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Livros

Resenha | Depois, de Stephen King

Apenas os mortos não têm segredos.

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O lançamento de Stephen King em 2021, Depois, publicado pelo selo SUMA, é uma raridade dentre os sucessos do autor. Com apenas 190 páginas, o rei do horror conseguiu contar um pouco sobre a vida de James Conklin e o seu dom incomum.

Resenha: Depois – Stephen King - Idris

Dessa vez, King fala sobre um misterioso caso de uma criança que consegue ver e conversar com os mortos, a princípio, com pouco tempo após o óbito. Sua mãe sabe do que o pequeno Jamie é capaz e o pede para manter esse segredo dentro de casa. Tudo começa a tomar outro rumo na vida do menino logo depois que Liz Dutton, a companheira de sua mãe e detetive do Departamento de Polícia de Nova York , descobre seu dom sobrenatural e aparece na saída de sua escola com o pretexto de que precisa de sua habilidade para desvendar um caso.

A obra é narrada na voz do personagem principal já com seus 22 anos de idade, refletindo sobre sua infância . Um dos pontos mais altos da história é essa visão do depois. O autor mescla presente e passado, comparando a ingenuidade do pequeno em suas primeiras visões, a esperteza depois de algum tempo e enfim a maturidade, quando já tem experiências o suficiente para entender o que aconteceu naqueles momentos e o quão assustador e perigoso foi vivenciar tudo isso muito jovem.

”A gente se acostuma com as coisas extraordinárias. Aceita como normais. Podemos até tentar não nos acostumar, mas é o que acontece. Tem coisa extraordinária demais no mundo, só isso. Em toda parte.”

Stephen continua surpreendendo e nos mostrando que, de fato, é um autor muito versátil. Seja em contos, novelas ou grandes histórias, a entrega será sempre à gosto dos seus fãs e um convite aos curiosos que, ao imergir na grandiosa escrita do mestre, se comprometem a ler mais e mais obras do autor. É admirável a forma com que King brinca com a escrita, tornando seus personagens tão reais. Em Depois, apesar de uma história curta, sua essência segue intacta.

O livro vai de engraçado ao aterrorizante em segundos. O alívio cômico vem, muitas vezes, do diálogo entre mãe e filho, dos intervalos entre o trabalho e o descanso. O drama fica na parte das brigas entre o casal que, segundo o próprio menino, passou a acontecer constantemente até o fim do relacionamento, que é quando tudo começa a desmoronar e os casos dentro do terror se intensificam e ficam mais interessantes.

Sempre tem um depois, agora sei disso. Pelo menos até morrermos. Aí, acho que tudo passa a ser antes disso.

Um livro fluido, cheio de referências, ideal para curar a ressaca literária. Enxuto e muito simples, é uma ótima pedida àqueles que precisam de um respiro entre leituras mais densas. Os capítulos são curtinhos e as palavras são de fácil entendimento.

Encare a morte de perto nessa aventura com James Conklin.

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