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Por que Ultron pode ter sido uma ideia de Thanos?

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VOCÊ PODE ACHAR QUE NÃO TEM NADA A VER UMA COISA COM A OUTRA, MAS NESSE POST VAMOS ARGUMENTAR A FAVOR DESSA TESE. (SOMENTE COM BASE NOS FILMES): 

1 – Começando pelo final de Vingadores 2. Na conversa de Thor, Tony e Steve. Pouco antes de Thor voltar para Asgard, ele fala para os outros dois a seguinte frase:

“A joia da mente é a quarta joia do infinito a aparecer nos últimos anos. Isso não é coincidência, alguém está desenvolvendo um jogo complexo, e nos transformou em peões.”  

Isso não é novidade, sabemos que Thanos está tentando reuni-las. Mas podemos entender que esse alguém, no caso Thanos, está comprometido e envolvido com as joias. E no próximo item você entenderá o que tem a ver com Ultron.

2 – Qual joia do infinito é responsável por dar “vida” ao Ultron? A Joia da Mente. E onde ela estava antes de vir parar na terra? Com Loki. E quem deu a Joia da Mente para Loki? Foi Thanos.

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O Raciocínio não é difícil, fica bem claro, que após os eventos de Vingadores 1, Thanos está de olho na terra. Ou até antes disso, pois o cubo cósmico já estava na terra na época da segunda guerra mundial (Capitão América: O Primeiro Vingador), de qualquer forma ele teria de vir buscar. Mas se Thanos tivesse um plano caso a Invasão de Loki não funcionasse?

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3 – Outra coisa que não podemos deixar de lado, é a frase de Thanos nas cenas Pós-Créditos de Vingadores 2.  “Certo. Eu mesmo faço isso”. Sabemos que seu plano com a invasão de NY falhou, mas porque essa cena de Thanos querendo resolver o problema pessoalmente foi exibida só após o fracasso de Ultron? Por que essa cena não foi exibida em Vingadores 1 quando Loki falhou ou em Guardiões da Galáxia quando Ronan o traiu? Será que Ultron também não era um de seus planos (talvez o último antes dele mesmo ter que resolver?).

4 – Após o primeiro ataque de Ultron aos Vingadores (cena da festa). Stark diz o seguinte após o questionarem sobre ele ter criado o Ultron: “Não criamos. Nem chegamos perto.”.

Minutos antes, podemos ver Ultron interagindo com Jarvis em uma conversa, onde Jarvis menciona não saber o que o “ativou”. Obviamente Stark fez algumas coisas certas, mas Ultron já “nasceu” com personalidade e com objetivos bem traçados. E por mais estranho que pareça, aparentemente ele nasceu “sozinho”.

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5 – O Barão Strucker já estava fazendo testes em robótica avançada usando o cetro do Loki. De onde ele tirou essa ideia, se o projeto “ULTRON” era do Stark? Vale lembrar que o Ultron mata o Strucker, e Tony Stark diz que o Barão sabia algo que Ultron não queria que os Vingadores soubessem e por isso o matou.

Juntando todas essas informações, podemos sim, ao menos desconfiar que Thanos tem alguma coisa a ver com o surgimento de Ultron. Afinal se todos realmente estivessem convictos de que Stark foi o grande culpado pelo Ultron, todos ficariam contra ele, o que não acontece ao final de Vingadores 2.

Essa é nossa teoria. Gostou? Concorda? Discorda? Tem algo para acrescentar? Deixe nos comentários.

Créditos: Nerdices de Nerd Official

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cinema

Infiltrado na Klan e a responsabilidade branca a respeito do racismo

Descubra as metáforas da realidade trazidas no filme de Spike Lee.

Fernanda Fernandes

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É notável como o filme de Spike Lee retrata através de uma história real, os
diversos comportamentos das pessoas perante o racismo e a diversidade. Por conta
disso, neste texto – assim como feito ao usar um personagem de “Uma Mulher
Fantástica”
para identificar o meu lugar de fala dentro de uma realidade que não vivo –
acho válido ressaltar que é uma análise a partir do ponto de vista de uma mulher branca,
que se ofende com todos os ideais de supremacia pregados pela Ku Klux Klan, mas não
conhece na vivência as situações principais abordadas pelo longa-metragem.

