far cry 6 gameplay

Far Cry 6 abordará temas políticos

Ubisoft, como sempre, se envolve em polêmicas em relação a temas políticos.

Após a Ubisoft entrar em mais polêmicas por afirmar Far Cry 6 não era um jogo com temática política, o diretor de narrativa do jogo, Navid Khavari, assinou uma nota da equipe sore o assunto, reafirmando que o jogo trata sim de diversos assuntos políticos.

No texto intitulado “As políticas de Far Cry 6, podemos ler:

Nossa história é política.

A história sobre uma revolução moderna precisa ser. Existem discussões relevantes e difíceis em Far Cry 6 sobre as condições que levam ao crescimento do fascismo em uma nação, as custas do Imperialismo, trabalho forçado, a necessidade de eleições justas e livres, direitos LGBTQ+, e mais dentro do contexto de Yara, uma ilha fictícia do Caribe. Meu objetivo era empoderar nosso time para ter não ter medo de contar a história que estamos contando, e nós trabalhamos muito duro para fazer isso nos últimos 5 anos. Nós também tentamos ser cuidadosos com como nos aproximamos das nossas inspirações, que incluem Cuba, mas também outros países do mundo que tiveram a experiência política de revoluções em suas histórias.

Na nossa abordagem, nós fizemos questão de procurar criadores e colaboradores para a nossa equipe que pudesse falar pessoalmente da história e cultura das regiões que nós nos inspiramos. Nós também trouxemos consultores e experts para examinar a história do jogo múltiplas vezes durante o desenvolvimento para ter certeza que estava sendo contada com toda a sensibilidade. Não cabe a mim decidir se fomos bem sucedidos, mas posso dizer que de fato tentamos.

As conversas e pesquisas foram realizadas através das perspectivas desses que lutarem em revoluções no fim dos anos 50 e começo dos anos 60, e isto está refletido na nossa história e nos nossos personagens. Mas se alguém está procurando uma versão simplificada, politicamente binária e específica do atual clima político de Cuba, não vai achar isso. Eu sou de uma família que teve que lidar com as consequências da revolução. Eu debati a revolução na minha mesa de jantar minha vida inteira. Eu posso apenas falar por mim mesmo, mas isso é um assunto complexo que nunca deveria ser reduzido a apenas um argumento.

O que os jogadores vão encontrar é uma história de um ponto de vista que tenta capturar a complexidade política de uma revolução moderna em um contexto fictício. Nós tentamos contar uma história com ação, aventura e coração, mas também que não tem medo de fazer perguntas difíceis. Far Cry é uma marca que tem em seu DNA a busca por temas maduros, complexos sendo balanceados com leveza e humor. Um não existem sem o outro, e nós tentamos alcançar esse balanço com cuidado. Minha única esperança é que nós estejamos deixando a história falar por si mesma antes de formar opiniões complexas sobre suas reflexões políticas.

Obrigado por ler, Navid Khavari, Diretor de Narrativa de Far Cry 6.”

No jogo, a ilha de Yara tem suas cidades bastante inspiradas nas cidades Cubanas, inclusive com parte da equipe de desenvolvimento do jogo tendo feito uma viagem de 1 mês à Cuba para conhecer mais sobre a arquitetura e cultura local.

A Ubisoft constantemente entra em polêmicas em relação a a assuntos políticos, inclusive com outros jogos seus tendo a temática comum de “Revolucionários/movimentos populares são ruins e querem desestabilizar países”, como podemos lembrar de Tom Clancy’s Elite, onde o símbolo do movimento Black Lives Matter foi atribuído ao grupo revolucionário do jogo, que em sua história afirmavam que lutavam pelo povo mas na realidade queriam instaurar uma ditadura opressora. É curiosa a mudança de postura no momento de produzir um jogo baseado no país Caribenho.

Para quem não conhece a história da Revolução Cubana, um breve e simplificado resumo: nos anos de 1952 a 1959, o país viveu sobre a ditadura militar de extrema-direita de Fulgêncio Batista, que era apoiado e tinha como principal aliado o governo dos Estados Unidos. A Era de Batista ficou marcada principalmente pela violação de direitos humanos, violência, existindo inclusive execuções em praças públicas, assim como por diversos casos de corrupção e crescimento constante da desigualdade social no país, com apenas parcela da população tendo acesso a serviços básicos como saúde, segurança e educação.

Nesse cenário, se iniciou a Revolução Cubana, onde um grupo de menos de 100 Cubanos, liderados por Ernesto “Che” Guevara e os irmãos Raúl e Fidel Castro, iniciaram uma grande campanha de guerrilha e, recebendo um imenso e crescente apoio da população do país, rapidamente aumentaram seus números de forma exponencial e conseguiram derrubar Batista, que fugiu do país carregando com si milhões de dólares.

A partir desse momento, instaurou-se no país uma revolução de caráter Socialista que perdura até hoje, que se por um lado conseguiu reduzir o analfabetismo do país a quase zero, implementar saúde universal gratuita e melhorar em muito os índices de segurança, por outro lado teve que enfrentar ações, ataques militares e principalmente o embargo econômico implementado pelos EUA, que enfraquece e sufoca a economia local de diferentes maneiras, desde impedindo a comercialização de produtos até o bloqueio de sites no país, e é considerado por diversos economistas e grupos, tanto de esquerda como direita, como o maior causador da falta de recursos e subdesenvolvimento do país, já tendo esse embargo sido condenado pela ONU 28 vezes.

Para entender melhor sobre o Embargo à Cuba, o documentário “A Guerra a Cuba“, criado por jornalistas independentes Cubanos é excelente, e infelizmente está disponível apenas em inglês, mas fica como recomendação.

Levando-se em consideração a isso, é interessante que o jogo busque fatos históricos, assim como a abordagem de todos os temas citados é sempre bem vinda, mas fica bastante a dúvida e questionamento também em o que será baseado o governo ditatorial de Anton Castillo, vilão do jogo, assim como o questionamento da qualidade das fontes de estudo da equipe, lembrando sempre que obras fictícias podem ser baseadas, mas não necessariamente conseguem representar o mundo real.

No fim, precisamos esperar que o jogo e sua história sejam lançados para que seja possível fazer uma análise do mesmo, e ficamos na torcida para que seja um produto de qualidade.

Diretor de narrativa de Far Cry 6 afirma que o jogo tratará sim de assuntos políticos.

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