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Thaís Rossi

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O livro foi lançado em novembro de 2019 pela editora Intrínseca, compôs a caixa #014 do Clube Intrínsecos e foi escrito pela americana Lara Prescott. A autora é formada em jornalismo e já entrou no mundo literário com seu manuscrito de Os segredos que guardamos sendo um dos mais disputados entre as editoras do EUA. Hoje o romance — que ganhou o prêmio Crazy Horse Fiction Prize de 2016 com uma versão dos primeiros capítulos — é traduzido em mais de 28 países e teve sua adaptação para o cinema confirmada.

O nome de Lara foi dedicado à protagonista de Doutor Jivagolivro que rodeia toda a premissa de seu romance e que foi considerado antipatriótico pelo governo soviético na década de 1950. O processo de escrita de Os segredos que guardamos começou em 2014, quando a CIA divulgou documentos que detalhavam a missão da agência para levar a obra de Boris Pasternak para seu território de origem, utilizando esse conteúdo como arma contra a URSS.

Em Os segredos que guardamos, Lara nos leva a uma viagem entre as décadas de 50 e 60, em lados opostos do globo, de uma maneira dinâmica. A história começa no ocidente -mais especificamente nos EUA na Agência Central de Inteligência (CIA, na sigla em inglês) -que começava a dar seus primeiros passos depois do fim da OSS (Agência de Serviços Estratégicos), criada na 2ª Guerra Mundial. Lá somos apresentados às datilógrafas: um grupo de mulheres inteligentes, que sofriam com o machismo que as relegava às maquinas de datilografia, apesar de serem formadas e terem tanta competência quantos os homens que as chefiavam.

É no ocidente também que conhecemos Sally, uma ex-espiã convidada pelo governo a voltar para o campo, e Irina uma filha de imigrantes russos que fora recrutada para ser espiã após conseguir uma vaga de datilógrafa no escritório da Agência.

Sendo subestimadas e consideradas “irrelevantes” para a sociedade, as mulheres eram consideradas instrumentos perfeitos para trabalhos de espionagem, onde usavam beleza, charme e sua inteligência superior para conseguir informações, já que os homens não tinham competência para tal.


“É claro que aquilo exigia muito mais do que sorrir e rir de piadas idiotas e fingir estar interessada em tudo o que aqueles homens diziam. Não havia um nome para o trabalho, mas foi naquela primeira festa que me tornei uma andorinha: uma mulher que usa talentos que deus lhe deu para conseguir informações. Talentos que acumulei desde a puberdade, refinei aos vinte e aperfeiçoei aos trinta anos. Aqueles homens achavam que estavam me usando, mas era sempre ao contrário; meu poder era fazê-los acreditar que não”

No Oriente somos levados à Rússia da União Soviética de Stalin, onde o autor Boris Pasternak, inspirado por sua amante e musa Olga Ivinskaya, criava a maior ferramenta de guerra da época: O romance Doutor Jivago, uma história de amor que teve sua publicação proibida, na União Soviética, por ir contra a ideologia imposta pelo Estado.

Através dos capítulos, contados a partir da visão de Olga, conhecemos uma realidade obscura em que autores, poetas e grandes mentes intelectuais, eram mortos, torturados e censurados apenas por retratarem suas visões diferentes sobre suas ideias do que deveria ser uma sociedade.

Segredos, espionagem, agentes duplos e uma guerra. Em uma viagem literária entre dois países rivais, Lara Prescott nos mostra os bastidores da guerra fria, onde uma história de amor foi a arma mais poderosa. 

“Eles tinham seus satélites, mas nós tínhamos seus livros. Na época acreditávamos que livros podiam ser armas, que a literatura podia mudar o rumo da história”

Misturando elementos de ficção em uma história real, Lara nos dá uma verdadeira aula de história ao nos levar em um dos muitos eventos marcantes da Guerra Fria. Nos eventos narrados por Olga, somos levados para dentro da mente de um dos maiores artistas da URSS. Boris Pasternark foi um verdadeiro visionário, que acreditava que a literatura quebrava qualquer corrente. Apesar de ter visto diversos amigos serem presos ou mortos, após se expressarem através de suas artes, o escritor seguiu sendo fiel às suas crenças. Embora vivesse em uma ditadura cuja as regras em torno da arte eram bem específicas, ele não se intimidou e transformou o singelo e romântico Doutor Jivago em uma válvula de escape para todos os que queriam escapar do caos ditatorial. 

