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Resenha de NEUROMANCER, de William Gibson

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O fã de ficção científica já ouviu falar, é claro, deste romance de William Gibson que inaugurou o gênero cyberpunk e inspirou os irmãos Wachowski a filmar o célebre MATRIX. Será provavelmente por isso que escolherá adquirir este título na estante da livraria ou na tela de seu monitor: o desejo de pesquisar a gênese das influências que o filme Matrix pôs em tremenda evidência. Afinal, estamos em 2015 e NEUROMANCER foi publicado pela primeira vez em 1983. Exatamente. 1983. De lá pra cá, o mundo mudou muito e fantasticamente, revelando parte da tecnologia antevista nestas páginas, qualidade que transformou NEUROMANCER em um clássico inevitável. Imagine o computador, o editor de texto em que Gibson digitou a incrível história do hacker Case e da assassina de aluguel Molly, heróis que se envolvem em uma trama que mistura universo virtual, inteligências artificiais e o submundo das megalópoles do futuro. Coisa de profeta mesmo.

Gibson abre com este romance o século XXI, apresenta em NEUROMANCER o seu universo real, nele cidadãos e criminosos fazem uso de substâncias e gadgets que aumentam a percepção e a performance, mundo onde órgãos sintéticos perfeitos estão disponíveis para transplantes e onde gigantescas corporações controlam o fluxo de produtos e informações. Nada mais verossímel portanto.

Eis a história: perdido entre loucos e assassinos, o cowboy do ciberespaço Case, hacker talentoso infectado pelos seus ex-patrões com uma toxina que impede seu acesso à matrix, perambula deprimidaço pelos mais perigosos becos do Japão, esperando o momento fatal em que algum desafeto irá matá-lo. Ele e Molly então são contratados por um ex-oficial das forças especiais a mando de uma inteligência artificial, que os recruta para uma insondável missão.

Reunida toda a equipe, eles se aventuram por Tóquio, Estados Unidos e Europa, o propósito de sua missão devagar se anuncia, até o final perfeitamente imaginado em uma estação espacial em órbita da Terra.

NEUROMANCER é o primeiro volume da Trilogia do Sprawl, da qual fazem parte ainda os romances COUNT ZERO e MONALISA OVERDRIVE, também publicados pela Editora Aleph. É uma obra de primeira, são 303 páginas que se mantêm de pé trinta anos depois de escritas, sucesso que credenciou este autor a participar da elaboração de inúmeros roteiros para cinema e para tevê. William Gibson colaborou inclusive em dois episódios da cultuada série ARQUIVO X.

Quem curte o gênero, e está sempre de olho no que a fértil imaginação do homem é capaz de fazer com a nossa percepção do futuro, não pode deixar escapar a leitura de NEUROMANCER. Somos aqueles previstos em suas páginas mais do que nunca, a vida contemporânea imita esta ficção. Parece óbvio: falar do futuro não é para qualquer um. O que nos leva à conclusão: uma obra de ficção científica também pode ser, para quem a procura, uma indelével forma de arte.

Marco Antonio Martire é formado em Comunicação Social pela UFRJ, trabalha como servidor público concursado no TRE-RJ e publica no CABANA DO LEITOR, no BLOGUI DO MARCO (www.obloguidomarco.blogspot.com) e na RUBEM (www.rubem.wordpress.com). Vive na cidade do Rio de Janeiro.

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