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Gustavo Carvalho Cardoso

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Wild Cards – O Começo foi lançado em 23 de novembro de 2010 pela Companhia das Letras e organizado por George R.R. Martin em parceria com inúmeros autores. O autor é um roteirista e escritor de ficção-científica, terror e fantasia. Sua maior criação foi a fantasia época “As Crônicas de Gelo e Fogo”.

“Jetboy é o grande herói da nação.”

A história de Wild Cards gira em torno de um ataque com um vírus biológico alienígena que altera o DNA dos afetados, transformando-os em super-heróis, os chamados Áses. Mas o vírus pode transformar em aberrações antropomórficas, os Curingas.

”Tachyon parecia um homem normal, um homem normal que saiu de uma nave alienígena”

O livro se compromete em mostrar os dramas de um Estados Unidos pós Segunda Guerra Mundial, em um universo onde a vida no espaço é existente e carrega consigo uma ameaça à nossa sobrevivência: um teste viral que promete dizimar os humanos dois anos após Hitler ser derrotado.

A história lembra muito um roteiro de histórias em quadrinhos, parodiando super-heróis conhecidos e criando uma lógica por trás de cada poder apresentado, tornando o universo apresentado mais tangível e consolidando a premissa inicial do livro.

O livro é fragmentado em contos contendo narrativas e personagens principais diferentes, fazendo o leitor percorrer cenários e situações distintas. Ele mostra os humanos se adaptando aos poderes e aprendendo a lidar consigo mesmos, abrindo portas a uma nova crise. Como conviver com seres que podem praticamente serem deuses?

É apenas uma das perguntas que o livro traz e uma das crises que gira em torno dos personagens. Trazendo referências diretas aos X-men, à Liga da Justiça e a muitos outros quadrinhos, a narrativa coloca uma curiosidade em cada página e os leitores ficam loucos para saber qual vai ser o próximo personagem a ser central na história.

Assim como em X-men, a ameaça presente nesse universo não só os Áses ou os Curingas, mas sim os próprios humanos com medo dos afetados pelo vírus. Munidos de preconceito e de misoginia, eles se sobrepõe aos Wild Cards, aplicando leis rígidas e praticamente escravizando aqueles que sofreram com a mutação. Estes sendo obrigados a servir no exército sob o pretexto de estarem honrando a nação. A verdade, porém, é que estão sendo presos por baixo dos panos.

A crítica social que o livro propõe casou muito bem com a premissa do livro, assim como as muitas referências aos universos conhecidos dos quadrinhos. A política na história foi empregada de forma impecável como uma real vilã aos interesses dos personagens. Em muitos trechos, as leis mais descriminam e matam do que auxiliam aqueles que já estão sendo caçados diariamente.

O drama e a motivação de cada personagem afetam de forma ativa o mundo à sua volta, de forma que um conto, mesmo que com relatos distintos dos outros, complementa o universo, consolidando as lendas que ali permeiam.

A única coisa que quebra um pouco o ritmo do livro são algumas poucas histórias que se arrastam sem necessidade, demorando muito para expor o personagem. Porém, não afeta em nada a qualidade da obra, vai de leitor para leitor.

Wild Cards possui um drama bastante solidificado e uma trama política baseada na da vida real, é uma obra que fortifica o cenário de heróis e vilões. É quase uma distopia alegórica.

O livro é indicado para aqueles que são fãs de quadrinhos e gostariam de ver uma história um pouco mais realista.

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HQs

Resenha | Aprendendo a cair

Uma belíssima grafic novel comovente e com diálogos sem filtro.

Mylla Martins de Lima

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A editora Nemo acaba de lançar mais uma HQ emocionante contada do ponto de vista de um jovem com necessidades especiais. Escrita pelo alemão Mikael Ross, esse quadrinho é tão profundo quanto a história por trás dele.

Aprendendo a cair tem sua origem no aniversário de 150 anos da Fundação Evangélica Neuerkerode, que gere uma cidade pequena composta por cidadãos que, em sua maioria, sofrem de algum tipo de transtorno mental. O mais interessante em meio a toda essa novidade é que essas pessoas, mesmo com suas peculiaridades, possuem uma vida como de qualquer outra, com seus empregos, lazeres e afazeres.

