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Analises

Análise – La Casa de Papel, Parte 3

Atuações exageradas e dramas levados ao extremo na Parte 3.

Luigi

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Primeira temporada inteiramente produzida pela Netflix consegue chegar lá?

Chegou a terceira temporada de La Casa de Papel exclusivamente na plataforma digital da Netflix e dessa vez com a promessa de um novo roubo.
Quando a primeira temporada estreou no catálogo foi um burburinho mundial quase que imediato. Todo mundo falava, todo mundo conhecia e a séria caia no risco de ser considerada modinha, e até foi durante as duas primeiras partes.

Quando foi anunciado que uma terceira parte havia sido encomendada pela Netflix, todos que assistiram a série para não ficar de fora das rodinhas de amizade já torceram o nariz, e até quem é fã de verdade ficou com o pé atrás. Afinal de contas, faria sentido uma terceira temporada depois do desfecho mais que satisfatório da temporada anterior? A resposta é: SIM!!!

Só quem viveu sabe!

No caso de La Casa de Papel, uma terceira temporada torna tudo muito interessante porque sempre que assistimos filmes de grandes assaltos, nos perguntamos o que aqueles personagens fariam das suas vidas depois de tudo ter dado certo. Não é como se tivéssemos isso bem desenvolvido em todos os episódios, mas é sempre legal sair da imaginação e ver as coisas acontecendo diante dos nossos olhos.

Na terceira parte, a equipe (agora com novos membros) se reúne para um novo assalto em resposta a prisão de um de seus membros mais importante que está sendo torturado pela policia espanhola. Entretanto, este novo assalto é muito mais arriscado e ambicioso que o visto exaustivamente nas duas primeiras partes e tudo indica que algo pode dar errado a qualquer momento.

Mais Maria do Bairro, impossível!

A narrativa da série começa a tomar um rumo que para nós brasileiros já é algo muito comum, aquele dramalhão todo das novelas mexicanas. Atuações exageradas, dramas levados ao extremo, interpretações quase teatrais de alguns atores que não combinam muito bem com a forma escolhida para ser seguida na série.

Não levem a mal, é claro que em sua maioria, o elenco todo dá um show. A fotografia tanto nas cenas de ação quanto nas cenas de diálogos continuam lindas assim como figurino e trilha sonora.
Durante os momentos de grande tensão, o espectador ainda continua com falta de ar, prendendo a respiração e com aquele medo que algo dará muito errado e todos os seus personagens queridos irão para o beleléu. Se a série ganhasse prêmios apenas pela parte técnica, com certeza poderia concorrer em todas as categorias.

Turma do Chaves

Algo que incomoda bastante nessa nova temporada (além da visível perda de público e de justificativa para novas histórias) é a quantidade de personagens novos inclusos que não tiveram muito tempo para serem desenvolvidos. Mas mais irritante que esse descaso com os que não têm tempo, são com os que têm!

A nova investigadora, Sierra é o puro exemplo de personagem fanfarrão, sem graça e sem carisma nenhum que parece uma vilã típica de novela mexicana. Em algumas cenas que ela participa, me peguei desviando o olhar da televisão por sofrer da chamada vergonha alheia. Mesmo tendo boas sacadas e armando contra ataques inteligentes contra o Professor e sua equipe é muito difícil assistir sem ficar incomodado.

Já o segundo novo personagem de peso a aparecer é o Palermo, este sim surpreende. Sarcástico, irônico, seguro de si, meio lunático e com uma atuação maravilhosa de Rodrigo De la Serna. Vocês lembram do Félix, vivido por Matheus Solano na novela Viver a Vida? Pois o Palermo é tipo uma versão mais bicha má e menos censurado pelo horário nobre de uma TV aberta. É um personagem intrigante e que faz valer a pena assistir toda a temporada. Ele também é o elo entre o novo assalto e o saudoso Berlin (Que fez menos falta do que imaginei que faria. Ponto pro roteiro)

Quanto aos personagens antigos, bom… Acho que a Sierra conseguiu superá-los na irritabilidade. Tanto que foi mais fácil engolir aquela cara de sonsa da Raquel/Lisboa e aquela risada de Annabelle sinistra do Denver. É provável que na possivelmente última parte da série, a Netflix finalmente consiga acertar em tudo o que não conseguiu até aqui.

Mas e aí, vale a pena?

Vale sim! Mesmo com estes pequenos detalhes a serem ajustados, é inegável que precisa ser muito sagaz e muito inteligente para pensar em tantas revira-voltas, para fazer com que o espectador esteja certo que está vendo um furo de roteiro para que dois episódios depois seja esfregado nas nossas caras que até os erros cometidos pelos personagens eram pensados meticulosamente antes.

Menino Ney, o que faz aqui?

E enquanto esta análise era escrita, eis que a Netflix anuncia que foi inclusa uma cena extra no ultimo episódio da parte 3 com a participação de Neymar que é muito fã da série. Preferia não ter visto, mas não tive escolha. É uma cena que não acrescenta absolutamente nada e entra naquela categoria de vergonha alheia de “novelamexicanismo” da série!

Melhor Personagem: Nairóbi
Pior Personagem: Denver, Sierra, Raquel (e todos os novos, salvo Palermo)

7.5

7.5/10
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