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Crítica – Cemitério Maldito “A sala de cinema fica ‘maldita’, como deve ser”

Cemitério Maldito é um filme bom no meio dessa enxurrada de terror atual. Respeita o clássico e a literatura na qual se baseia.

Thalita Heiderich

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Uma família se muda com seu gato para uma cidade de interior e descobre que dentro de sua propriedade existe um cemitério de animais de estimação.

Pet Sematary é um filme dos diretores Kevin Kolsch e Dennis Widmyer, baseado no livro de Stephen King. É a segunda adaptação cinematográfica da obra. A primeira é um clássico, lançado em 1989, que serviu de grande inspiração para o filme desse ano.

O enredo nos apresenta um cemitério de pets com um segredo: por trás dele a terra é podre, capaz de trazer de volta a vida seres recém falecidos. Acompanhamos a descoberta desse lugar pelos olhos do pai, interpretado por Jason Clarke, que foi levado pra lá por seu vizinho Jud (John Lithgow), após a morte de seu gato Churchill. Esses dois atores são os rostos mais conhecidos do filme e têm boa performance, te fazem acreditar no personagem.

O filme é uma bela adaptação da obra de Stephen King, traz detalhes que o clássico não explora e mudanças que particularmente me agradaram.

Segue um leve spoiler, mas se você viu o trailer ou o clássico, já sabe do que se trata, se não quiser saber, pule para o próximo parágrafo. No filme original e no livro, a situação sai de controle a partir da morte do filho mais novo da família, no novo, quem morre é a filha mais velha. Esse detalhe é muito importante e foi bem vindo no remake, pois uma criança mais velha consegue realizar melhor as cenas, que possuem muita morte e violência.

Falando da filha, a atriz Jeté Laurence está de parabéns, ô menina inteligente… Ainda tem inocência na atuação, mas conseguiu carregar bem o filme e é o grande destaque, principalmente após sua morte 😉 Outra mudança bem vinda é a melhor participação do fantasma de Victor Pascow (Obssa Ahmed).  É apenas um detalhe no roteiro, mas que engrandece na construção do enlouquecimento da família.

Além do arco principal, a mãe (Amy Seimetz) sofre com seus próprios traumas, que são agravados pela proximidade do terreno do cemitério. Esse plot não me agradou. Apesar de fazer parte da história original, creio ter apresentado demais e ter feito isso de forma ruim. A própria atuação não me convenceu.

Outro fator pelo qual não me apaixonei foi a iluminação. Algumas cenas possuem luz bem clara, tirando o visual escuro do filme, e uma cena tem uma luz vermelha forte, quase neon que não condiz com o local de onde ela vem e nem ficou bonita na cena. Entendo que estão ali pra diferenciar realidade de ilusão, mas não me apaixonei pelo recurso aqui.

Também podia ter uns 20 minutos a menos. Quando um filme tem uma parte lenta e arrastada, normalmente dizemos que ele tem uma barriga. Eu diria que esse tem pneuzinhos. Momentos de muita explicação de monólogo, a introdução e apresentação no ambiente.

Reclamações à parte, é um ótimo filme, mesmo sem ver o antigo. 

Pra quem tem um conhecimento mais profundo, existem várias referências sutis. Referência ao universo Stephen King, a filmes da cultura pop e mesmo a atuações passadas de atores do filme, são leves, mas me fizeram sorrir, sem cortar o clima da história.

Cemitério Maldito é um filme bom no meio dessa enxurrada de terror atual. Respeita o clássico e a literatura na qual se baseia e merece o seu ingresso. Assista!

Cemitério Maldito estreia no dia 9 de maio nos cinemas.

Carioca viciada em séries, filmes do drama ao terror gore. Rabiscadora de livros, nerd, míope e ouvinte de podcast com a cabeça na janela do ônibus.

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