O quadrinho foi encomendado para Mikael em comemoração a essa data tão especial, e o mesmo levou muito a sério, morando durante um certo período no local para entender a vida dessas pessoas e o cotidiano de cerca de 800 habitantes. Feita sua pesquisa de campo, a história levou mais dois anos e meio para ser finalizada e terminar nessa edição incrível, com uma história tão cativante, que deixa o leitor morrendo de vontade de viajar para conhecer as personalidades tão fofas e engraçadas mencionadas na narrativa.

A grafic novel foi lançada na Alemanha em 2018, e um ano após sua publicação, a mesma foi a vencedora do maior prêmio de quadrinhos local, o Maz und Moritz, entregue durante a Mostra Internacional de Quadrinhos de Erlangen, feita a cada dois anos.

A história de Aprendendo a cair é contada pela perspectiva de Noel, um menino que ama AC/DC e sonha em tocar guitarra. Com a morte repentina de sua mãe, e sem seus familiares por perto, sua vida sofre uma grande mudança e ele acaba tendo de ir para longe de Berlim, morar em Neuerkerode.

Nesse centro de cuidados, o menino conhece outras pessoas como ele e, mesmo sendo a primeira vez que Noel fica longe de sua mãe, ele se diverte, faz amizade e até se apaixona… por ser tudo muito novo, cada dia da vida do menino é muito intensa! As suas descobertas são contadas em poucas páginas, fazendo os capítulos ficarem bem curtos e facilitando a degustação do público.

A arte dessa obra é apaixonante! A edição é toda colorida, feita com muito carinho e capricho, como tudo da editora. As ilustrações têm traços muito particulares, usando marcadores e lápis de cor para dar textura na finalização. Não poderia ter ficado melhor ou combinado mais com os personagens e o tom como o autor quis narrar a trama.

Aprendendo a cair é uma história de superação, que diverte, encanta com personalidades inesquecíveis e humor bem leve e aquece o coração de quem lê. A HQ arranca sorrisos de forma bem natural e por quadros bem simples.

Os diálogos engraçados de Noel e seus amigos juntos à arte maravilhosa tornam essa HQ incrível. Ela merece um espacinho na estante de cada um.

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Resenha

Endurance: um ano no espaço

Livro narra a aventura no espaço de Scott Kelly.

Paulo H. S. Pirasol

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endurance capa pro site

Endurance: um ano no espaço foi escrito por Scott Kelly com Margaret Lazarus Dean. A obra é um biografia de Scott Kelly, veterano de quatro viagens espaciais, das quais a maior delas é descrita neste livro, a missão: um ano no espaço.

Toda a jornada de Scotty Kelly tem um peso forte para os dias atuais, apesar de Endurance ter sido lançado no Brasil em 2017, pela Intrínseca. O livro conta com a tradução de Andrea Gottlieb e Thaís Paiva, uma edição que traz além de palavras, mas também fotografias tiradas pelo próprio astronauta durante sua missão.

A obra não aborda apenas o cronograma de um astronauta, embora explique com clareza os procedimentos que são feitos.

O grande destaque está no que leva Scott Kelly a deixar sua família e o planeta por um ano para realizar a possível jornada mais perigosa da história; ainda mesmo que voltando vivo, não saberia os graus de impacto que seu corpo sofreria, esses resultados foram o grande objetivo da missão, descobrir o que acontece com o corpo humano no espaço durante esse período.

“Todas as partes do meu corpo doem. Todas as minhas juntas e todos os meus músculos protestam contra a pressão esmagadora da gravidade”

Endurance

No início da década de 1920, a Antártida era o objetivo de explorações geográficas e científicas internacionais. A Expedição Endurance, realizada em julho de 1915, é considerada a última grande expedição daquele momento, o objetivo era de atravessar o continente.

navio da expedição endurance

Mas a expedição não ocorreu como planejado, o navio Endurance ficou preso no gelo e foi esmagado.

Ernest Henry Shackleton (o explorador encarregado de liderar a expedição) e sua equipe tiveram que passar por uma enorme travessia até encontrarem abrigo na Georgia do Sul (1278 km de distância onde o navio foi esmagado).

