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A Bela e a Fera | Filme mistura conto de fadas com discurso atual

Antes de fazer qualquer comentário sobre o filme propriamente, vale lembrar que A Bela e a Fera é um conto publicado inicialmente no século 18 que ganhou diversas adaptações para TV, cinema e teatro.
Dentre elas, a mais famosa é a animação da Disney lançada em 1991 que modifica o enredo original em alguns aspectos, porém preservando a história de amor entre a garota camponesa e a besta. O filme com data de estreia para 16 de março nada mais é que uma live-action desta animação e serve como releitura fiel da mesma, portanto não devemos esperar detalhes que se encontram em outras produções ou no conto.

Com cenas idênticas, se comparadas ao desenho, e com as músicas clássicas sendo cantadas pelos atores, é como remake que a nova produção encontra seu trunfo. Pode-se dizer, inclusive, que em alguns momentos a live-action supera a animação. Novas cenas foram inseridas, de maneira a apresentar histórias inéditas e a intensificar a conduta dos personagens.

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Tomaremos como exemplo o episódio em que Bela tenta ensinar uma garotinha da vila a ler e é repreendida pelo povo, já que o senso comum diz que o lugar da mulher é em casa cuidando do marido e dos filhos. Percebe-se a preocupação dos roteiristas em representar Bela, não apenas como uma mulher à frente do seu tempo, que não seguia o modelo de “recatada e do lar” – Bela é alfabetizada numa sociedade em que a minoria sabia ler, é forte, decidida e livre – mas também disposta a mudar a imagem e o comportamento feminino, mesmo sendo taxada como “esquisita” pelo moradores da vila.

Aparentemente, não é só a figura da mulher que ganha representatividade no filme. Há pouco tempo o diretor Bill Condon comentou que o personagem LeFou – fiel escudeiro de Gaston – é homossexual. A declaração, como já era de se esperar, gerou polêmica e houve até boatos de boicotes ao longa. No fim das contas, a sexualidade do personagem não passa de insinuações e o que chama atenção é a atuação de Josh Gad que nos proporciona boas gargalhadas. É válido mencionar que a live-action traz atores negros representando personagens que originalmente na animação são brancos. Mesmo sutil, podemos perceber algo com inclusão.

Aproveitando a deixa do Josh, essa é a hora de destacar as interpretações. Emma Watson convence como a Bela gentil e sonhadora, mas não parece convencer tanto como a Bela forte e destemida. O destaque fica por conta das atuações de San Stevens (Fera) e Luke Evans (Gaston), estes sim empolgam e apresentam algo novo aos personagens. Ouso até dizer que uma das cenas mais marcantes é o confronto final entre os dois, que ganha mais emoção na live-action.

Por mais que a maior parte do filme seja feito através de computação gráfica, o que pode vir a incomodar alguns, em certos momentos você sente que é tudo muito real. Principalmente as cenas do castelo com Lumière e os demais objetos enfeitiçados, estes que dão um show a parte de bom humor e esperança. Condon parece dessa vez acertar nos efeitos especiais, que são de saltar os olhos.

Contudo, o ponto alto da produção, e acredito que de qualquer adaptação de A Bela e a Fera, é a construção do amor entre os protagonistas. Os dois se conhecem quando Fera aprisiona Bela no lugar de seu pai. O estranhamento entre os personagens só tem fim depois de Fera salvar Bela dos lobos da floresta que a atacara. Fera fica gravemente ferido e Bela passa a cuidar dele. Tomados de gratidão um pelo outro, iniciam bons momentos juntos.

Bela percebe que por trás da aparência de um monstro, pulsa um coração bondoso. O afeto surge de ambas as partes, na cena em que Fera presenteia Bela com a sua grandiosa biblioteca (Gostou? Então é sua <3), durante a guerra de bolas de neve, quando Bela acompanha Fera no seu jeito incomum de cear. A cena icônica da dança, com Bela trajada no seu vestido amarelo, demonstra o laço de estima que os personagens adquiriram um pelo outro.

Entretanto, apenas quando se dá conta de que Fera está prestes a morrer – Gaston enciumado havia disparado dois tiros contra ele -, Bela percebe que o que antes acreditava ser amizade é, na verdade, amor. Amor que transcende aparências. Bela encontrou na Fera o que jamais encontrara em outro homem: integridade. E escolheu amá-lo por isso. “Ele é bom, e isso vale mais que todo o resto… não é beleza, nem inteligência de um marido que fazem uma mulher feliz. É o caráter, a virtude, a bondade.” É este o argumento principal da história, representada magistralmente no filme.

Por mais que a animação seja um clássico e, para muitos, obra intocável, fiquem tranquilos, o remake não “estragou” nada. O filme além de ser fiel à animação, aborda aspectos atuais da nossa sociedade, contextualizando-os de forma sábia sem perder todo o encanto e a magia do universo de A Bela e a Fera, presente nas músicas, nos cenários, figurinos e toda a beleza que o longa traz. Penso que talvez as crianças e adolescentes de hoje em dia nunca conheceram apropriadamente a história que aqui resumi, sendo assim, esta é uma ótima oportunidade para tomar conhecimento de um dos universos mais encantadores que Gabrielle, Jeanne, Disney e demais nos presentearam.

 

Graduanda em Biblioteconomia pela UNIRIO e, como futura bibliotecária, é apaixonada pelo universo da leitura. Tem uma queda por mangás e animes e toda a fofura asiática.

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