Em “Infiltrado na Klan”, baseado no livro de mesmo nome e escrito pelo próprio
Ron Stallworth, mergulhamos na história do policial, vivido por John David
Washington, que, além de ter sido o primeiro policial negro da polícia de Colorado
Springs, se infiltrou na organização supremacista branca KKK no final dos anos 70. É
essencial perceber como o filme retrata a dualidade de Ron, não só como negro e
americano, mas como negro e policial e as situações de racismo velado vividas por ele.

Stallworth é movido de departamento em departamento, sabendo que o que ele
realmente queria era ser um detetive infiltrado, o que consegue ao ser escolhido para
cobrir um evento da União Estudantil Negra. Mais tarde, ao ser realocado para o
departamento de inteligência, Ron liga para um telefone de um anúncio da KKK e se
passa por uma pessoa branca com um discurso racista. Ao lado de Flip Zimmerman
(Adam Driver), que é judeu, se infiltra na Klan em busca de saber qual era o nível de
ameaça da organização. No final, Ron chega a ‘fazer amizade’ com David Duke
(Topher Grace), líder da KKK na época e descobre até mesmo soldados do exército dos
Estados Unidos que faziam parte da organização.

Um dos personagens mais incômodos é o Chefe Bridges (Robert John Burke)
justamente por como ele reproduz o racismo velado em alguns momentos, podemos
reparar que em aspectos mais explícitos e cruéis o personagem já carrega uma
desconstrução. No entanto, em momentos como quando ele critica Ron por não
conseguir se controlar perto de um policial extremamente racista e ao mandar Stallworth para ser o guarda-costas de David Duke, arriscando a operação dele e de Flip como
policiais infiltrados, Bridges mostra que todos somos racistas e, mesmo repudiando os
atos mais explícitos e as falas mais ofensivas, temos muito para aprender.

Agora, falando de Patrice (Laura Harrier), a presidente da União Estudantil
Negra, e Ron, os dois personagens trazem duas formas bastante válidas de ativismo e
luta pela igualdade. Patrice, através das manifestações, da união e do conhecimento e
Ron, por meio da quebra de barreiras e da ação. Uma lição a ser ouvida, a partir da
relação destes personagens, e que serve para todos os movimentos que lutam por
igualdade, é que ambos os tipos de ativismo precisam estar unidos e fazer a diferença
juntos.

“Power to all the people” é com toda certeza o lema deste filme e da nossa realidade para combater a brutalidade policial e o genocídio negro que é retratado diversas vezes no filme, trazido na figura do policial Landers (Frederick Weller), ao assediar Patrice enquanto levava Kwame Ture (Corey Hawkins), que tinha sido convidado para falar com a União Estudantil Negra, para o hotel.

Flip Zimmerman é a representação de uma pessoa oprimida tomando consciência da opressão e se sentindo perdido sobre como entender esta lógica e lutar contra isso. Para ele, assim como para Ron, com toda a certeza verbalizar e escutar todo o preconceito reproduzido pela KKK foi doloroso. Então, após um tempo infiltrado na KKK, Flip começa a pensar sobre ser judeu e como as pessoas que participam daquela organização querem machucar pessoas como ele. Este ponto leva Zimmerman a entender que o perigo está mais perto do que ele imaginava e, pior, essas pessoas se julgam pessoas boas, pacíficas e completamente normais.

Definitivamente o momento mais interessante do filme é a sequência de cenas em que vemos a cerimônia de iniciação da Klan protagonizada por David Duke na qual todos assistem o filme Birth of a Nation que faz uma apologia clara ao racismo, e uma palestra de Jerome Turner (Harry Belafonte) contando sobre o momento em que viu um colega ser injustamente condenado por um estupro e torturado pela população de maneiras inimagináveis. Mostrando duas narrativas completamente diferentes uma da outra, havendo ‘duas’ verdades como se pedisse para o espectador escolher um lado. Acontece que, a narrativa da Klan é visivelmente fundada em ideias rasas e um completo discurso de ódio. Enquanto, a narrativa de Turner pede justiça.