Entretanto, não conseguiram resgatar o restante da equipe devido ao congelamento do mar. Mas Ernest não desistiu e rumou até o Chile para conseguir ajuda. Os sobreviventes se sentiram forçados a matar seus cachorros para se alimentarem; ficaram no gelo por meses seguidos e quase morreram congelados. Atravessaram montanhas antes consideradas intransponíveis. Ainda assim, a expedição não perdeu nenhum membro.

Em agosto de 1916, ele consegue resgatar toda a sua tripulação que ficou conhecida pela bravura, companheirismo e incrível vontade de sobreviver.

O livro A incrível viagem de Shackleton, de Alfred Lansing (que conta sobre a expedição) é um dos objetos que Scott Kelly gosta de ter em suas viagens no espaço.

“Quando tento me colocar no lugar deles, penso que a pior coisa deve ter sido a incerteza. A incerteza da sobrevivência deve ter sido pior do que a fome e frio. Quando leio sobre sua experiências, penso em como o desafio deles foi muito maior do que o meu. Às vezes pego o livro especificamente por essa razão”

O significado de “endurance” é resistência que é o fundamental para qualquer momento perigoso.

scott kelly em endurance

Para Scott Kelly, a essência da vida boa dependia do grau de risco enfrentado, quanto mais desafiadora, mais lhe agradava. Na obra ele conta as dificuldades que teve para se ingressar em outros campos e dar atenção a certos assuntos que não atiçavam os seus desejos. Mas também porque ele ainda não se conhecia, apenas sabia que enfrentar o perigo era aonde queria estar.

Ainda no colegial comprou um livro chamado The Right Stuff (Os Eleitos) de Tom Wolfe, sobre uma aventura de pilotos da marinha, aquilo o atraiu pois mostrava como a dificuldade no mundo real está sempre além do que sabemos.

“Em um livro, encontrei algo que achava que jamais encontraria: uma ambição. Quando fechei aquelas páginas tarde da noite, havia me tornado alguém diferente”

Durante a missão de um ano, Scott liga para o autor de Os Eleitos e pergunta como ele poderia começar a escrever um livro, a resposta leva a forma como o astronauta decidiu fazer Endurance.

O Peso da mortalidade

O Catraca Livre, portal de notícias, fez em 2019 uma lista das 10 carreiras mais arriscadas do mundo e astronauta está nela.

endurance foto que tem no livro

No decorrer do livro, Scott Kelly conta inúmeras histórias de falhas que levaram a acidentes ou fins trágicos de cosmonautas com o intuito de prestar homenagens e também de explicar ao leitor o porquê certas tradições do serviço, principalmente russas, são feitas.

“Não preciso urinar, mas é uma tradição: quando Yuri Gagarin estava a caminho da plataforma de lançamento para o seu primeiro voo espacial histórico, ele pediu para estacionar – mais ou menos aqui – e fez xixi no pneu direito da frente do ônibus. Depois disso, foi para o espaço e voltou vivo. Então agora, todos temos que fazer a mesma coisa”

Para Scott, reconhecer aqueles que enfrentam seus desafios é muito importante na vida de uma pessoa; é a forma como ela presencia o exemplo de: fazer a vida ser bem vivida.

O peso que ele encontra em sua mortalidade não faz temer perdê-la, mas buscar bom uso do seu tempo de vida.

A obra mostra como é importante reconhecermos o quanto pessoas estão dispostas a sofrer para garantir avanços na melhoria de vida humana, e como é árduo que elas mantenham a resiliência.

Covid-19

Em tempos de pandemia, conhecer a perspectiva de Scott Kelly pode abrir nossos olhos para reconhecer os esforços que têm sido feitos por muitos para assegurar um futuro mais seguro; também puxa a nossa atenção para a segurança contra os riscos que nos desafiam. Recentemente o astronauta deu dicas de como suportar a quarentena.

Sua grande observação quanto ao momento pós-conflito ou até mesmo o porquê de você resolver um conflito: é para que possa se reunir com seus entes queridos.

“Sentar-se a uma mesa e fazer uma refeição com quem se ama é algo simples, e muitas pessoas fazem isso todos os dias sem dar muita importância. Para mim, é algo com que tenho sonhado há quase um ano”

O filme Gravidade (2013), dirigido por Alfonso Cuarón e estrelado por Sandra Bullock buscar mostrar a coragem naqueles que aceitam carreiras arriscadas, mas se você quiser ver isto na vida real como Scott Kelly viu ao ler Os Eleitos, basta você ligar a televisão ou entrar na internet que verá o mundo inteiro enfrentando um perigo para garantir a sua segurança e a de todos. Então, é importante manter-se seguro como um astronauta e valorizar as refeições com aqueles que ama (dentro de casa, caso não seja possível aguarde como um astronauta).

