da franquia da super-heroína.

Os filmes da DC vão continuar sendo os principais lançamentos da Warner Bros. como estamos acostumados. Dificilmente isso vai mudar. Apesar de não atingirem a tão sonhada marca do US$ 1 bilhão em arrecadação, os longas ainda dão um ótimo retorno financeiro com o licenciamento de vários produtos e a venda posterior em formato digital e Blu-ray.

Mas e o universo de Zack Snyder no meio de tudo isso? Bom, a HBO Max, pelo que sabemos até agora, tem muito interesse em continuar explorando mais deste mundo.

O empecilho para isso acontecer vem, claro, da Warner Bros. O próprio cineasta já deixou claro sua vontade de retornar, caso a Warner Bros. Discovery esteja disposta para tal. Porém, a indústria do entretenimento, em seu cerne, está distante de ser um lugar onde o pedido de desculpas e o reconhecimento de erros sejam algo comum.

Ainda que poucas mudanças possam ser claramente vistas na DC, o futuro é promissor. Os próximos projetos contam com pessoas competentes e que já provaram seu valor. Matt Reeves, James Gunn, James Wan, David F. Sandberg e Dwayne ‘The Rock’ Johnson (mesmo que ele seja o protagonista do filme Adão Negro, o projeto é totalmente dele) estão se dedicando para tudo ocorrer bem e sair além do esperado.

A DC tem uma vasta galeria de personagens e sagas marcantes. Umas mais sombrias e sérias e outras mais divertidas e aventurescas. Não importa tanto o tom que é dado para cada produção. O mais valioso é contar uma boa história.

Cinema é sobre história e experiência. Esse é o caminho que precisa ser buscado. Que a Warner Bros. Discovery abra os olhos da DC para isso.

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