Para Boris, Olga e seus admiradores, os livros eram o único lugar onde seus pensamentos, desejos e histórias permaneceriam intocáveis, por mais proibidos que fossem.


“Doutor Jivago é sobre um médico
É um relato dos anos entre as duas guerras
É sobre Iúri e Lara
É sobre a Rússia antiga
É sobre amor
É sobre nós”

Mesmo sabendo que a publicação do seu romance traria consequências irreversíveis para sua vida, Boris decidiu seguir em frente. No seu ponto de vista as pessoas deveriam ter o direito de decidir sozinhas o que é anti-patriótico ou ofensivo, estabelecendo sozinhas uma opinião. A publicação fez de Boris uma lenda, deu a ele um nobel e, depois da missão Jivago, mostrou a todos que um livro, o conhecimento e a liberdade são armas mais poderosas e eficazes do que qualquer arma de fogo.

 

“Nossa missão estava cumprida. Distribuímos Jivago, na esperança de que o romance do sr. Pasternark acabasse voltando para seu país natal, na esperança de que aqueles que o lessem questionassem por que o texto havia sido proibido – as sementes da dissidência plantadas com um livro contrabandeado”

Além de mostrar toda a trama por trás da Missão Jivago, a autora soube encaixar perfeitamente algumas situações que, até hoje, são pautas de discussões como o homossexualismo, o machismo e o assédio. Durante a leitura é possível vivenciar um pouco de como essas questões eram abordadas em uma época tão arcaica socialmente, onde pessoas eram presas por se relacionarem com o mesmo sexo, mulheres eram arruinadas se abrissem a boca após serem abusadas e homens eram premiados e exaltados apenas por coçarem suas genitálias.
 

“Às vezes se referiam a nós não pelo nome, mas pela cor do cabelo ou tipo de corpo: Loirinha, Ruiva, Peitão. Também tínhamos apelidos secretos para eles: Apalpador, Bafo de Café, Dentuço. Eles nos chamavam de garotas mas não éramos garotas”

Um dos fatores que leva Os segredos que guardamos a ser um dos melhores romances publicados atualmente é a escrita de Prescott. Sua dedicação em retratar a realidade dos eventos fica explícita em cada linha colocada no livro. Com detalhes impressionantes, a autora consegue nos transportar para todos os cenários descritos: do jardim de Pasternak, da sala de datilografia da Agência, até o pavoroso Gulag (um campo de trabalho forçado para criminosos e opositores ao regime da URSS). Algumas partes são tão detalhadas e tão intensas, que é necessário algumas pausas para lembrar a mente de que não estamos quebrando pedra em um campo de concentração ou sentados na grama rodeados pelo perfume da primavera russa.

Outro ponto positivo dentro da história é o destaque para o emponderamento feminino em uma época onde o machismo predominava. Além de nos apresentar histórias reais como a de de Olga – uma mãe solteira que, apesar de ter vivido em prol de um homem, sempre soube se impor – a autora criou personagens que nos ensinam muito sobre o feminismo em sua raiz. Apesar de serem subestimadas, subjugadas e menosprezadas, o dom dessas mulheres de saberem como, quando e onde agir foi o fator decisivo que levou a missão Jivago ao sucesso. Personalidades como Olga, as datilógrafas, Sally e Irina foram a inspiração para que as mulheres começassem a reconhecer o tamanho de suas forças. Foi através de histórias inspiradoras como as delas que as mulheres encontraram – e encontram até hoje – forças para lutar por uma sociedade mais justa, mais segura e menos machista.

“Chegamos à Agência após ter estudado em Radcliffe, Vassar, Smith. Éramos as primeiras filhas de nossas famílias a conquistar diplomas. Algumas de nós falavam mandarim. Algumas sabiam pilotar aviões. Algumas manipulavam um Colt 1873 melhor do que John Wayne. Mas tudo o que nos perguntaram ao sermos entrevistadas foi: “Você sabe datilografar?” Dizem que a máquina de escrever foi feita para as mulheres — que para fazer as teclas cantarem é necessário o toque feminino; que nossos dedos finos são adequados para o instrumento; que, enquanto os homens reivindicam carros, bombas e foguetes, a nossa máquina é a de escrever”

 

 

Lara Prescott leva o leitor em uma odisseia através da história com uma mistura perfeita de drama, romance e lições valiosas, deixando um leve vazio no leito após o término da leitura.

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Resenha

João e Maria

Livro: o prestigiado Neil Gaiman e o incrível Lorenzo Mattotti se encontram para recontar um clássico.