Uma coisa que a sociedade precisa engolir é que o racismo é um problema de total responsabilidade dos brancos, e já está na hora de pessoas brancas tomarem seus devidos lugares de fala e de escuta para fazer a sua parte na resolução e reparação histórica do preconceito. Qualquer movimento que pede justiça, seja lá de que forma peça, como os movimentos negros, movimentos feministas, movimentos contra a homofobia, não devem ser colocados na mesma balança que movimentos como a KKK.

Esta verdade nos leva a falar sobre David Duke e a tentativa de legitimar a supremacia da KKK a partir da tentativa de desvencilhar a organização daquelas pessoas que são ignorantes a ponto de não serem mais aceitas na sociedade. Isto é uma tentativa de reviver os ideais Klan e conseguir que a organização chegue a política. Obviamente, com um discurso supremacista mais leve Duke alcança mais pessoas, como aconteceu em 2017 com as marchas na Virginia e o lema “White Lives Matter” para rebater o movimento Black Lives Matter.

Foi justamente este discurso mais leve que colocou pessoas como Donald Trump e Jair Bolsonaro na liderança de um país, afinal, quando o culpado da sua situação é um alvo claro e você quer destruí-lo ao invés de resolver o seu problema individual, o ódio se torna a resposta. É inacreditável como muitas pessoas brancas ainda sentem a necessidade de preservar a herança delas, que nunca foi destruída, e reafirmar privilégios que sempre tiveram. Acredito que já fizemos isso por tempo demais. Chega.

Infiltrado na Klan esta disponível no Telecine.

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13 Reasons Why e sua importância sobre a violência escolar

Entenda como a vivência escolar é apresentada dentro da série da Netflix.

Fernanda Fernandes

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Inevitavelmente 13 Reasons Why não é uma série para pessoas que sofrem de algum transtorno mental. O foco é propor um diálogo com as pessoas que desmerecem e desprezam estes transtornos e é justamente nisso que a proposta crua e dolorosa apresentada pela série da Netfflix se encaixa.

Recentemente o ciclo de 13 Reasons Why foi encerrado com a quarta temporada, que, embora confusa, ainda cumpre bem a sua proposta. Para compreender a história como um todo, é preciso resgatar seis personagens que possuem uma importância crucial: Hannah Baker (Katherine Langford), Tyler Down (Devin Druid), Bryce Walker (Justin Prentice), Montgomery de la Cruz (Timothy Granaderos), Clay Jensen (Dylan Minnette) e Justin Foley (Brandon Flynn). Existe um fator em comum entre todos estes personagens.

Começando por Hannah Baker, ela é a protagonista, ao lado de Clay, na primeira temporada. O que se torna mais intrigante sobre a personagem é como a história dela, exceto pela peculiaridade das fitas, é bastante comum. Podemos reparar que após uma série de abusos psicológicos, até mesmo sexuais, ela desmorona. E mesmo ao buscar ajuda, Hannah é silenciada pela obrigação de dizer quem foi a pessoa que fez aquilo com ela. Cedo ou tarde, seria necessário que ela dissesse, mas, isso não significa que ela precisava dizer naquele momento. Clay permeia todos os arcos dos personagens que falarei, e neste aqui, é no qual ele começa a ficar lentamente doente ao se culpar por não ter conseguido impedir a Hannah de cometer suicídio.

Já na segunda temporada, Tyler Down é o personagem que se torna o foco, mostrando uma reação diferente da apresentada pela personagem citada anteriormente. No caso, embora boa parte das situações vivenciadas por ele se assemelhem as situações da Hannah, ele pensa em vingança. Vale lembrar que Clay, já perturbado, é visto como uma das causas do personagem, justamente porque Jensen também queria vingar a Hannah e Tyler tinha feito algo ruim a ela. O personagem vivido por Devin Druid compra armas clandestinamente e ameaça abrir fogo no baile da escola, até que Clay o convence a não fazer isso.

