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cinema

Zack Snyder “O cara certo para o trabalho errado”

Roberto Borba Júnior

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LOJA DC 4

Colunistas é uma área de opinião pessoal do Cabana do Leitor. Artigos aqui são de opinião pessoal do autor do texto e não reflete a opinião do site CDL.

Eu gosto do Zack Znyder. No aspecto visual, acredito que não há como criticar o sujeito. Ele sabe filmar. É um dos poucos diretores da atualidade que consegue criar cenas memoráveis e visualmente impactantes.

Entre todos os seus trabalhos, o meu favorito é O Homem de Aço. Embora eu considere que há mais mão do Nolan nesse filme, Snyder conseguiu trazer o Superman para a realidade e ainda que não seja a versão clássica do herói, o filme gerou o interesse de muitas pessoas que torciam o nariz para o personagem antes.

Entretanto, Batman Vs. Superman apenas confirmou aquilo que eu já imaginava do diretor: A capacidade do Snyder de criar cenas incríveis é proporcional à incapacidade dele de saber contar uma história. A minha principal crítica com esse filme é justamente por conta dessa pretensão de querer criar algo cheio de referências filosóficas, religiosas, mitológicas, com questões políticas e frases de efeito, mas no momento em que o roteiro mais é necessário, tudo é rasgado e alguém grita Fight!.

É claro que aqui também cabe um puxão de orelha na Warner que resolveu colocar a carroça na frente dos burros. Basta lembrar que O Homem de Aço foi lançado em 2013 e Batman Vs Superman em 2016. Ou seja, tivemos um espaço de 2 ANOS sem nenhum outro filme para esse universo. Por isso, Batman Vs Superman foi aquela avalanche de informações e referências jogadas e desperdiçadas, e Liga da Justiça foi um filme “Ok”, muito longe do impacto do primeiro filme dos Vingadores.

O foco aqui não é dizer que Snyder foi o grande culpado pelas críticas que a Warner enfrenta com seus filmes de heróis, mas ocorre que ele tem uma visão pessimista sobre o gênero. Nesse sentido, a direção dele em Watchmen foi acertada, pois a história pede por isso. Só que colocar o Universo DC para ser desenhado pelas mãos de apenas um cara com essa visão, é péssimo. Seria muito bacana se Zack fosse uma espécie de consultor visual desse universo, pois esse é o grande mérito dos filmes dele, mas ele está muito longe de ser considerado um bom contador de histórias.

É muito provável que alguém terá o velho pensamento padrão de internet: “Ah, então os filmes da DC deveriam ser iguais aos da Marvel?”. Eu respondo que não porque a Marvel erra também ao oferecer filmes iguais e com raríssimos momentos de gravidade, em que existem consequências reais para seus personagens.

O segredo é não ser “oito ou oitenta”. Encontre os tons certos para cada tipo de filme. Há personagens sombrios e há personagens mais leves. O futuro filme do Shazam terá um tom mais leve, mas não é certo colocar isso para todos. O humor mais leve do presente não pode ser generalizado, assim como o pessimismo melancólico de Zack Snyder.

Roberto Borba Júnior
Advogado, Neurocientista, fotógrafo e baixista
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