Mylla Martins de Lima

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Capa Cabana do Leitor

João e Maria é uma adaptação de um dos contos dos Irmãos Grimm feita por Neil Gaiman e ilustrada por Lorenzo Mattotti. O livro foi trazido para o Brasil através da editora Intrínseca em 2015.

Embora todos conheçam a história, revisitá-la vale muito a pena, pois um olhar menos infantil acaba tornando tudo mais chocante. As ilustrações de Lorenzo fazem com que essa experiência seja ainda mais tensa, enquanto a escrita de Gaiman apresenta toques pessoais muito sutis.

Não houve mudanças extremas durante a narrativa e o clássico só ganhou olhares mais maduros, sem interferir na personalidade dos personagens. O foco é na crueldade dos pais e da ”bruxa”, que sofre uma repaginada e é apresentada em uma versão mais realista, sem muita fantasia e misticismo, como uma senhora canibal e exploradora. Reler desse ponto de vista é realmente perturbador.

“As crianças dormiam em montes de feno. Os pais, em uma cama antiga que pertencera à avó do lenhador. João acordou no meio da noite com uma dor aguda e vazia na barriga, mas não disse nada, porque sabia que tinha pouca coisa para comer. Ele manteve os olhos fechados e tentou voltar a dormir. Quando dormia, não sentia fome”

Um lenhador e sua esposa com dois filhos vivem em uma cabana muito próxima à floresta. Apesar do estilo de vida humilde, sem qualquer tipo de luxo e muito trabalho braçal do homem, a comida nunca faltou. Foi quando a guerra se instaurou no local que veio a escassez, e com ela, a fome.

João foi quem ouviu os planos da mãe de ”esquecê-los” na floresta, pois seria mais fácil sobreviver dois que quatro. Essa é uma das cenas enfatizadas por Gaiman. Apesar de contestar de primeira, o pai logo se cala, mostrando-se submisso à loucura da mulher, levando seus filhos para um ”passeio” assim que acordaram.

”Somos quatro — disse a mãe. — Quatro bocas para alimentar. Se continuarmos assim, vamos todos morrer. Sem as bocas a mais, eu e você teremos chance.

[…] — Se você não comer —  respondeu a mulher — , não vai conseguir brandir o machado. E, se não conseguir cortar uma árvore ou levar lenha para a cidade, todos morreremos de fome. É melhor morrerem dois do que quatro. É só questão de matemática, uma questão de lógica”

O final desse conto todos já devem saber, mas o desenrolar dela pelas palavras de Gaiman é realmente impressionante, destacando as horas de medo e descrença, como é o caso da argumentação tão fria da mãe que convence seu marido a sacrificar seus filhos em troca de sua própria sobrevivência.

Nas últimas páginas do livro, uma contextualização do conto ao longo do tempo é feita. É muito interessante a causa de sua transformação! A crueldade não se restringe à ficção, já que no medievo, durante a Grande Fome, famílias simples como a do livro, costumavam abandonar seus filhos ou pior, alimentarem-se da carne deles. A prática de canibalismo era muito comum nesse período.

Essa edição é muito bonita e sua ilustração a torna ainda mais incrível, dando um clima medonho ao que já faz parte de um cenário de horror, mas que a mente inocente infantil não entendia.

Um presente aos fãs de Gaiman e um convite para aqueles que não conhecem o autor.

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HQs

Resenha | Aprendendo a cair

Uma belíssima grafic novel comovente e com diálogos sem filtro.

Mylla Martins de Lima

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A editora Nemo acaba de lançar mais uma HQ emocionante contada do ponto de vista de um jovem com necessidades especiais. Escrita pelo alemão Mikael Ross, esse quadrinho é tão profundo quanto a história por trás dele.

Aprendendo a cair tem sua origem no aniversário de 150 anos da Fundação Evangélica Neuerkerode, que gere uma cidade pequena composta por cidadãos que, em sua maioria, sofrem de algum tipo de transtorno mental. O mais interessante em meio a toda essa novidade é que essas pessoas, mesmo com suas peculiaridades, possuem uma vida como de qualquer outra, com seus empregos, lazeres e afazeres.

O quadrinho foi encomendado para Mikael em comemoração a essa data tão especial, e o mesmo levou muito a sério, morando durante um certo período no local para entender a vida dessas pessoas e o cotidiano de cerca de 800 habitantes. Feita sua pesquisa de campo, a história levou mais dois anos e meio para ser finalizada e terminar nessa edição incrível, com uma história tão cativante, que deixa o leitor morrendo de vontade de viajar para conhecer as personalidades tão fofas e engraçadas mencionadas na narrativa.