Endurance ressalta o heroísmo na jornada de Scott Kelly e de Ernest Henry Shackleton. O valor da missão está na bravura de superar um desafio, no desejo de enfrentá-lo e saber que vencer um perigo é, acima de tudo, garantir a segurança do próximo.

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Resenha

O Menino na Ponte

Livro remonta velha discussão sobre perda da humanidade sob nova perspectiva.

Rodrigo Roddick

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Capa Cabana do Leitor

Tem livros que o título é autoexplicativo, mas há aqueles que utilizam a sutiliza poética para agregar mais valor na obra. O Menino na Ponte parece fazer uso da segunda opção, porém é tão sutil que fica difícil entender a conexão do título com a narrativa. Mas o leitor consegue criar uma se estiver disposto.

O Menino na Ponte é um livro de ficção-científica escrito por M. R. Carey, um dos roteiristas de X-men e Hellblazer. O autor também trabalhou na série Lúcifer, da Netflix. O livro foi publicado no Brasil pela editora Rocco, através do selo Fábrica 231.

O livro conta a história de um grupo de cientistas que estão a bordo de um trem chamado Rosalind Franklin com destino a um ambiente hostil repleto de zumbis. Lá eles deverão estudar o patógeno que está contaminando as pessoas e achar uma possível cura. E no cerne disso está um gênio precoce, um cientista com 15 anos, o menino na ponte.

Por ter trabalhado em obras de peso, Carey acaba atraindo as pessoas para suas obras. Não é negável sua maestria com as técnicas da escrita e narração de histórias, mas é uma narrativa com flutuações de interesse. Em alguns momentos, o leitor vai ficar muito conectado ao que está acontecendo porque a situação é bastante humana e causa incômodo (bom) e raiva. Mas em outros, vai despertar sono.

A escolha por um mundo apocalíptico, ainda mais sendo a causa zumbi, já apresenta um leve cansaço ao iniciar a leitura, pois é um assunto tão comentado e já visto na mídia que é impossível alguém ter predisposição empolgada para isso. Só quem gosta muito de zumbi.

“Na metade das vezes, eles não parecem perceber que estão mortos”

Porém, o interessante é que dessa vez a culpa não é de vírus, mas sim de um fungo. E a forma como Carey evolui o fungo, passando-o dos animais para os humanos, é bastante científico e coerente. E isso torna a leitura um tanto investigativa e atrai a atenção.

Histórias de zumbi sempre apontam para o mesmo alvo: o homem. E deve. Realmente é o alvo de todo livro, e as temáticas nesse universo maximizam essa tática. Contudo isso traz a mesma discussão em todas as obras do gênero: a perda da humanidade, como ela vai se desintegrando junto com o mundo criado por ela.

“Costumava haver um mundo no qual as coisas faziam algum tipo de sentido, tinham algum tipo de permanência, mas a espécie humana acabou com esse mundo em algum lugar”

A maioria dos personagens não conseguem apelar para empatia do leitor e acabam sendo apenas articuladores da história em vez de ser as pessoas que sofrem o conflito da mesma. Alguns em maior escala que outro. Há momentos que o leitor vai se conectar e outros que ele simplesmente vai dormir.

Apesar da linguagem técnica ser necessária nesta narrativa, ela tende a cansar demais. Acaba trazendo um desconforto ruim ao interlocutor que quer, na mais primitiva necessidade de ler um livro, se entreter. Mesmo com o ponto de vista técnico cansativo, a leitura tende a ser fluída.

O livro critica que o olhar tradicional da ciência pode ser o principal motivo para a humanidade perder a luta contra um novo patógeno, e o autor consegue exprimir bem essa ideia ao criar um cientista com 15 anos de idade. Sua nova visão e seus métodos subversivos tornam-no uma pessoa insubstituível no enfrentamento do apocalipse. E daí vem o significado do menino na ponte.

O Menino na Ponte remonta a velha discussão sobre quando o humano perde a humanidade.

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