Neste momento, chegamos ao personagem mais emblemático da série: Bryce Walker. Antes de comentar sobre ele, é essencial recordar-se de que Walker não é uma vítima de nenhum dos atos que cometeu, seja o estupro da Hannah, da Jessica Davis (Alisha Boe). Assim como, Montgomery de la Cruz, também não é vítima do que fez com o Tyler e sido um bully na Liberty High School. Eles são a representação do que pode haver de pior dentro de uma escola, mas algo em comum os une: o comportamento conservador e extremamente agressivo. Chegando ao nível em que Monty reprime e esconde a sua homossexualidade porque se sente em conflito com isso. No entanto, Bryce e Monty são a soma do que aprenderam em casa e do que o mundo prega como correto, a única coisa que os separa dos outros, fora os crimes que cometeram, é que eles acataram essa realidade como correta e saem impunes do que fizeram porque possuem suporte para isso.

Outro fator interessante do arco destes personagens é que eles desmistificam a ideia de que o estuprador é um desconhecido distante da vítima e não alguém que as pessoas gostam e veem todos os dias. Em cerca de 70% dos casos de estupro no Brasil, o agressor conhece a vítima, seja ele parente, namorado, amigo ou somente um conhecido, segundo uma pesquisa elaborada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em 2018.


Por fim, o último arco é o de Clay Jensen e Justin sobrenome, já vivendo como irmãos desde a terceira temporada. Durante toda a última temporada, Clay já tem diversas crises de pânico (advindas de todas as suas experiências na escola) e tenta incansavelmente ajudar todos os seus amigos. Enquanto Justin se esforça para se manter sóbrio e melhorar. Definitivamente Justin não era o personagem que merecia morrer nesta temporada. Mas o contexto em que ele vive junto de Clay e todos os amigos o leva a voltar as drogas. A sensação é de que Clay se sente importunado por perder o posto de ‘bom filho’ para Justin perante os pais que não sabem muito bem como o ajudar.

Qual o denominador comum entre todas estas histórias? A vivência escolar tóxica. Um ambiente que se tornou um laboratório experimental em menor escala do que fizemos da sociedade como um todo. Contudo, os efeitos colaterais de um lugar que deveria abrigar o aprendizado e ser refúgio, mas se tornou um pesadelo são inúmeros e um mais assustador que o outro.

13 Reasons Why acaba se tornando uma série sobre o ambiente tóxico da escola, e não só o suicídio.

Esse sistema está matando jovens todos os dias e é preciso começar um diálogo frequente sobre isso.

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J.K. Rowling, eu sou tão mulher quanto você

J.K. Rowling: a sua fala atua contra nossa dignidade humana. Defender o ódio como mera liberdade de expressão é algo tão conservador quanto fascista.

Manoela Thomas Menandro

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Antes de iniciar este texto, se faz necessário explicitar que o mesmo não tem a pretensão de cancelar a pessoa ou o trabalho da autora J.K. Rowling. E que as palavras a seguir não representam a visão de toda uma comunidade, mas sim o que eu penso.

Nunca fui fã da saga “Harry Potter”. Nunca li nenhum livro sequer da autora e, até semanas atrás, não conhecia seu trabalho enquanto ativista nem nada muito além sobre sua vida pessoal. Porém, há alguns anos, eu tenho conhecimento de seus posicionamentos ideológicos acerca especificamente de pessoas transgênero. 

Não havia comentado publicamente sobre, pois preferia ler primeiro o que ela tinha a dizer antes de proferir julgamentos supostamente precipitados. Nas últimas semanas têm surgido muitas publicações repletas de xingamentos com teor misógino destinados a atacar a mesma, sob a justificativa do combate a sua transfobia. Em resposta, a autora lançou nas redes sociais uma carta aberta, explicando mais sobre as suas visões e vivências.

Eu li a tradução completa da carta. E não foi fácil.