A grafic novel foi lançada na Alemanha em 2018, e um ano após sua publicação, a mesma foi a vencedora do maior prêmio de quadrinhos local, o Maz und Moritz, entregue durante a Mostra Internacional de Quadrinhos de Erlangen, feita a cada dois anos.

A história de Aprendendo a cair é contada pela perspectiva de Noel, um menino que ama AC/DC e sonha em tocar guitarra. Com a morte repentina de sua mãe, e sem seus familiares por perto, sua vida sofre uma grande mudança e ele acaba tendo de ir para longe de Berlim, morar em Neuerkerode.

Nesse centro de cuidados, o menino conhece outras pessoas como ele e, mesmo sendo a primeira vez que Noel fica longe de sua mãe, ele se diverte, faz amizade e até se apaixona… por ser tudo muito novo, cada dia da vida do menino é muito intensa! As suas descobertas são contadas em poucas páginas, fazendo os capítulos ficarem bem curtos e facilitando a degustação do público.

A arte dessa obra é apaixonante! A edição é toda colorida, feita com muito carinho e capricho, como tudo da editora. As ilustrações têm traços muito particulares, usando marcadores e lápis de cor para dar textura na finalização. Não poderia ter ficado melhor ou combinado mais com os personagens e o tom como o autor quis narrar a trama.

Aprendendo a cair é uma história de superação, que diverte, encanta com personalidades inesquecíveis e humor bem leve e aquece o coração de quem lê. A HQ arranca sorrisos de forma bem natural e por quadros bem simples.

Os diálogos engraçados de Noel e seus amigos juntos à arte maravilhosa tornam essa HQ incrível. Ela merece um espacinho na estante de cada um.

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Resenha

Endurance: um ano no espaço

Livro narra a aventura no espaço de Scott Kelly.

Paulo H. S. Pirasol

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endurance capa pro site

Endurance: um ano no espaço foi escrito por Scott Kelly com Margaret Lazarus Dean. A obra é um biografia de Scott Kelly, veterano de quatro viagens espaciais, das quais a maior delas é descrita neste livro, a missão: um ano no espaço.

Toda a jornada de Scotty Kelly tem um peso forte para os dias atuais, apesar de Endurance ter sido lançado no Brasil em 2017, pela Intrínseca. O livro conta com a tradução de Andrea Gottlieb e Thaís Paiva, uma edição que traz além de palavras, mas também fotografias tiradas pelo próprio astronauta durante sua missão.

A obra não aborda apenas o cronograma de um astronauta, embora explique com clareza os procedimentos que são feitos.

O grande destaque está no que leva Scott Kelly a deixar sua família e o planeta por um ano para realizar a possível jornada mais perigosa da história; ainda mesmo que voltando vivo, não saberia os graus de impacto que seu corpo sofreria, esses resultados foram o grande objetivo da missão, descobrir o que acontece com o corpo humano no espaço durante esse período.

“Todas as partes do meu corpo doem. Todas as minhas juntas e todos os meus músculos protestam contra a pressão esmagadora da gravidade”

Endurance

No início da década de 1920, a Antártida era o objetivo de explorações geográficas e científicas internacionais. A Expedição Endurance, realizada em julho de 1915, é considerada a última grande expedição daquele momento, o objetivo era de atravessar o continente.

navio da expedição endurance

Mas a expedição não ocorreu como planejado, o navio Endurance ficou preso no gelo e foi esmagado.

Ernest Henry Shackleton (o explorador encarregado de liderar a expedição) e sua equipe tiveram que passar por uma enorme travessia até encontrarem abrigo na Georgia do Sul (1278 km de distância onde o navio foi esmagado).

Entretanto, não conseguiram resgatar o restante da equipe devido ao congelamento do mar. Mas Ernest não desistiu e rumou até o Chile para conseguir ajuda. Os sobreviventes se sentiram forçados a matar seus cachorros para se alimentarem; ficaram no gelo por meses seguidos e quase morreram congelados. Atravessaram montanhas antes consideradas intransponíveis. Ainda assim, a expedição não perdeu nenhum membro.

Em agosto de 1916, ele consegue resgatar toda a sua tripulação que ficou conhecida pela bravura, companheirismo e incrível vontade de sobreviver.

