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Crítica | Raya e o Último Dragão “O melhor da Disney de volta”

Ana Clara Marques
Por
Ana Clara Marques
Bacharel em Direito. Sou apaixonada por cultura, livros e cinema, adoro conhecer novas histórias. Me envolvi com esse universo no início de 2020 e me dedico...

Finalmente Raya e o Último Dragão será liberado para o público! A espera desde seu anúncio ainda em 2019 e as incertezas e mudanças trazidas pela pandemia aumentaram a expectativa do público durante esse período, mas o resultado final supera todas elas.

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Dirigido por Don Hall (Moana: Um Mar de Aventuras) e Carlos Lopez Estrada (Ponto Cego), a animação se passa no reino fictício de Kumandra, onde dragões e humanos conviviam em harmonia. Além de ter poderes relacionados à água, os dragões eram responsáveis por proteger os humanos e, quando seres malignos e desconhecidos ameaçaram a humanidade, os dragões se sacrificaram para garantir proteção à todos e fizeram uma joia extremamente poderosa. 500 anos depois, o reino de Kumandra está dividido, e os cinco povos que surgiram guerreiam entre si pela posse da Joia do Dragão, que fica guardada em Coração, reino de Raya (Kelly Marie Tran). A jovem garota é filha do Chefe Benja (Daniel Dae Kim), que acredita na união dos povos para que possam se tornar Kumandra novamente. 

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Após confiar em Namaari (Gemma Chan), filha da Chefe Virana que estava em busca da joia, Raya é traída e a joia se quebra, levando a proteção junto com ela. Assim, o mesmo mal volta a assombrar a humanidade, transformando todos que toca em pedra. Carregando a culpa por ter confiado em quem não devia, Raya passa os seis anos seguintes em busca do último dragão, Sisu (Awkwafina) na esperança de que traga proteção novamente ao reino.

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Raya já conta com 94% de aprovação dos críticos, segundo o Rotten Tomatoes, e não é para menos. Com roteiro por Qui Nguyen e Adele Lim (Podres de Rico), é possível perceber a preocupação do estúdio em representar, da melhor forma possível, referências da cultura oriental que podem ser percebidas na obra pelas roupas, armas e o próprio combate, comidas, o senso de comunidade e o próprio elenco, majoritariamente asiático.

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Como sempre, a Disney se vale de uma narrativa clássica para contar uma história universal, e o faz de maneira comovente. A mensagem de confiança e união entre os povos para combater uma praga que é fruto da ambição humana não poderia ser mais atual. 

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Como toda boa animação, a mensagem é um dos pontos mais importantes, e que moldam a obra desde seu início. Tendo como tema principal a confiança, a falha de caráter da protagonista é justamente não confiar em ninguém, se contrapondo a Sisu, sua parceira na busca pelos pedaços da joia e que, assim como o pai de Raya, acredita que confiança é a chave para tudo.

A jornada da protagonista, então, é aprender com Sisu a confiar novamente, se transformando aos poucos até chegar à situação final que coloca à prova sua lição: quando dá o primeiro passo para demonstrar confiança em sua antagonista, deixando a salvação do mundo literalmente em suas mãos. Esse ponto, inclusive, é um dos pontos altos da obra, em um dos momentos mais lindos que já vi em um filme Disney.

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Ainda sobre a temática, uma maneira interessante utilizada para retratar a desconfiança de Raya no filme é a comida! A jovem não come nada que lhe é preparado, e todas as suas refeições são comidas que ela mesma desidrata. Após confiar em seu grupo de novos amigos, cada um proveniente de um povo, Raya se junta a eles para uma refeição, e esse momento, apesar de simples, passa a ter um simbolismo muito maior.  

Outro ponto que merece destaque é a identidade visual dos povos, que ficou simplesmente incrível. Cada reino e seus personagens possuem características, cores, costumes e até cortes de cabelo próprios, de fácil identificação para o espectador (considerando o público alvo crianças e jovens) e bem no estilo categorizado que ao final precisam se unir em prol de um bem maior que a gente tanto ama. Além disso, a passagem de Raya por cada um dos reinos, colecionando aliados por onde passa, parece várias fases de um jogo, com muita comédia e situações inusitadas, mas também muita ação com as habilidades de combate da protagonista.

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E falando em combate, um ponto que chama a atenção são justamente as cenas de luta entre Raya e Namaari, muito bem coreografadas, trazendo um elemento de ação e combate corpo a corpo pouco visto em produtos da Disney. O fato de ter como protagonistas das lutas duas personagens femininas guerreiras e fortes é mais um ponto positivo, visto que a rivalidade das duas não foi construída da forma superficial, tampouco retratou a representatividade feminina na obra de um jeito forçado.

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Não dá para deixar de mencionar também o fiel companheiro da nossa guerreira, o Tuk Tuk. A Disney é expert em criar personagens animais de apoio que são perfeitos para se tornar pelúcias e colecionáveis, e eu confesso que já quero ele na minha estante. Mas, dessa vez, o pet de Raya não serve apenas como suporte emocional, é também o seu transporte, tendo uma função bastante importante para a jovem sempre em fuga.

Outro destaque que não passa despercebido é o trabalho de Awkwafina como Sisu. Mesmo através da dublagem em português, é possível perceber sua personalidade cômica e característica dando vida ao último dragão. 

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Apesar de lembrar muitos elementos de diversos outros produtos Disney (cenas de luta e determinação da guerreira Mulan e todo o contexto de Moana, por exemplo), Raya é uma personagem única, com uma falha de caráter muito interessante e bem trabalhada e aliados improváveis, tornando o filme ainda mais empolgante, coerente e divertido.

Raya e o Último Dragão tem uma narrativa simples, conhecida e aconchegante, que também dá margem para diversas outras apostas e elementos do filme brilharem. Durante toda a obra, especialmente no seu característico final feliz típico Disney, arranca tanto lágrimas quanto boas risadas.

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Raya estreia dia 5 de março nos cinemas e também estará disponível na plataforma Disney+ através do Premier Access.

*Fomos convidados pela Disney Brasil a ver o filme. O local aonde foi realizada a sessão cumpriu rígidos protocolos de segurança bem como higienização.

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