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cinema

Desobediência “De uma delicadeza e respeito enorme com a representação do amor”

“Desobediência” vem para provar, mais uma vez, que Hollywood é capaz de produzir filmes bons, interessantes e de qualidade com representação feminina e LGBTQ+.

Giovana Boaventura

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O filme, adaptado do livro de Naomi Alderman, conta a história de Ronit (Rachel Weisz) uma fotógrafa que vive em Nova Iorque que volta para casa, em Londres, depois da morte de seu pai. Vinda de uma comunidade judaica ortodoxa, Ronit havia fugido de casa há muitos anos e agora tem que encarar novamente as pessoas e costumes que tanto se afastou. Lá ela encontra Esti (Rachel McAdams), sua melhor amiga de infância, e descobre que ela se casou com seu melhor amigo Dovid (Alessandro Nivola). O reencontro entre Ronit e Esti traz à tona os sentimentos que elas têm uma pela outra e reacende a chama do romance que elas deixaram para trás em sua adolescência.

Os primeiros minutos do filme explicam perfeitamente seu título. “Desobediência” é uma ode a desafiar aquilo que é esperado de nós. O discurso do rabino fala sobre a criação humana de acordo com o Torá e como nós, seres humanos, temos livre arbítrio e devemos buscar a liberdade para sermos quem quisermos.

A trama do filme não é revolucionária, mas a forma do filme de lidar com homossexualidade e a religião Judaica Ortodoxa é. Desobediência apresenta temas pouco discutidos no cinema e que, em certo modo, ainda são tabus dentro da própria comunidade LGBTQ+. Como é o caso da personagem de McAdams, Esti, uma mulher lésbica que por pressão social-religiosa se casa com um homem.  Outro assunto muito bem retratado é o de uma pessoa LGBTQ+ que ainda tem sua fé e acredita em viver seguindo as tradições, mesmo que sua forma de amar seja condenada pela religião.

Leilo, que recentemente ganhou o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro com seu filme “Uma Mulher Fantástica”, mostra mais uma vez que sabe exatamente como retratar a sexualidade feminina. O filme – graciosamente – não cai na “male gaze” (visão masculina) e retrata o corpo das atrizes sem malícia. Se compararmos com exemplos mais recentes como “Azul é a Cor Mais Quente” de Abdellatif Kechiche, ou até “A Criada” de Park Chan-wook, a cena de sexo em “Desobediência” é mais genuína e menos fetichizada. O que é muito bem-vindo pela comunidade LGBTQ+ que há anos clama por filmes que realmente se preocupem em representar com autencidade o amor – e o sexo – entre pessoas do mesmo gênero.

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A química entre Weisz, MacAdams e Nivola é excepcional. Sua atuação tem uma atenção à detalhes que faz com que você acredite, de verdade, que são amigos de infância e cresceram juntos. Não podemos, no entanto, deixar de mencionar o incrível roteiro de Sebastián Lelio e Rebecca Lenkiewicz que conta uma história que flui naturalmente, assim como um diálogo excelente carregado de emoção.

“Desobediência” vem para provar, mais uma vez, que Hollywood é capaz de produzir filmes bons, interessantes e de qualidade com representação feminina e LGBTQ+. Tomara que com o sucesso de “Desobediência” e outros filmes como “Com Amor, Simon”, a indústria cinematográfica perceba que a audiência LGBTQ+ é grande e tem muitas outras histórias – tão boas quanto – para contar.

Desobediência estreia hoje nos cinemas.

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Estudante de historia, apaixonada pela Mulher-Maravilha e trabalha na Wikipédia de mangas todos na minha cabeça.

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