O livro A incrível viagem de Shackleton, de Alfred Lansing (que conta sobre a expedição) é um dos objetos que Scott Kelly gosta de ter em suas viagens no espaço.

“Quando tento me colocar no lugar deles, penso que a pior coisa deve ter sido a incerteza. A incerteza da sobrevivência deve ter sido pior do que a fome e frio. Quando leio sobre sua experiências, penso em como o desafio deles foi muito maior do que o meu. Às vezes pego o livro especificamente por essa razão”

O significado de “endurance” é resistência que é o fundamental para qualquer momento perigoso.

scott kelly em endurance

Para Scott Kelly, a essência da vida boa dependia do grau de risco enfrentado, quanto mais desafiadora, mais lhe agradava. Na obra ele conta as dificuldades que teve para se ingressar em outros campos e dar atenção a certos assuntos que não atiçavam os seus desejos. Mas também porque ele ainda não se conhecia, apenas sabia que enfrentar o perigo era aonde queria estar.

Ainda no colegial comprou um livro chamado The Right Stuff (Os Eleitos) de Tom Wolfe, sobre uma aventura de pilotos da marinha, aquilo o atraiu pois mostrava como a dificuldade no mundo real está sempre além do que sabemos.

“Em um livro, encontrei algo que achava que jamais encontraria: uma ambição. Quando fechei aquelas páginas tarde da noite, havia me tornado alguém diferente”

Durante a missão de um ano, Scott liga para o autor de Os Eleitos e pergunta como ele poderia começar a escrever um livro, a resposta leva a forma como o astronauta decidiu fazer Endurance.

O Peso da mortalidade

O Catraca Livre, portal de notícias, fez em 2019 uma lista das 10 carreiras mais arriscadas do mundo e astronauta está nela.

endurance foto que tem no livro

No decorrer do livro, Scott Kelly conta inúmeras histórias de falhas que levaram a acidentes ou fins trágicos de cosmonautas com o intuito de prestar homenagens e também de explicar ao leitor o porquê certas tradições do serviço, principalmente russas, são feitas.

“Não preciso urinar, mas é uma tradição: quando Yuri Gagarin estava a caminho da plataforma de lançamento para o seu primeiro voo espacial histórico, ele pediu para estacionar – mais ou menos aqui – e fez xixi no pneu direito da frente do ônibus. Depois disso, foi para o espaço e voltou vivo. Então agora, todos temos que fazer a mesma coisa”

Para Scott, reconhecer aqueles que enfrentam seus desafios é muito importante na vida de uma pessoa; é a forma como ela presencia o exemplo de: fazer a vida ser bem vivida.

O peso que ele encontra em sua mortalidade não faz temer perdê-la, mas buscar bom uso do seu tempo de vida.

A obra mostra como é importante reconhecermos o quanto pessoas estão dispostas a sofrer para garantir avanços na melhoria de vida humana, e como é árduo que elas mantenham a resiliência.

Covid-19

Em tempos de pandemia, conhecer a perspectiva de Scott Kelly pode abrir nossos olhos para reconhecer os esforços que têm sido feitos por muitos para assegurar um futuro mais seguro; também puxa a nossa atenção para a segurança contra os riscos que nos desafiam. Recentemente o astronauta deu dicas de como suportar a quarentena.

Sua grande observação quanto ao momento pós-conflito ou até mesmo o porquê de você resolver um conflito: é para que possa se reunir com seus entes queridos.

“Sentar-se a uma mesa e fazer uma refeição com quem se ama é algo simples, e muitas pessoas fazem isso todos os dias sem dar muita importância. Para mim, é algo com que tenho sonhado há quase um ano”

O filme Gravidade (2013), dirigido por Alfonso Cuarón e estrelado por Sandra Bullock buscar mostrar a coragem naqueles que aceitam carreiras arriscadas, mas se você quiser ver isto na vida real como Scott Kelly viu ao ler Os Eleitos, basta você ligar a televisão ou entrar na internet que verá o mundo inteiro enfrentando um perigo para garantir a sua segurança e a de todos. Então, é importante manter-se seguro como um astronauta e valorizar as refeições com aqueles que ama (dentro de casa, caso não seja possível aguarde como um astronauta).

Endurance ressalta o heroísmo na jornada de Scott Kelly e de Ernest Henry Shackleton. O valor da missão está na bravura de superar um desafio, no desejo de enfrentá-lo e saber que vencer um perigo é, acima de tudo, garantir a segurança do próximo.

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