Entendamos: questionamentos são sempre válidos. A J.K. não deve ser silenciada enquanto a mulher que é. Mas sua carta em diversos momentos não nos acolhe nem nos salva, como ela parece insistir em pensar. Vejo problemas na fala dela, sim. Na ausência de referências confiáveis e minimamente imparciais, na completa ausência de empatia ao usar determinados termos que são ofensivos. Um exemplo é quando para ela é tão natural citar outras mulheres como feministas, enquanto que nós (mulheres trans e travestis), somos chamadas de “transativistas” todo o texto. Nem de mulheres efetivamente nós somos chamadas. O tempo todo nós somos algo como “um transexual auto identificado mulher”, em tradução livre. E quanto aos homens trans serem acolhidos, segundo sua visão, mas sem deixar de serem retratados como mulheres lésbicas que foram seduzidas pela identidade de gênero masculina a fim de fugirem da misoginia e da homofobia? 

A sua fala atua contra nossa dignidade humana.

Eu particularmente também tive problemas com o conceito do sexo biológico da forma como ele é mencionado na tal carta. A maioria das pessoas sequer fez um exame para saber seu cariótipo e assim poder determinar o seu sexo, baseado na quantidade de cada cromossomo. Fora que essa fala é excludente com pessoas intersexo. O que sabemos que é fatídico é: nasceu fisicamente com pênis funcional, é designado homem, criado e lido enquanto homem. Nasceu com vagina, é designado mulher, criado como mulher socialmente. 

A autora menciona ainda casos onde homens mal intencionados agiram de má fé, alguns chegando a tentar abusar de outras pessoas ou até mesmo conseguindo. Infelizmente estes são dados que não podemos ignorar. Mas ora, se afinal de contas existem episódios onde mulheres denunciaram injustamente homens inocentes de abusos ou agressões que não ocorreram, deveríamos, portanto, invalidar a Lei Maria da Penha? Não, porque estes casos são exceções, e não a regra.

Antes de destilar ódio em cima de quem pensa dessa forma, eu procuro sinceramente entender as suas razões. Se eu a punisse, esse ato não ressocializaria nem desconstruiria seu viés ideológico discriminatório pessoal. 

J.K. é uma pessoa nascida com vagina, e socializada como mulher cisgênero, que é quando a pessoa está em conformidade com o gênero que lhe foi atribuído ao nascimento. Ela é uma mulher que já sofreu abusos, como fez questão de pontuar. Eu não sei como é ter especificamente essa vivência, ainda que eu seja também uma mulher que já foi vítima de violência doméstica.

Até meus 24 anos de idade eu vivi como uma pessoa que é lida como homem branco mediano. Tive todos os privilégios que me foram dados, mesmo sem que eu os pedisse ou quisesse usufruir. Aos 24 anos eu decidi abdicar de tudo isso para enfrentar o meu processo pessoal de transição de gênero. Ser mulher hoje é a minha identidade. Isso se reflete na minha vivência cotidiana, na minha resistência, e não está num sentimento ou auto declaração. É exatamente o que eu vi após me reconhecer como sou hoje, no espelho, e por dentro também. E que todos tenham a certeza de que eu não sou menos biológica do que uma mulher nascida com vagina. A mulher que não menstrua, que não tem útero, que não engravida, nenhuma dessas não é menos mulher. 

Eu sou mulher, tão verdadeira quanto todas as outras. No movimento feminista, eu tenho que brigar o tempo todo para ter as minhas pautas incluídas e me fazer respeitar. A vitória do patriarcado, da opressão de gênero e da normatividade se erguem quando ao invés de lutarmos juntas, as cis e as trans, nos digladiamos por divergências teóricas.

As pessoas que estão sob o guarda-chuva transgênero, e que ousam tentar ter o mínimo de liberdade para se aceitar e viver como se é, são constantemente excluídas, humilhadas, perseguidas e mortas. Não estamos aqui promovendo ativismo negacionista a distinções biológicas. 

Não estamos cooptando crianças que não performam feminilidade ou masculinidade, de acordo com suas designações sociais, e dando hormônios a elas. Não estamos aqui para apagar ou competir com mulheres em geral, apagando suas corporalidades e pautas. Não roubamos protagonismos. Não somos doentes.

J.K. Rowling: a sua fala atua contra nossa dignidade humana. Defender o ódio como mera liberdade de expressão é algo tão conservador quanto fascista.

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